Nota do Editor de Soropositivo Web Site Em quase 20 anos editorando este site, esta é, com certeza, a primeira vez que publico um texto que fala sobre transmissão do HIV em lésbicas. Sem sombra de dúvidas a possibilidade existe, mas é preciso um fator específico para isso acontecer e, pelo visto, é muito difícil esta “conjunção astral”. Em todo o caso, fica a dica. Sexo seguro sempre
Caso raro de transmissão de HIV em lésbicas é relatado nos Estados Unidos

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Um caso extremamente raro de transmissão sexual do HIV em lésbicas, foi relatado nos Estados Unidos. O relatório se refere a uma mulher de 46 anos que parece ter contraído o HIV durante uma relação monógama sexual serodiscordante de 6 meses com uma mulher de 43 anos. A mulher diagnosticada recentemente não tinha outros fatores de risco para o HIV e uma análise filogenética revelou que os vírus que as duas mulheres carregam estão intimamente relacionados. O caso está relatado na edição de 14 de Março do Relatório Semanal de Morbidez e Mortalidade.
“Este relatório descreve um provável caso de transmissão de HIV em lésbicas”, comenta o autor. “Outros fatores de risco para a transmissão do HIV não foram relatados pelas mulheres recentemente infetadas e os vírus que estão infectando as duas eram praticamente idênticos”.
Casos confirmados de transmissão de HIV de mulher para mulher através do contato sexual são extremamente raros. Entretanto, possíveis modos de transmissão de mulher para mulher durante o sexo incluem exposição aos fluídos vaginais ou outros fluídos corporais, o sangue da menstruação, ou sangue presente em danos causados por práticas sexuais mais agressivas. Um exemplo raro de transmissão sexual de mulher para mulher foi relatado há mais de dez anos atrás e foi atribuído a partilha de brinquedos sexuais.
O último caso foi relatado aos Centros Americanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) em Agosto de 2012. A mulher que adquiriu HIV vendia plasma regularmente para complementar sua renda e tinha um quadro negativo de anticorpos HIV quando doava plasma em Março de 2012. Um pouco depois, ele se apresentou ao departamento de emergências com dor de garganta, febre, vômitos, falta de apetite, tosse seca, diarréia e câimbras musculares. Estes podem ser sintomas de uma doença de seroconversão em HIV e a mulher passou por um teste de anticorpos HIV, mas este deu negativo.
Entretanto, 18 dias depois, uma tentativa da paciente de doar plasma foi recusada porque foram detectados anticorpos HIV. A repetição do teste confirmou que a mulher tinha HIV.
É altamente provável que a fonte de infecção da mulher tenha sido sua companheira, que tinha sido diagnosticada com HIV em 2008. A companheira dela tinha começado a terapia antiretroviral em Fevereiro de 2009, mas parou em Novembro de 2010, largando os cuidados com o HIV em Janeiro de 2011.
A mulher recentemente diagnosticada não tinha outros fatores de risco recentes ao HIV. Nem foram identificados nenhum em seu passado. Ela tinha um histórico de relações sexuais heterossexuais, mas não nos dez anos antes de adquirir o HIV.
Três parceiras sexuais durante os três anos anteriores também foram relatadas, mas a mulher não tinha histórico de injetar drogas ou outros modos mais incomuns de transmissão do HIV tais como tatuar-se, acupuntura, transfusão ou transplante.
O fato de que sua companheira sexual atual era a provável causa de sua infecção por HIV foi confirmado através de uma técnica chamada análise filogenética, que mostrou que as seqüências genéticas dos vírus infectando as mulheres eram altamente relacionadas.
O casal relatou ter contato oral e vaginal sem proteção rotineiramente e usar brinquedos sexuais de inserção que eram partilhados entre si, mas não eram partilhados com outras pessoas. Elas descreveram que seu contato sexual às vezes era agressivo ao ponto de induzir o sangramento nas duas mulheres. Elas também relataram fazer sexo sem proteção durante seus ciclos menstruais.
“Este relatório descreve a provável transmissão do HIV-1 de mulher para mulher apoiado por uma análise filogenética em mulheres que fazem sexo com outras mulheres [casais WSW, em inglês] que fizeram sexo sem proteção durante um relacionamento monógamo de 6 meses”, concluem os autores. “Embora raros, a transmissão de HIV entre casais WSW pode ocorrer. Todas as pessoas com risco de contrair o HIV, incluindo os casais discordantes, deveriam receber informações com relação à prevenção do HIV”.
A companheira da mulher recentemente infectada tinha uma carga viral de 69,000 cópias/ml, um nível que é considerado infeccioso. Entretanto, os autores acreditam que o caso reforça a importância de reter pacientes com diagnóstico de infecção em cuidados a longo prazo, como um “controle da infecção por HIV com supressão da carga viral podendo resultar em resultados melhores na saúde e à uma chance reduzida de transmitir HIV aos parceiros”.
Referência
Chan SK et al. Likely female-to-female sexual transmission of HIV- Texas 2012. MMWR Weekly
Report, 63(10): 209-12, 2014.
HIV em Lésbicas: Um caso raríssimo
Tradução: Rodrigo Sgobbi Pellegrini
Digiproved: 28 October 2014 16:27:43 UTC, certificate P560374
ichael Carter
Publicado em 17 de Março de 2014 no AIDSMAP
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