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A prevalência do VIH está fortemente relacionada com o fraco progresso em alcançar as metas de saúde propostas pelos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio

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Keith Alcorn
De acordo com estudos efectuados por investigadores da London School of Hygiene, da Universidade de Oxford e da Universidade da Califórnia, publicados em Março na Plos Medicine, os atrasos em alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODMs) na área da saúde estão fortemente relacionados com os encargos que o VIH e as doenças não transmissíveis têm para os países.

 

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Os ODMs na área da saúde foram estabelecidos em 2001, e responsabilizam os Estados membros das Nações Unidas no sentido de trabalharem com o objectivo de reduzir as taxas de mortalidade infantil em 2/3, a mortalidade materna em ¾ e de deter e inverter a disseminação do VIH, Tuberculose (TB) e malária até 2015.

Contudo, o progresso tem sido desigual e diversas explicações têm surgido, em particular, para explicar o motivo pelo qual os países de baixo rendimento têm alcançado metas tão limitadas em relação aos objectivos estabelecidos pelos ODMs. A escassez de recursos e o financiamento inadequado para a saúde são comummente referidos como explicação, bem como infra-estruturas inadequadas de saúde em muitos países de baixo rendimento.

Menos atenção tem sido dada à quantificação do impacto da co-existência de epidemias e de doenças não transmissíveis, dizem os autores deste novo estudo. Na verdade, a alocação de avultadas quantias de financiamento dos doadores para combater o VIH tem sido citada especificamente como uma barreira que impede a realização dos ODMs em relação à mortalidade materno-infantil, uma vez que serve como acusação de desvio de fundos de intervenções que poderiam ter maior impacto sobre a população.

A análise publicada na primeira semana de Março na PLoS Medicine mostra que, a existir algo, são as respostas inadequadas à SIDA que impedem alcançar as metas estabelecidas pelos ODMs na área da saúde, em conjunto com a incapacidade para avaliar a extensão para o qual o VIH e as doenças não transmissíveis contribuem para os ciclos familiares de pobreza e de doença.

O estudo realizado pelo Dr. David Stucker da Universidade de Oxford, pelo Professor Martin McKee da London School of Hygiene and Tropical Medicine e pelo Dr. Sanjay Basu da Universidade de São Francisco, na Califórnia, é uma análise aos relatórios dos indicadores dos ODMs, nos quais os investigadores procuraram as relações existentes entre a taxa de progresso alcançado e as seguintes váriaveis:

**Desenvolvimento Económico (medido pelo PIB per capita)

**Prioridade atribuída à Saúde (gastos com a Saúde em percentagem do PIB)

**Custos reais com a Saúde

**Sobrecarga do VIH/SIDA

**Taxas de mortalidade de doenças não transmissíveis.

A análise concluiu que os encargos nacionais atribuídos ao VIH/SIDA e às doenças não transmissíveis explicam mais de metade das desigualdades entre o progresso dos países relacionados com a mortalidade infantil e o controlo da TB.

Na realidade, a relação é tão forte que reduzir a prevalência do VIH em apenas 1% teria um impacto semelhante no progresso do ODM relacionado com a Tuberculose, como uma década de crescimento enconómico num país de baixo rendimento (uma subida de, pelo menos, 80% no PIB), afirmam os investigadores. A redução de 1% na prevalência do VIH teria um efeito semelhante nos resultados da saúde infantil, como um aumento de 40% no PIB ao longo de 10 anos, acrescentam.

Em contraste, o PIB per capita, os gastos na saúde como parte do PIB, os custos totais com a saúde e médicos per capita não explicam mais do que 1/5 da diferença total entre os países que apresentam bons e maus progressos.

As iniciativas globais para a saúde precisam de envolver um maior leque de problemas de saúde, argumentam os investigadores, focando a atenção – seja numa doença em específico, ou num resultado específico, tal como, o aumento da vacinação – o que poderá fazer com que os decisores políticos ignorem a relação entre as doenças que contribuem para “os ciclos viciosos de mortalidade e de pobreza que envolvem as famílias.”

Referência

Stuckler D et al. Drivers of inequality in Millenium Development Goal progress: a statistical analysis. PLoS Medicine 7 (3): e1000241, 2010. O texto completa disponível gratuitamente aqui.

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