A prevalência e a incidência do VIH estão a subir no Uganda
Michael Carter, Thursday, September 04, 2008
De acordo com um estudo publicado na edição de 20 de Agosto da revista AIDS, a prevalência e a incidência do VIH parecem estar a aumentar nas áreas rurais do Uganda. Coincidindo com estes aumentos, os investigadores observaram algumas alterações comportamentais em determinados grupos. O estudo foi conduzido em aldeias na área rural do Uganda e as tendências que revelou espelham outras evidências que apontam para o aumento da prevalência e da incidência do VIH neste país.
A resposta do Uganda à epidemia do VIH, há muito que tem sido considerada como uma história de sucesso.
Porém, nos últimos anos, os dados, das clínicas de cuidados pré-natais e dos locais de aconselhamento e teste voluntário, têm sugerido um abrandamento na descida da taxa de prevalência do VIH.
Por esse motivo, os investigadores, foram investigar as tendências a longo prazo da prevalência e da incidência (novos casos de infecção) do VIH, num estudo ainda em curso, envolvendo indivíduos que vivem em aldeias rurais no sudoeste da Uganda. Foram igualmente a analisar o comportamento sexual para ver se existem alterações nos comportamentos de risco que possam ser relacionadas com as alterações na incidência do VIH.
Analisaram dados recolhidos entre 1989 e 2005. Entre 1989 e 1999, foram incluídos no estudo indivíduos provenientes de quinze aldeias, sendo que 3.722 adultos realizaram, em média, um teste por ano.
Em 1999, mais dez aldeias foram incluídas aumentando para 6.422 o número médio anual de testes de VIH.
A prevalência do VIH desceu de 8,5% em 1990/91 para 6,2% em 1999/2000, aumentando novamente para 7,7% em 2004/05. A diminuição da prevalência do VIH observada durante a década de 1990 foi considerada estatisticamente significativa (p <0,01). div=””>
As estimativas da incidência do VIH foram baseadas em 14.449 indivíduos que apresentaram um primeiro teste negativo antes de Outubro de 2007 e que foram testados ainda mais uma vez ou duas. Tal como para a prevalência do VIH, houve uma descida no número de novas infecções durante grande parte da década de 1990, com a incidência a baixar de 7,5 por 1000 pessoas/ano em 1990, para 4,1 por 1000 pessoas/ano em 1998. No entanto, depois de 1999 e até 2004 houve um ligeiro aumento na incidência quando esta atingiu o valor de 4,1 por 1000/pessoas ano. Mas em 2005 houve uma súbita descida que alcançou o valor mais baixo alguma vez registado, 2,5 por 1000 pessoas/ano. Os investigadores consideram, contudo, que este valor de 2005, não deve corresponder à realidade, pois os dados preliminares de 2006, sugerem, mais uma vez, um aumento de novas infecções pelo VIH.
Durante o estudo começaram a surgir padrões de comportamento relacionados com a idade. Geralmente, a incidência aumentava até os indivíduos alcançarem os vinte e poucos anos, altura em que começava a diminuir. Mas, no período compreendido entre 2000 e 2004 os investigadores registaram um segundo pico de incidência em homens entre os 40-44 anos (9,5 por 1000 pessoas/ano, em comparação com os 7,3 por 1000 pessoas/ano, em 1995-99). Os investigadores observaram também um ligeiro segundo pico de incidência nas mulheres com idades compreendidas entre os 30-34 anos.
Em seguida analisaram os comportamentos sexuais relatados para verificar se estes poderiam explicar as mudanças que tinham sido observadas na prevalência e na incidência.
A proporção de jovens a relatar um ou mais parceiros ocasionais aumentou entre 1997 e 2004, antes de descer abruptamente, em 2005. Foi só entre os participantes com idades entre os 35-44 anos que o aumento dos parceiros ocasionais foi estatisticamente significativo (p = 0,003). Isso coincidiu com a total estabilização da incidência do VIH na população em geral e com o aumento da incidência observada em homens mais velhos.
Os investigadores também notaram uma redução no número de pessoas na casa dos 20 anos a referir a utilização do preservativo com parceiros ocasionais. Entre os jovens dos 20 aos 24 anos de idade, esta percentagem desceu de 74%, em 1997, para 51%, em 2005. No entanto, a utilização do preservativo entre os grupos etários mais avançados parecia estar a aumentar, com a proporção de pessoas com idades entre os 45 ou mais dizendo que utilizaram preservativo com parceiros ocasionais a subir dos 10% em 1997, para os 24% em 2005.
Embora a proporção de mulheres não casadas, grávidas, com idade entre os 15 e os 19 anos, tenha descido rapidamente entre 1990-98, esta tendência estabilizou depois de 1998.
A partir de 1997, os investigadores começaram a perguntar aos participantes com idade entre os 16-19 anos em que altura tinham tido a primeira experiência sexual, verificando-se um aumento constante até 2005. Outra questão colocada, desta feita, aos participantes entre os 15 e os 18 anos de idade, foi se estes já tinham tido alguma experiência sexual. Houve uma descida na proporção de homens jovens a responder afirmativamente, entre 1993 e 1997, mas um aumento, entre 1998 e 2000. Os investigadores observam que este aumento coincidiu com o período em que a incidência do VIH na coorte geral foi aumentando.
“A prevalência do VIH no Uganda já não está a descer e até está a começar a subir, pelo menos, em alguns grupos populacionais”, escrevem os investigadores, uma descoberta compatível com outros relatórios sobre a situação do Uganda. “Os factores que influenciam as tendências mais recentes da evolução da epidemia ainda não são claros, mas há indícios de que as mudanças observadas podem ser parcialmente explicadas pelo aumento de comportamentos sexuais de risco.”
Os investigadores concluem, “o Uganda tem sido muito bem sucedido em controlar a epidemia de VIH no … passado. Para fortalecer este sucesso, os esforços que estão a ser desenvolvidos para a prevenção do VIH precisam de voltar a ser reforçados, utilizando todas as estratégias conhecidas para reduzir a transmissão do VIH. “
Referência
Shafer LA et al. HIV prevalence and incidence no longer falling in southwest Uganda: evidence from a rural population cohort 1989-2005 AIDS 22: 1641-1649, 2008.
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