por ELISABETE SILVAHoje
ONU refere que Portugal é o país da Europa ocidental com mais novos casos. Margarida Martins acusa Estado de falhar na prevenção
Portugal é o país da Europa ocidental e central com mais novos casos de infecção pelo VIH, segundo o relatório anual da ONUsida e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Esta situação não surpreende Margarida Martins, da associação Abraço, que acusa o Governo de não apostar no apoio à prevenção, alertando ainda que “o sexo de homens com homens não pode ser a única preocupação”.
A Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida destaca que o maior aumento de casos está a verificar-se na transmissão sexual entre heterossexuais, ainda que os utilizadores de droga por via endovenosa continuem a liderar (cerca de 42,5% das notificações contra 40% de heterossexuais e 12,3 de transmissão sexual entre homossexuais masculinos).
“A política do Governo tem de ser diferente. A preocupação com a sida não pode estar apenas centrada no Ministério da Saúde. Todos os ministérios devem trabalhar em conjunto a pensar na prevenção. Esta tem de ser feita nas escolas, por exemplo, mas as entidades patronais de empresas também devem preocupar-se”, realça ao DN Margarida Martins.
Para a responsável pela associação Abraço, “não se pode fazer apenas um grande alarido no Dia Mundial de Luta contra a Sida” (1 de Dezembro) e nada mais ser feito durante todo o ano. “Não há dinheiro para fazer campanhas e assim a televisão – que deveria ser o principal meio para transmitir a mensagem – não vai passar nenhuma informação”, alerta.
Relativamente ao relatório da ONUsida e da OMS, os dados referem-se a casos notificados e não diagnosticados, isto é, os profissionais de saúde podem não ter notificado no momento do diagnóstico. Fonte oficial da Coordenação Nacional para a Infecção VIH/sida explica que há situações em que a informação é dada um ou dois anos depois do diagnóstico e, por vezes, só quando o doente desenvolve sida.
O estudo salienta igualmente que na América do Norte e na Europa central e ocidental o contágio se verifica em maior número nas populações de risco mais elevado, como homossexuais, utilizadores de drogas injectáveis e imigrantes. É aqui que se destacam os Estados Unidos e Portugal.
No que diz respeito a novos diagnósticos, um relatório da HIV/AIDS Surveillance in Europe 2007 da OMS e do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças refere que Portugal tem uma taxa por um milhão de habitantes de 84,3, contra 126,8 do Reino Unido. Na Europa do Leste, Letónia (153,8) e Estónia (471,8) somam ainda mais casos.
Segundo este mesmo relatório, as novas infecções em Portugal estão a diminuir. Em 2007 registaram-se 894 casos, um ano antes o número era de 1510, menos 63 situações que em 2005. Em 2004 houve 1764 novos casos.
O último relatório do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge refere que a 31 de Dezembro de 2008 estavam notificados em Portugal 34 888 casos de VIH/sida.
DN PORTUGAL |
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25/NOVEMBRO/09 |
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