Apesar da tendência de estabilização do número de pessoas com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) no Brasil, o Ministério da Saúde registrou aumento da incidência do vírus em alguns grupos da população. “Vemos maior prevalência de casos no Rio Grande do Sul, uma tendência de aumento no Norte e Nordeste do país e uma tendência de aumento importante entre os mais jovens de 15 a 24 anos, em particular entre meninos jovens que fazem sexo com meninos jovens”, explicou o ministro da Saúde, Arthur Chioro, na tarde de hoje (1º), Dia Mundial de Luta contra a Aids.
Dados divulgados pelo ministro da Saúde mostram que 734 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. Do total, 589 mil foram diagnosticadas e 145 mil ainda não sabem que têm o vírus. A incidência do vírus no país é 20,4 casos por grupo de 100 mil habitantes, mas a equivalência sobe para 41,3 no Rio Grande do Sul e para 33,4 no Amazonas. A incidência é maior no público masculino que no feminino, com 26,9 e 14,1 casos em 100 mil habitantes, respectivamente.
Entre os jovens que têm entre 15 e 24 anos a incidência tem aumentado, passando de 9,6 casos por 100 mil habitantes em 2004, para 12,7 casos por 100 mil habitantes em 2013. Ao todo, 4.414 novos jovens foram detectados com o vírus em 2013, enquanto em 2004 eram 3.453.
A nova campanha do Ministério da Saúde é voltada para prevenção, testagem e tratamento, e tem como público-alvo os jovens. Usando a gíria #partiuteste, a campanha também vai ter material segmentado para a população jovem de gayse travestis. “Camisinha, teste e tratamento é a estratégia central que estamos trabalhando, e [a campanha] vai trabalhar o tempo inteiro com a prevenção combinada de uso do preservativo, testagem e tratamento”, disse Chioro.
Ao todo, 0,4% da população brasileira tem HIV/Aids, mas quando observado o panorama em públicos específicos, esse número é maior. Entre gays e homens que fazem sexo com homens maiores de 18 anos, 10,5% das pessoas têm o vírus, na população que usa crack, 5% têm o vírus.

Depois que um protocolo do Ministério da Saúde incluiu pessoas sem sintomas, mas com HIV, no tratamento com antirretrovirais, aumentou 29% o número de novos pacientes se tratando entre 2013 e 2014. Até dezembro do ano passado, o tratamento só era oferecido a quem tinha alta carga viral. Desde a publicação do protocolo, 61.221 pessoas começaram o tratamento. Segundo o ministério, a mortalidade pela aids caiu 67,3% nos últimos dez anos.
Uma forma de prevenir a doença em grupos com maior exposição ao vírus, como profissionais do sexo e homens que fazem sexo com homens, está sendo estudada pelo Ministério da Saúde. Segundo o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, a eficácia da prevenção com antirretrovirais já foi comprovada, mas dois grupos brasileiros estão estudando se pessoas sem o vírus vão se dispor a tomar os remédios de forma preventiva, sem ter o vírus. É possível que até a metade de 2015 essa prevenção esteja disponível na rede pública.
O Ministério da Saúde lançou hoje o Fundo Nacional de Sustentabilidade para organizações da sociedade civil que trabalham no campo das DST/Aids (doenças sexualmente transmissíves/aids) e hepatites virais. A meta do fundo é arrecadar recursos da inciativa privada para financiar projetos sociais. O fundo será gerido por um grupo ligado a Universidade Federal de Santa Catarina.
Aline Leal – Repórter da Agência Brasil Edição: Stênio Ribeiro – Reedição Cláudio Souza
Durante o curso da pandemia da AIDS, aprendemos uma quantidade considerável sobre a interseção da infecção pelo HIV e tuberculose (TB). A tuberculose é uma das principais causas de morte entre as pessoas que vivem com o HIV; em todo o mundo, 14 milhões de pessoas são co-infectados com Mycobacterium tuberculosis e HIV [1]. Infecção pelo HIV aumenta o risco de reativação latente M. tuberculosisinfection, colocando pessoas HIV-positivas em maior risco de desenvolver TB [2]. Infecção pelo HIV também aumenta o risco de progressão rápida TB após a aquisição primária de M. tuberculosis ou reinfecção [3]. TB pode acelerar a progressão da doença HIV via ativação imune e está associada a uma maior taxa de mortalidade e menor sobrevida de pessoas HIV-positivas [4]. O risco de aumento de TB como a contagem de células CD4 diminuem; da mesma forma, as taxas de mortalidade mais elevadas associadas com TB ocorrem em pessoas com as mais baixas contagens de células CD4 [5].
com status de HIV incerto ou desconhecido. A frequência bastante variável e localização de testes de HIV levanta a questão de se os riscos de TB eram diferentes, por exemplo, entre os mineiros que foram testados para HIV apenas uma vez durante um inquérito de soroprevalência e mineiros que foram testados várias vezes em visitas iniciada no paciente para uma clínica de DST. Sonnenberg et ai. lidou com esse viés potencial em análises de sensibilidade, ao excluir os testes de HIV realizados em enfermarias de clínica médica ou TB, e os autores relatam um aumento da incidência de TB semelhante dentro do primeiro ano de soroconversão HIV.
É interessante observar se o risco aumentado de TB precocemente no decorrer da infecção por HIV é devido à reativação de uma infecção ou de M. tuberculosis recém-adquirida. Para lançar luz sobre esta questão, Sonnenberg et al. realizpu fingerprinting molecular em isolados disponíveis. Entre seroconversores HIV, os autores encontraram que os isolados originais TB estavam presentes em 57% (8/14) dos mineiros que desenvolveram TB dentro de 2 anos de soroconversão HIV, em comparação com 20% (3/15), que desenvolveu TB depois. Os pacientes isolados originais são mais propensos a ter desenvolvido TB via reativação, enquanto os pacientes isolados que são compartilhados entre uma coorte são pensados para ter sido recentemente infectados. Tanto a reativação e a infecção por M. tuberculosis recém-adquirida são plausíveis no contexto da imunossupressão aguda que está associada com a infecção primária com HIV e a doença por VIH e rapidamente progressiva diminuição na contagem de células CD4. Os números do estudo de Sonnenberg et al. são muito pequenos para tirar uma conclusão definitiva no que diz respeito ao tipo de TB que predominou após a soroconversão HIV. É possível que os riscos tanto de nova infecção de tuberculose e reativação da doença M. seja aumentada.



Gus Cairns
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