A terapêutica antirretroviral pode ser o factor de estabilização da epidemia de VIH entre os homossexuais dinamarqueses

0
897

red ribbon  A terapêutica antirretroviral pode ser o factor de estabilização da epidemia de VIH entre os homossexuais dinamarqueses lazy placeholder 

 

O uso do tratamento antirretroviral parece ter estabilizado a epidemia de VIH entre os homossexuais dinamarqueses, embora as práticas de sexo com risco tenham aumentado, de acordo com investigação publicada na edição online da revista Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes

“Embora as práticas menos seguras de sexo entre HSH (homens que têm sexo com homens) tenham aumentado substancialmente e o número de HSH que vivem com VIH na Dinamarca tenha crescido, a incidência de diagnósticos de infeção pelo VIH nesta população mantem-se estável há mais de uma década”, escrevem os autores. “As nossas conclusões indicam que este paradoxo se deve à eficácia da terapêutica antirretroviral e não a um aumento da consciência das práticas de sexo seguro.”

Os investigadores acreditam que a epidemia de VIH nos homossexuais dinamarqueses tem sido alimentada pelas pessoas não diagnosticadas e pelas pessoas que, apesar de já saberem que são seropositivas, ainda não estão sob terapêutica antirretroviral.

Existem um interesse crescente sobre o udo do tratamento como prevenção. Os estudos conduzidos entre heterossexuais mostram que o risco de transmissão do vírus é negligenciável se o doente está sob terapêutica antirretroviral e tem carga viral indetetável.

São escassos os dados que mostram que o impacto da terapêutica antirretroviral sobre a epidemia de VIH entre os homossexuais e outros homens que têm sexo com homens.

Contudo, os investigadores dinamarqueses colocam a hipótese de que a terapêutica antirretroviral está de facto a prevenir novas infeções entre os homossexuais. Analisaram três bases de dados para verificarem se tal era o caso. Estas fontes forneceram informação sobre: prevalência da infeção pelo VIH e o número de novos diagnósticos; os comportamentos de risco dos homossexuais; a incidência de sífilis.

Entre 1995 e 2000, verificou-se uma mediana de 93 novos diagnósticos de infeção pelo VIH entre os HSH por ano. Observou-se um declínio modesto dos novos casos no final da década de noventa, a que se seguiu um ligeiro aumento até 2005, quando o número de novos diagnósticos estabilizou.

Outros dados de vigilância mostraram que o número de infecções não diagnosticadas no país permaneceu sem alterações num número aproximado de 500 pessoas.

Durante o período do estudo, verificou-se um aumento de 65% no número de homossexuais vivos infectados pelo VIH a viver na Dinamarca, de 1035 em 1995 para 1813 em 2010.

No mesmo período, o número de homossexuais seropositivos com carga viral acima de 400 cópias/ml desceu de 1035 para 262.

Os investigadores calcularam que a incidência de infecção pelo VIH nos homossexuais (Cohort Community Reproductive Rate, ou CCRR) era de 0,099 em 1995. Esta desceu regularmente durante os finais da década de 90 e estabilizou em 0,071 a partir de 2005.

A descida da incidência de VIH acompanhou-se do aumento na proporção de homens seropositivos com supressão viral.

Parece aparente que esta estabilização da epidemia é sobretudo devida à terapêutica antirretroviral e não a alterações do comportamento sexual.

Os dados do inquérito anual sobre a vida sexual mostram que ano após ano existe um aumento de sexo desprotegido. Os inquiridos reportam aumento no número de parceiros com os quais tiveram sexo anal (p <0,01), aumento da frequência de sexo anal não protegido (p <0,01) e no número de parceiros com estatuto serológico para o VIH desconhecido (p <0,01).

Os homens com infecção pelo VIH referiram significativamente mais comportamentos sexuais de risco que os homens seronegativos.

Os dados de vigilância de sífilis sugerem que os homossexuais têm mais sexo desprotegido. O número anual de diagnósticos aumentou de 2 em 1995 para 208 em 2009.

“O presente estudo sugere que a implementação com sucesso da HART (terapêutica antirretroviral altamente eficaz) teve um impacto fundamental na incidência de infecção pelo VIH entre os HSH,” comentam os investigadores.

Os autores acreditam que existem duas fontes para as novas infecções: os doentes diagnosticados que ainda não estão sob terapêutica antirretroviral e um conjunto constante de cerca de 500 infecções não diagnosticadas.

“Modelos anteriores têm sugerindo que existe provavelmente um ponto de equilíbrio no qual níveis de comportamentos sexuais de risco por parte de um número elevado de HSH não diagnosticados ou sem tratamento antirretroviral é compensado pelo efeito do diagnóstico regular/precoce da infecção pelo VIH…e o subsequente tratamento das pessoas infectadas pelo VIH,” referem os investigadores. Este ponto parece ter sido atingido entre os HSH na Dinamarca no início dos anos 2000.”

Concluem assim, que “as medidas adicionais para diminuir o conjunto de HSH que estão em risco de transmitir a infecção pelo VIH deveriam focar-se tanto no início precoce do tratamento antirretroviral como na generalização do rastreio, especialmente para os HSH com comportamentos de risco”.

Referência

Cowan SA et al. Stable incidence of HIV diagnoses among Danish MSM despite increased engagement in unsafe sex. J Acquir Immune Defic Syndr, online edition. DOI: 10. 1097/QAI.0b013e31825af90, 2012.

Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Artigo anteriorCientistas questionam cura do soropositivo ‘paciente de Berlim
Próximo artigoApenas mil pessoas se tratam de hepatite C no HC em Uberaba
Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
🌟 25 Anos de História e Dedicação! 🌟 Há mais de duas décadas, compartilho experiências, aprendizados e insights neste espaço que foi crescendo com o tempo. São 24 anos de dedicação, trazendo histórias da noite, reflexões e tudo o que pulsa no coração e na mente. Manter essa trajetória viva e acessível a todos sempre foi uma paixão, e agora, com a migração para o WordPress, estou dando um passo importante para manter esse legado digital acessível e atual. Se meu trabalho trouxe alguma inspiração, riso, ou reflexão para você, convido a fazer parte desta jornada! 🌈 Qualquer doação é bem-vinda para manter este espaço no ar, evoluindo sempre. Se VC quer falar comigo, faça um PIX de R$ 30,00 para solidariedade@soropositivo.org Eu não checo este e-mail. Vejo apenas se há recibos deste valor. Sou forçado a isso porque vivo de uma aposentadoria por invalidez e "simplesmente pedir" não resolve. É preciso que seja assim., Mande o recibo, sem whats e conversaremos por um mês

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.