2 visualizações históricas

gatinha da cracolândia – Pesquisa Google

Eu estava procurando por imagens para organizar meu blog, de onde muitas fotos desapareceram em um erro de calculo meu e esbarrei nesta “Gatinha da cracolândia e, curioso, fui lá dar uma olhada.

O que se vê é uma criminosa jovem, bonta, fotogênica que ganha este apelido vistoso de gatinha da cracolandia. Parece brincadeira, mas não é!

Olhe com atenção para o contraste.

Quando alguém pesquisa por “gatinha da Cracolândia”, encontra fotografias cuidadosamente escolhidas, manchetes centradas na aparência de uma jovem e um apelido que parece saído de uma coluna de celebridades.

“Gatinha da Cracolândia.”

A expressão foi repetida pela imprensa durante anos, inclusive em matérias sobre prisão, tráfico, processos e condenações.

O problema aqui não é discutir culpa ou inocência. Não é disso que se trata.

O problema é a embalagem.

Uma mulher jovem e bonita vira “gatinha”.

A Cracolândia vira cenário.

O tráfico ganha uma personagem quase pop.

Enquanto isso, homens e mulheres devastados pelo crack, vivendo nas mesmas ruas, foram durante anos chamados de “nóias”, “zumbis” e outras palavras ainda mais desumanizadoras.

Perceba a violência dessa diferença.

A mesma sociedade consegue olhar para duas pessoas atravessadas pela mesma droga e construir uma delas como personagem fascinante porque é jovem, bonita e fotogênica, enquanto transforma a outra em lixo humano porque está suja, envelhecida, magra, doente ou dormindo na calçada.

É uma desigualdade de linguagem.

E linguagem também é poder.

Os textos antigos sobre crack, Cracolândia, redução de danos, repressão policial e o programa Braços Abertos permitem observar não apenas o que aconteceu naquele período, mas também como aquelas pessoas foram vistas, descritas e julgadas.

Isso transforma esses registros em algo maior do que simples notícias antigas.

Eles permitem comparar épocas.

Permitem observar como o discurso público muda.

Permitem perceber quem recebeu nome, rosto e narrativa — e quem foi reduzido a uma categoria ofensiva.

A expressão “Gatinha da Cracolândia” é quase um estudo de caso sobre a capacidade da mídia de transformar uma tragédia social em entretenimento.

Há uma ironia particularmente amarga nisso.

Para o algoritmo, a Cracolândia que rende clique é a que tem uma “gatinha”.

A mulher anônima de cinquenta anos sentada na sarjeta quase nunca ganha sequer um nome.

 

Total Views: 2

Descubra mais sobre Blog Soropositivo Home Page Arquivo HIV

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Share This Article
Violência contra a mulher: canais de emergência, denúncia e proteção.

Descubra mais sobre Blog Soropositivo Home Page Arquivo HIV

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo

Descubra mais sobre Blog Soropositivo Home Page Arquivo HIV

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo