Hoje é Terça-Feira, 19 de Novembro, e é um “feriado prolongado” que só consegue “existir” no Brasil e este é o quinto dia “enforcado”, uma prática quase que alienígena.
Mas eu estou aqui, olhando aquilo que eu chamaria de “meus alfarrábios”, e encontrei este texto, de origem antiga, que retrata um quadro #exatamente igual ao de 2012#.
Em síntese, gente literalmente ensandecida, crendo que, digamos, a AIDS tem tratamento e, então, está “tudo em casa”.
O C****** PODE ESTAR EM CASA! Esta é uma doença grave e se você souber as coisas que ela pode acarretar, voce passaria a milhas náuticas distante dela.
Eu diria que sim, muitos, aqui em Sampa, estarão em casa, lá na Casa da AIDS, se tratando contra uma doença “crônica” progressiva, degenerativa e incurável, cujo tratamento evita que a Infecção por HIV evolua para AIDS,
AIDS que, segundo Uma das melhores infectologistas que eu já tive nestes quase 25 anos de vida com HIV, é a pontinha do ICEBERG de tudo o que passa a ocorrer em nossos corpos, depois que o HIV se estabelece nele (…).
As pessoas tem vivido uma espécie de ilusão sobre a “gerenciabilidade da Vida com AIDS no Brasil”.
Eu, Cláudio souza, responsabilizo, em uma primeira análise, todos os governantes do País e dos Estados, bem como o de todas as prefeituras do País. Não se vê, exceto dentro de “estabelecimentos de cuidados à saúde”, nem um só aviso sobre a AIDs.
Sem julgamentos.
Meses e meses atrás, uma pessoa me procurou pelo Whats App (ele está disponível para todos entre as 13:30 e as 21:00) que me disse estar “desolado”.
A fala dele, eu me recordo penalizado, era a fala de uma pessoa que, num repente, descobriu que “as coisas não eram bem assim”.
E, com efeito, não são.
Viver com HIV
Vont’ AIDS e A AIDS no Brasil
Era um jovem. E eu notava em suas palavras algo de dor e desespero. Ele me disse:
-“Tenho 29 anos e me descobri soropositivo!’ E eu me lembrei, imediatamente do blog do Jovem Soropositivo e o trabalho que ele faz. Eu, réu confesso, não gosto muito da política editorial dele e, eu me lembro de ter lido uma mensagem de uma pessoa que o considera “confiante”.
Eu não levarei este assunto adiante. O que eu me lembro é desta pessoa, que teve um comportamento de risco no nível de kamikases, dizendo que ele, e seus amigos (!!!!!!!) viviam sob o axioma de ser melhor morrer de AIDS do que de *&**Vont’Aids**&*.
E, agora, dizia ele, havia o desespero. O medo de perder o emprego, o medo de perder a namorada; o medo de ter transmitido o HIV para a namorada e, neste segundo, eu me lembrei de uma pessoa que está sempre em contato comigo e vive, neste momento, o triste pavor de suportar o tempo da janela imunológica e o delírio paranóico dos sintomas. E por mais que eu de a ela o link desta matéria: do El Pais, em portugues, nada resolve a equação da somatização dos sintomas.
Pesquisadores negam que AIDS já seja batalha vencida…. A AIDS no Brasil: Epidemia Silenciosa
No mês passado, foi lançado o manifesto O que nos tira o sono, assinado por 54 docentes, pesquisadores e ativistas da sociedade civil, sobre a presença de uma epidemia relativa de AIDS no Brasil. O documento faz referência à declaração de dirigentes do Ministério da Saúde do País, durante a 19ª edição da Conferência Internacional de AIDS, realizada no mês de julho, em Washington (Estados Unidos), em que afirmaram que no Brasil, nada em relação à AIDS tira o sono deles, considerando que o problema está controlado no País.
Um dos responsáveis pelo documento é o professor Ivan França Junior, chefe do Departamento de Saúde Materno-Infantil, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. Em entrevista recente à Rádio CBN, ele já havia afirmado a opinião de que existe uma resposta inadequada aos casos da doença por parte dos programas de tratamento, nas esferas federal, estaduais e municipais, pois eles apresentam defasagem.
A AIDS no Brasil Campeando e Grassando silenciosamente
Também membro do Núcleo de Estudos para a Prevenção da AIDS (NepAIDS), que funciona na USP há mais de 20 anos, o professor conta os fatores que levaram à criação do manifesto. Primeiramente, já havia 22 anos desde a última conferência como esta nos Estados Unidos, por causa da proibição da entrada de pessoas portadoras do vírus HIV no país. Mas o que chamou mais atenção foi a interpretação apenas parcial, por parte do Ministério da Saúde, dos dados que vem sendo obtidos.
Em nota divulgada à imprensa em resposta ao Manifesto, o Ministério argumenta que tem investido na ampliação do diagnóstico precoce do vírus da AIDS. Em sete anos, o número de testes rápidos anti-HIV distribuídos aos serviços de saúde em todo o país mais que dobrou. Passou de 528 mil unidades, em 2005, para 1,2 milhão, de janeiro a junho de 2012, diz o relato, acrescentando que o investimento na atenção à saúde de quem vive com HIV/AIDS se reflete na estabilidade da média de notificação de casos da doença. Em 2010 foram notificados 34 mil casos novos de AIDS no Brasil (com taxa de incidência de 17,9 casos por 100 mil habitantes). Há sete anos (2005), a notificação era de 33 mil novos casos, com taxa de incidência de 18 casos por 100 mil habitantes. Mesmo assim, o órgão reconhece que ainda há vários desafios a superar. (Leia nesta página a nota na íntegra).
Análise
Desde 2001, é apresentado pelo Governo Federal um boletim epidemiológico anual (disponível na página eletrônica do Programa), em que são mostradas informações, por exemplo, de coeficiente de casos de AIDS, de óbitos decorrentes da doença, entre outros. Esses dados são filtrados por critérios como região do país, sexo, faixa etária e raça da população, e são exatamente estes filtros que podem, na opinião de França Júnior, gerar uma sensação imprecisa de situação de controle, conforme a figura abaixo:
Coeficiente padronizado de mortalidade por AIDS (por 100.000 hab.) por região de residência e ano do óbito. Brasil, 2000 a 2010 | Imagem: Ministério da Saúde
O pesquisador explica como os dados foram analisados. De fato, este gráfico de coeficiente de mortalidade por ano e região, mostra que desde o ano 2000, houve uma ligeira queda no número de óbitos por AIDS no Brasil, a cada 100 mil habitantes de quase 6,5 para menos de 6. A falha está justamente em não percebermos que se trata de um coeficiente, ou seja, os números são diretamente ligados à quantidade de habitantes do país. Como podemos perceber, a região que puxa para baixo o índice é a Sudeste, que de longe é mais populosa do Brasil. Nas demais regiões, há estabilidade no Centro-Oeste, mas aumento dos óbitos no Sul, Nordeste e também no Norte, onde o índice praticamente dobrou. É o que chamamos de uma epidemia silenciosa.
Segundo o especialista, houve importantes adesões ao manifesto. Além dos ativistas da sociedade civil, dos estudiosos e profissionais da saúde, também assinaram o documento várias associações e ONGs.
Do contágio ao tratamento
França Júnior comenta que diversas áreas de estudo estão presentes no NepAIDS. Temos os professores da USP Alessandro Santos e Vera Paiva, do IP [Instituto de Psicologia], Aluísio Segurado e José Ricardo Ayres, da FMUSP [Faculdade de Medicina], Gustavo Venturi, da FFLCH [Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas], além de Cássia Maria Buchalla e eu, da FSP.
Por conta desta variedade, são desenvolvidas pesquisas a respeito de todos os estágios da doença, desde a prevenção, para que não haja transmissão do vírus, até os momentos de suspeitas, negação de testes, descoberta da doença e início e sequência de tratamentos. O que buscamos principalmente é esclarecer os aspectos psico-sociais da AIDS no país. Ainda é muito complicado para um indivíduo que teme ter sido contaminado admitir este risco, procurar ajuda, suportar os vários momentos difíceis que se seguem, esclarece o professor.
Ainda é muito complicado para um indivíduo que teme
ter sido contaminado admitir este risco, procurar ajuda,
suportar os vários momentos difíceis que se seguem.
Apesar destas dificuldades, o docente revela que comumente há boa aceitação das pessoas para participarem deste estudos. O brasileiro é um povo receptivo, solidário, mas infelizmente outra causa para eles aceitarem conversar conosco é o modo como são vistos pelo resto da sociedade. Existe ainda muita discriminação e estigmatização de soropositivos [portadores do vírus HIV], sobretudo profissionais do sexo, homossexuais, que se sentem envergonhados e humilhados perante os demais, e muitas vezes escondem sua situação.
Os pesquisadores e alunos que ingressam no NepAIDS recebem treinamento para lidarem com os indivíduos, além de realizarem reuniões posteriores à divulgação dos resultados finais, para debater outras maneiras de melhorar e facilitar o contato, ainda mais por conta dos temas delicados que o grupo aborda, como sexualidade, uso de drogas, orfandade o que, de acordo com o especialista, inibe um pouco mais a população mais jovem.
Perspectiva para o futuro
Atualmente, segundo o professor, não é possível afirmar que a AIDS está próxima da erradicação, no Brasil ou em qualquer parte do mundo. França Júnior afirma, porém, que é possível pensar em impedir completamente a transmissão do vírus. Já existem diferentes métodos para se impossibilitar a transmissão, como o conhecido uso do preservativo, mas também por controle sanguíneo e tratamento de carga viral, por exemplo.
O professor ressalta a importância do trabalho das universidades como um todo. Se estes trabalhos ocorrerem no sentido de identificar os maiores focos do problema, e os governos direcionarem o investimento, poderemos interromper a difusão do HIV, e a partir de 50, 60 anos [expectativa de vida de um soropositivo, se tratado precocemente] depois, acabar de vez com a AIDS.
Fonte: USP
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