Se você é profissional do sexo, este texto é para você. Sem julgamento, sem rodeios — só informação de qualidade, porque você merece isso.
O que é a PrEP?
PrEP significa Profilaxia Pré-Exposição. Em palavras simples: é um medicamento que você toma antes de se expor ao HIV para evitar a infecção. Não é vacina, não é tratamento — é prevenção. E funciona. Quando tomada corretamente, a PrEP reduz o risco de contrair o HIV por via sexual em mais de 99%.
Por que profissionais do sexo precisam saber disso?
Segundo dados do Ministério da Saúde, a prevalência do HIV entre profissionais do sexo no Brasil é de cerca de 5% — o que representa um risco aproximadamente 10 vezes maior do que na população geral. Esse número não existe por acaso. Ele reflete exposição frequente, muitas vezes sem acesso adequado à prevenção, e uma série de barreiras que vão desde o preconceito nos serviços de saúde até a dificuldade de transporte para chegar a uma unidade de referência.
A boa notícia é que o SUS oferece a PrEP gratuitamente — e você tem direito a ela.
PrEP ou PEP: qual a diferença?
É uma dúvida muito comum, e vale esclarecer de vez.
A PrEP é tomada antes da exposição, de forma contínua e preventiva. Você toma todo dia, independentemente de ter tido ou não relação sexual. Já a PEP — Profilaxia Pós-Exposição — é usada depois de uma situação de risco, como uma relação desprotegida ou rompimento de camisinha. A PEP precisa ser iniciada em até 72 horas após a exposição e tomada por 28 dias.
Resumindo: a PrEP protege quem tem exposição frequente. A PEP é a segunda chance quando algo deu errado.
Gravidez, trabalho e vulnerabilidade: uma realidade que precisa ser dita

Existe uma situação que poucos falam, mas que acontece muito — e quem conhece a noite sabe disso de perto.
Há mulheres que têm um relacionamento estável com um cliente. Ele sabe que ela trabalha, mas acredita — ou prefere acreditar — que ela só sai com ele. Ela, por sua vez, construiu uma espécie de zona de conforto nessa relação. Quando ele não está, ela bebe com outros clientes, e na hora do programa some pela porta dos fundos. O cliente fica furioso, mas logo outra se aproxima e preenche o espaço. A vida segue.
O problema começa quando ela engravida. Ela acredita — talvez com razão, talvez não — que o filho é daquele cliente fixo, aquele que dizia que ela era diferente. Conta para ele. E ele some. Nega a paternidade, corta o contato, desaparece como se nunca tivesse existido.
E ela fica. Grávida, sozinha, sem renda garantida, precisando continuar trabalhando porque a necessidade não espera.
Grávida, ela pode se sentir menos atraente para outros clientes, mais dependente da bebida para garantir comissões, com menos controle sobre as condições de cada programa. Tudo isso aumenta a vulnerabilidade — tanto dela quanto do bebê que está gerando.
A prevenção aqui não é julgamento. É cuidado real, antes que essa história chegue a esse ponto.
O preservativo continua sendo o primeiro escudo — contra o HIV, contra outras ISTs que podem afetar gravemente a gestação, como sífilis e gonorreia. E a PrEP pode e deve ser discutida com o médico mesmo durante a gravidez, já que existem protocolos específicos para gestantes em situação de risco elevado.
Se você está grávida e trabalhando, procure uma unidade de saúde. O pré-natal é gratuito no SUS e nenhum profissional tem o direito de te tratar com menos respeito por causa da sua situação. Você e seu filho merecem proteção.
Como acessar pelo SUS
A PrEP está disponível gratuitamente em unidades de saúde credenciadas pelo Ministério da Saúde em todo o Brasil. Em dezembro de 2025, o Ministério lançou o guia “Ações extramuros”, justamente para levar PrEP e PEP para além das paredes dos serviços de saúde — chegando a praças, locais de sociabilidade e abrigos, com foco especial em profissionais do sexo e outras populações que enfrentam barreiras de acesso.
Para encontrar o serviço mais próximo de você, acesse: aids.gov.br ou ligue para o Disque Saúde: 136.
Estigma: o maior obstáculo ainda é esse
Saber que a PrEP existe é uma coisa. Conseguir acessá-la sem ser julgado é outra. Muitas pessoas relatam dificuldades nos serviços de saúde — olhares, perguntas desnecessárias, constrangimento. Isso é errado, é uma violação dos seus direitos e não deveria acontecer.
Você tem o direito de ser atendido com respeito e dignidade. Se um profissional de saúde te tratar com preconceito, você pode registrar uma reclamação na ouvidoria da unidade ou acionar o Conselho Regional de Medicina ou de Enfermagem.
Seu trabalho não define o quanto você merece cuidado. Você merece o melhor — sempre.
Um lembrete importante
A PrEP protege contra o HIV, mas não protege contra outras ISTs como sífilis, gonorreia e herpes. O uso de preservativo continua sendo recomendado, especialmente em combinação com a PrEP. Juntos, eles formam uma proteção muito mais completa.
Resumindo tudo
A PrEP é gratuita, está no SUS, funciona e foi feita para proteger pessoas como você. Se ainda não usa e tem exposição frequente ao HIV, converse com um profissional de saúde. E se sentir qualquer barreira no atendimento, não desista — procure outro serviço ou entre em contato com organizações de apoio a profissionais do sexo na sua cidade.
Você não está sozinho. E informação é a primeira forma de cuidado.
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