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Atazanavir
O tratamento com atazanavir potenciado com ritonavir está a associado a um risco muito mais elevado de litíase renal (isto é, pedras nos rins) em comparação com o tratamento com outros inibidores da protease também potenciados com ritonavir, de acordo com um estudo realizado por investigadores japoneses, publicado na edição online do Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes. O estudo também mostrou uma elevada taxa de recorrência (isto é, de reaparecimento) das pedras nos rins nas pessoas que continuavam a fazer atazanavir/ritonavir.
“A incidência de pedras nos rins em pessoas a fazer ATV/r [atazananvir/ritonavir] foi aproximadamente 10 vezes maior do que a verificada nas pessoas a fazer outros IP [inibidores da protease] ”, comentam os investigadores. “Deve ponderar-se a substituição do ATV/r por outras substâncias nas pessoas com diagnóstico de pedras nos rins, de modo a prevenir uma maior deterioração na função renal”.
O ATV/r (Reyataz) é um dos medicamentos recomendados para utilização no tratamento antirretroviral de primeira linha. Tomado uma vez ao dia, apresenta um potente efeito anti-VIH e um perfil suave de efeitos adversos. Havia no entanto alguma evidência de que o tratamento com a substância pudesse aumentar o risco de litíase renal. Apesar disso, sabia-se pouco sobre a incidência deste efeito adverso nas pessoas tratadas com o fármaco, em comparação com as tratadas com outros IP potenciados com ritonavir.
Foi neste contexto que um grupo de investigadores em Tóquio desenhou um estudo retrospetivo com 1240 pessoas que haviam feito entre 2004 e 2010 terapêutica ARV baseada num IP potenciado com ritonavir.
Daquele grupo de pessoas, pouco mais de um terço (38%) recebeu atazanavir/ritonavir. As pedras nos rins foram diagnosticadas em 35 pessoas no total das pessoas do estudo, 31 das quais estavam a tomar atazanavir/ritonavir. O que significa que 7% das pessoas do estudo a fazer tratamento com atazanavir/ritonavir desenvolveram litíase renal, em comparação com 0.5% das pessoas a fazer outros IP potenciados com ritonavir. A incidência deste problema foi de 24 por 1000 pessoas anos no grupo do atazanavir/ritonavir, em comparação com apenas 2 por 1000 pessoas anos nas pessoas a fazer outros IP potenciados por ritonavir.
A primeira análise estatística dos autores mostrou que o atazanavir/ritonavir se encontrava associado a um risco 10 vezes maior para pedras nos rins (HR = 10.44; 95% IC, 3.68-29.59; p < 0.001), associação que se manteve largamente inalterada mesmo após se entrar em linha de conta com fatores como a idade, género, peso e outros fatores de risco para litíase renal (HR = 10.08; 95% IC, 3.48-29.17; 0 < 0.001).
Refira-se entretanto que o tratamento com atazanavir tem sido associado a um aumento não perigoso da bilirrubina. Contudo, não houve nenhuma associação entre este elemento e o risco de perdas nos rins.
Voltando aos números do estudo, 18 pessoas continuaram a fazer tratamento com atazanavir/ritonavir após o diagnóstico de litíase renal, tendo-se verificado o reaparecimento do problema em 6 delas, em média cinco meses após o primeiro diagnóstico.
No que respeita à função renal (medida através da Taxa de Filtração Glomerular estimada), ela declinou de forma mais significativa nas pessoas com pedras nos rins
do que nas pessoas que não desenvolveram esta complicação (p < 0.001). De facto, notam os investigadores, “o desenvolvimento de litíase renal constitui um fator de risco para doença renal crónica”. Alertam por isso que “a elevada incidência de pedras nos rins associada ao uso de ATV/r pode em parte contribuir para o facto de o ATV/r ser um fator de risco para doença renal crónica. Assim, o ATV/r deve ser cuidadosamente introduzido em doentes com fatores de risco concomitantes para doença renal crónica”.
Por fim, os autores especulam que a elevada incidência de litíase renal nas pessoas tratadas com ATV/r pode dever-se ao facto de o medicamento ser parcialmente excretado pela urina.
E concluem o artigo afirmando que “o uso de ATV/r constituiu um fator de risco independente para litíase renal num modelo estatístico robusto”.
Referência
Hamada Y et al. High incidence of renal stones in HIV-infected patients on ritonavir-boosted atazanavir than in those on other on other protease inhibitor-containing antiretroviral therapy. J Acquir Immune Defic Syndr, online edition, 2012.
Michael Carter
Tradução
GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
aíses de baixo e médio rendimento não tenham recolhido dados recentes sobre a prevalência do HIV relativa às trabalhadoras sexuais, os dados existentes são alarmantes.

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