AIDS: Na cidade pequena e na família

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Estudo mostra que doença passou a fazer parte de uniões estáveis e chega ao interior dos estados, o que era incomum

Santa Catarina registrou o primeiro caso de AIDS em 1984. Era um homem, 34 anos, HOMOSSEXUAL, que vivia fora do Estado e voltou para perto da família, em Chapecó. Nestes 26 anos, o perfil do contaminado mudou. Antes, estavam no topo das pesquisas homossexuais, profissionais do sexo e usuários de drogas injetáveis. A maioria vivia em grandes cidades, principalmente no litoral.

Atualmente, é grande a incidência do vírus entre homens e mulheres heterossexuais que não usam drogas e mantêm relações estáveis. Uma mudança radical de perfil. Neste ano, dois municípios tiveram notificados casos de AIDS pela primeira vez. Localizados no Alto Vale do Itajaí e Extremo-Oeste, Mirim Doce e Riqueza entraram para o mapa das 251 entre as 293 cidades catarinenses com registros da doença.

É o que os técnicos chamam de interiorização da epidemia, um retrato do que ocorre no país. Santa Catarina tem, até o momento, 23.162 casos notificados de AIDS, e, a cada ano, novos casos e infecções associadas são diagnosticados.

– Existem tratamentos eficazes para a AIDS, mas não há cura. A população precisa se conscientizar que a AIDS não tem cara – observa Iraci Batista Silva, gerente de Vigilância das DSTS/HIV/AIDS da Vigilância Epidemiológica.

Entre 1986 e 1989, a taxa média de letalidade era de 29% entre os casos registrados da doença. Em 1994, o maior índice apresentado até os dias atuais: 51,5%. A média entre os anos de 1986 e 2009 é de 36,9%.

Na faixa etária do adulto jovem, segundo dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), a AIDS figura entre as principais causas de mortalidade, tendo sido a maior causa de morte das mulheres na faixa etária de 20 a 49 anos no período de 1996 a 2009. Supera, inclusive, os óbitos por câncer de mama.

Para Iraci, intensificar a prevenção é a chave para combater o vírus, através de intervenções específicas na área da saúde e intervenções sociais. Garantir o acesso das pessoas à prevenção, ao tratamento e aos serviços de apoio, bem como melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV/AIDS é fundamental para o controle da doença.

– Hoje, AIDS não é uma sentença de morte. Com medicação e tratamento correto, a pessoa contaminada pode viver muitos anos. Além disso, apesar de todas as pesquisas, não existe nada que aponte para a cura dentro de um breve espaço de tempo – disse Iraci.

A respeito da interiorizarão da epidemia, as previsões não são boas:

– Vai chegar um tempo em que todos os municípios terão a doença. O problema vai avançar – diz a coordenadora das DSTS/HIV/AIDS.

A presença da doença em pequenos municípios tem explicações. Uma delas é a constante movimentação entre as regiões.

– Este vaivém coloca pessoas em contato. No Oeste do Estado, observa, há um grande número de profissionais caminhoneiros. A cultura masculina leva à “compra de sexo”, muitas vezes sem proteção. Por isso, temos casos de mulheres com um único parceiro contaminadas – explica Iraci.

angela.bastos@diario.com.br

ÂNGELA BASTOS

 

DIÁRIO CATARINENSE – SC | GERAL

255.000 Não sabem que estão infectados


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Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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