“Bactéria que ataca gays é falso alarde”

0
85

,

Época Online

Editoria: Pág.

Dia / Mês/Ano:

 

 

18/JANEIRO/08

17/01/2008 – 22:44

 

Para infectologista David Uip, há muito alarde e pouca informação relacionada à pesquisa que identificou uma superbactéria que se alastraria pela comunidade gay

Segundo estudo publicado na revista especializada Annals of Internal Medicine, uma variante resistente da bactéria Staphylococcus aureus oxacilina (MRSA, na sigla em inglês) está se espalhando rapidamente entre a comunidade homossexual das cidades de São Francisco e Boston, nos Estados Unidos. Segundo a pesquisa, a bactéria é altamente resistente aos tratamentos com antibióticos e é transmitida por sexo anal e contato com a pele ou com superfícies contaminadas.

O infectologista David Uip, diretor do Instituto do Coração (Incor), afirma que o estudo traz apenas uma novidade: a bactéria, antes restrita aos hospitais, passou a circular entre a população. Apesar disso, o alarde em torno da pesquisa, segundo o especialista, é desproporcional em relação à sua importância para a saúde pública. “Essa bactéria não representa um risco maior do que o que sempre existiu com o surgimento de variedades de bactérias resistentes a antibióticos”, afirma.

De acordo com Uip, o fato de o estudo ter sido diretamente relacionado à comunidade gay, citando um aumento de pessoas contaminadas em São Francisco – sobretudo no distrito de Castro, onde um em cada 588 habitantes estaria infectado com a bactéria – pode causar desinformação e preconceito. Comparar a nova superbactéria com o vírus HIV, causador da Aids, que se alastrou primeiro entre os homossexuais americanos, é um grave equívoco. “Estou muito assustado com os alarmes que estão sendo feitos. É preciso tomar cuidado para não causar pânico na população”.

A saída de uma bactéria resistente do ambiente hospitalar para as ruas é algo que ocorre há pelo menos dez anos. “O microorganismo sai do hospital por meio de pessoas que vão fazer visitas a outras pessoas contaminadas. Às vezes é um circulante de centro cirúrgico, às vezes é um médico. Esse indivíduo, o ‘carregador-assintomático’, não tem a doença e leva para casa a bactéria“, explica.

A principal causa para o desenvolvimento de bactérias resistentes, de acordo com Uip, é a auto-medicação. “Não precisa ir aos Estados Unidos para ver o que está acontecendo: as pessoas usam antibióticos irregularmente. Cada um se auto-receita em doses, intervalos e tempos de duração que tiram da própria cabeça”, diz.

Há motivos de preocupação muito maiores do que o MRSA USA300 tanto para a comunidade médica quanto para a população. “Hoje estamos enfrentando um problema seriíssimo nos hospitais, com bactérias resistentes a todos os antibióticos disponíveis”, diz Uip. Isso significa que há bactérias que não são curadas nem com os dois antibióticos de ponta que conseguem tratar o MRSAUSA300. “Às vezes você faz o diagnóstico, identifica a bactéria, tem o padrão de sensibilidade, mas não tem o remédio para dar”. Nesses casos, a única possibilidade de tratamento é controlar algumas conseqüências da infecção.


Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Artigo anteriorVírus recém-descoberto é responsável por câncer de pele raro
Próximo artigoBrasil consegue patente de anti-RETROVIRAL DDI
Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
🌟 25 Anos de História e Dedicação! 🌟 Há mais de duas décadas, compartilho experiências, aprendizados e insights neste espaço que foi crescendo com o tempo. São 24 anos de dedicação, trazendo histórias da noite, reflexões e tudo o que pulsa no coração e na mente. Manter essa trajetória viva e acessível a todos sempre foi uma paixão, e agora, com a migração para o WordPress, estou dando um passo importante para manter esse legado digital acessível e atual. Se meu trabalho trouxe alguma inspiração, riso, ou reflexão para você, convido a fazer parte desta jornada! 🌈 Qualquer doação é bem-vinda para manter este espaço no ar, evoluindo sempre. Se VC quer falar comigo, faça um PIX de R$ 30,00 para solidariedade@soropositivo.org Eu não checo este e-mail. Vejo apenas se há recibos deste valor. Sou forçado a isso porque vivo de uma aposentadoria por invalidez e "simplesmente pedir" não resolve. É preciso que seja assim., Mande o recibo, sem whats e conversaremos por um mês

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.