A sobrevida da AIDS

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O relatório divulgado ontem pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre a Aids traz boas notícias para a sociedade humana ao mostrar que, entre os anos 2000 e 2008, o número de pessoas contaminadas cresceu e o número de novas infecções caiu. A aparente contradição revela exatamente o sucesso do tratamento, que, com prevenção e medicamentos, está possibilitando sobrevida maior às pessoas doentes e, ao mesmo tempo, um número menor de novos infectados. Mesmo com boas notícias, a epidemia continua sendo um grave problema de saúde pública: há no planeta 33 milhões de pessoas infectadas com o vírus HIV, que a cada dia contabiliza 7,4 mil novos casos. Os números são eloquentes especialmente porque revelam que, desde a identificação da doença, há duas décadas, ela já provocou a morte de 25 milhões de pessoas. Trata-se, pois, de uma das mais severas epidemias a que a humanidade assistiu nos últimos séculos e que ainda não conseguiu deter com eficácia.

 

É importante, no desafio que a Aids representa para famílias, comunidades e sistemas de saúde, levar em conta os avanços até agora conseguidos e que, por seu acerto, mereçam ser imitados. Neste sentido, o Brasil tem figurado positivamente nos relatórios da ONU como exemplo de prevenção adequada e de política pública voltada para a universalização, com sucesso, dos chamados tratamentos antirretrovirais. No momento em que a preocupação das autoridades de saúde pública mundial se concentra na emergência da gripe A, que agora agride em especial os países do Hemisfério Norte, o problema da Aids não pode ser esquecido, desprezado ou minimizado. Há tendências que devem servir de alerta, como a que sugere uma espécie de feminilização crescente da doença, que hoje já atinge mulheres em quase metade dos novos infectados no mundo e já é um terço dos infectados no Brasil. Na faixa etária de 13 a 19 anos, a mais preocupante em nosso país, a proporção é de 10 casos de quadro de Aids em meninas para oito em meninos.

 

Vista no fim do século 20 como uma das pragas mais agressivas e sem cura, a síndrome de imunodeficiência adquirida é uma pandemia ainda ativa. Foi vista desde o início como “uma catástrofe humana, social e econômica de longo alcance para os indivíduos, as comunidades e os países”. A própria Organização Mundial da Saúde a considera uma enfermidade que pôs em destaque, de forma dramática, as disparidades e as desigualdades no acesso ao atendimento de saúde, às oportunidades econômicas e à proteção dos direitos humanos elementares.

 

O relatório ontem divulgado revela que a Aids ainda é um problema a ser enfrentado e que, sem a manutenção dos investimentos na assistência, nas pesquisas, na prevenção e no atendimento, os avanços conseguidos até agora podem sofrer retrocessos.

ZERO HORA –RS

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25/NOVEMBRO/09


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Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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