A vacina contra gripe na rede privada de saúde se esgotou. No Distrito Federal, restavam, até a tarde de ontem, apenas cinco doses disponíveis nas clínicas particulares. No resto do país, a situação não é diferente. Principalmente na região sul, onde o subtipo H1N1 da influenza infectou e matou mais pessoas, não existem unidades à venda. Além disso, os laboratórios que trouxeram os lotes para o Brasil não têm previsão para refazer os estoques. As informações são da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM). A corrida pelos lotes aconteceu por causa do aumento de casos e mortes – até o momento nenhuma pessoa teve a doença confirmada no DF. Mesmo assim, autoridades e especialistas no assunto alertam para que a população não entre em pânico porque não há mais risco de que a pandemia de 2009 se repita este ano. O presidente da SBIM, Renato Kfouri, defende que, por estar na sua terceira temporada de vacinação, o H1N1 não tem mais o mesmo potencial pandêmico daquele ano. “Não existe apenas a proteção individual, mas também a coletiva. Quanto mais pessoas vacinadas, menor a chance de circulação do vírus na cidade”, explica. Ele lembra que na campanha monovalente de 2010, específica para esse subtipo, 89 milhões de pessoas se vacinaram – número menor apenas que o da China. Nesse sentido, mesmo aqueles que não receberam os anticorpos estão mais preservados. Além disso, pelo menos 30% da população brasileira já teve contato com o vírus. “Mas é preciso entender que a influenza tem potencial de evoluir para uma doença grave. Leva à hospitalização e à morte e isso vai continuar acontecendo. É necessário revacinar todos os anos porque, por mais que a população já tenha uma memória de proteção, essa não é uma vacina de longo prazo”, explica Kfouri. No Distrito Federal, a presidente da regional da entidade, Cláudia Valente, conta que as doses acabaram mais cedo que o esperado. “Como tivemos esse aumento de casos, a procura foi bem maior. A vacina chega em março e costuma durar até setembro. Existe a promessa de que até a semana que vem um dos laboratórios traga um novo lote, mas não é nada concreto”, diz. Apesar de não estar informada sobre o aumento do número de casos da doença, desde a pandemia de 2009, a servidora pública Thaís Cavalcanti de Assis, 51 anos, e a família se vacinam todos os anos. “Eu já tomei. Agora estou procurando para meu filho. Como existe um calendário de vacinação, procuro manter em dia.”, conta. No entanto, ela vai precisar verificar se o órgão para o qual trabalha disponibiliza doses para dependentes. Ao contrário de Thaís, muitas pessoas se preocupam mais com a circulação da vírus H1N1. Os professores Adriana Maria Ricci, 36 anos, e Wagner Ricci, 46, procuraram a clínica de vacinas para dar as doses previstas no calendário da filha Alice, 4 meses. Aproveitaram para atualizar o da filha mais velha, Juliana, 9 anos, com a vacina de Hepatite A. Wagner havia se imunizado na rede pública de saúde. Na visita de rotina, pediram também as doses contra a gripe para Adriana e Juliana. “Tomei naquela época do surto e depois não tomei mais. Brasileiro só acorda quando tem crise. Agora que existe o risco de agravamento da situação, vamos vacinar a família toda”, diz Adriana. O receio chegou mesmo sem a confirmação de casos no DF. “Não quero ser o primeiro”, assegura Wagner. Ele diz ainda que não concorda com a definição de um grupo de risco para ser vacinado na rede pública. “A maioria das pessoas fica suscetível a uma doença que mata. Sem contar que eu posso manter meus hábitos de higiene, mas se meu vizinho não o fizer, também vou ser afetado”, analisa. Vacinar 190 milhões de habitantes exigiria a montagem de uma logística imensa e a disponibilização de uma verba muito maior. Por isso, a rede pública de saúde determina um conjunto de pessoas que tem prioridade. A explicação é do médico epidemiologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB) José Evoide de Moura. “A vacina beneficia qualquer pessoa que a tome, com maior ou menor grau de eficácia. Mas uma pessoa com cardiopatia vai ter muito mais benefícios do que um jovem de cerca de 30 anos, saudável. Além disso, não deixa de ser um medicamento e, portanto, não é inócuo”, detalha o médico. Dentro do público-alvo, mais de 80% das pessoas foram vacinadas no país, ou mais de 24,12 milhões, pelo Sistema Público de Saúde (SUS). Aumento do número de casos Em comparação com o ano passado, os casos cresceram 77% – em 2011, ocorreram 181 e, neste ano, foram 790. Um morador de Águas Lindas de Goiás foi diagnosticado com a gripe suína (H1N1). Além dele, a Secretaria de Saúde do DF analisa os exames laboratoriais de 26 pessoas que têm sintomas semelhantes aos da doença. O pior quadro é em Santa Catarina, onde 45 pessoas já morreram, o que significa 41% do total do país, que tem 85 óbitos. Prevenção » Lavar as mãos várias vezes ao dia ou usar álcool em gel a 71% ,retirando acessórios como anéis » Evitar tocar a face com as mãos e proteger a tosse e o espirro com lenço descartável » Procurar um serviço de saúde caso apresente a síndrome gripal, definida pelo surgimento, simultaneamente, de febre de início súbito, tosse ou dor na garganta, dor de cabeça, dor nos músculos ou dor nas articulações » Não divida objetos de uso pessoal, como toalhas de banho, talheres e copos.
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CORREIO BRAZILIENSE – DF | CIDADES
DST, AIDS E HEPATITES VIRAIS
07/07/2012
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