24/10/2009 15:00
Da Redação
Agência Pará
Alunos do ProJovem Urbano em Marituba realizaram na última sexta-feira (23) a primeira Feira Cultural da turma. O evento, em parceria com os professores de todas as disciplinas do programa, tem como diretriz a participação cidadã, disciplina da professora Mariana Monteiro.
“A feira é uma mostra de resultados de programas que os alunos desenvolveram em sala de aula para que sejam executados no município. São programas de educação no trânsito, de prevenção de DTS/Aids, entre outros, que eles mesmos desenvolvem a partir da participação cidadã”, explica a professora, enfatizando que os planos são apresentados à comundiade.
O ProJovem Urbano dá a oportunidade para jovens entre 18 e 29 anos que se afastaram da escola de voltar à sala de aula e concluir o ensino fundamental. Em 18 meses, eles concluem o curso e recebem uma ajuda de custo de R$ 100 por mês para permanecerem estudando.
Emerson Rodrigues da Silva Brito, 19, diz que, se não fosse o programa e sua força de vontade, ele dificilmente voltaria a estudar. “Eu tive que parar de trabalhar porque, de outra forma, eu não conseguiria concluir o curso. Para mim, foi muito bom; eu estava trabalhando de pedreiro quando uma assistente social veio me perguntar se que queria voltar a estudar. Achei ótimo porque já tava querendo mesmo”, disse ele.
Para Adriana Maia dos Reis Souza, 24, o ProJovem foi uma oportunidade única. Ela parou de estudar na 7ª serie, quando engravidou de gêmeos. Quando soube do programa, ficou entusiasmada, mas enfrentou alguma resistência do marido, que acabou cedendo. “Hoje quando tem culto na igreja, ele leva um dos meninos para lá e eu levo o outro para a sala de aula. Quando não tem culto, ele fica com os dois em casa. Felizmente, ele me apoiou”, disse.
No caso de Odeise Araújo, 29, ela só pôde voltar para a sala de aula porque estava solteira. Os dois companheiros que teve até então a proibiram de trabalhar ou estudar. “Tenho dois filhos e é muito ruim depender de homem; por isso, quero estudar e conseguir coisa melhor na vida”, contou a jovem, que trabalha como serviços gerais em uma escola de Marituba.
Jocilma Silva Amorim, 27, veio do interior do Maranhão para o Pará, a fim de trabalhar em casa de família. Com dois filhos, de 9 e de 4 anos, ela também não teria outra oportunidade de voltar para a escola. “Eu soube do curso num cartaz na van quando vinha da casa da minha mãe, lá no Che Guevara. Minha família me ajuda ficando com as crianças quando eu tenho aula”, relatou, emocionada.
Além das maquetes e dos programas, a feira contou com apresentação teatral, canto coral e grupo de Hip Hop, que se apresentaram no salão “Menino Deus”, em frente à Praça Matriz. Marituba tem 392 jovens matriculados no programa.
Elielton Amador – Secom
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