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01/11/2010 Portadores de doenças como AIDS, TUBERCULOSE batalham contra a discriminação social Isabela Alencar // isabelaalencar.pb@dabr.com.br “A gente nunca acha que isso vai acontecer com nós mesmos”, disse José Sousa (nome fictício), 42, portador de HIV. Durante uma relação sexual sem prevenção, ele acabou adquirindo o vírus e ainda teme o preconceito por causa disso. João Silva, 38, não poderia imaginar que oferecendo uma simples carona, pudesse adquirir uma TUBERCULOSE, que hoje lhe tira o sossego de antes. Como outros portadores de doenças transmissíveis, eles acreditam que o maior obstáculo que ainda enfrentam continua sendo a discriminação. Os dois afirmaram que sentem na pele o peso do preconceito, que, de alguma forma, também parte deles mesmos, quando tentam esconder da sociedade a sua atual condição. Naquelas noites solitárias, José Sousa, que trabalhava como vigilante, encontrou conforto e paixão nos braços de uma namorada. Ele se sentia feliz e realizado, até que descobriu que o resultado daquela relação sem proteção, lhe trouxe um “peso” que, inicialmente era quase impossível de ser carregado. “A gente nunca acha que isso vai acontecer com nós mesmos. Eu sempre ouvia as pessoas comentarem sobre o HIV, mas achava que esse problema estava muito longe de mim e me sentia protegido na relação que eu tinha”, relembrou. Hoje trabalhando na área de serviços gerais, em uma Organização Não-Governamental (ONG), que trata justamente de pessoas portadoras do vírus, ele contou como descobriu a infecção. “Eu participei de uma festa com amigos e três dias depois comecei a passar mal, achando que tinha sido a comida. Fiz vários exames e me indicaram realizar o teste de HIV, que pra minha infelicidade deu positivo. Eu fiquei desesperado com a notícia, não sabia o que fazer, nem a quem pedir ajuda. Durante a minha recuperação eu cheguei a perder 24 quilos em pouquíssimo tempo”, disse. Mas José descobriu que realizar um tratamento sério, além de ter todo o cuidado necessário para não transmitir o vírus, não seria a pior coisa que enfrentaria. Pouco tempo depois ele conheceu o preconceito e isso sim, o fez entender que para quebrar as barreiras desse obstáculo, não bastava apenas sua boa vontade. “As pessoas não se previnem, porque têm o mesmo pensamento que eu tinha antes. Depois que isso acontece com alguém não tem como as coisas não mudarem, eu tento ter uma vida normal. Mas o preconceito ainda é tão grande que muita gente tem medo até de apertar a minha mão”, disse José. O NORTE – PB | DIA-A-DIA
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