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Jovens bem resolvidos
Felipe de Lima
Orientar, educar, prevenir. Essa é a proposta do Programa O Cravo e a Rosa, mantido pela Subsecretaria da Juventude do Distrito Federal (Sejus), em Ceilândia Norte. O programa, criado em 2007 em parceria com a Secretaria de Saúde, completa três anos de atividades em fevereiro e comemora bons números. Foram 1.200 consultas médicas realizadas no local e cerca de 4 mil adolescentes que participaram das palestras sobre sexualidade entre outros assuntos correlatos, ministradas pelos médicos Fernando Henrique Batista Mota e Débora Paulo Santos.
Débora, ginecologista especializada em infância e adolescência, dedica-se ao projeto desde a sua fundação e revela que as meninas correspondem a 90% do público atendido. “E geralmente os meninos, quando aparecem, são trazidos pelas namoradas”, completa. Os jovens assistem a palestras sobre sexualidade, anticoncepção e DST‘s e, em seguida, já podem ter direito à assistência médica prestada no local. Paternidade responsável e planejamento familiar também são temas trabalhados durante as palestras.
Para Carolina (nome fictício), 18 anos, que participa das atividades do programa desde 2008 por incentivo de uma colega, os eventos promovidos pela casa ajudaram a ter uma percepção diferente de como viver sua sexualidade. “Quando eu cheguei aqui é que fui descobrir a quantidade de doenças que a gente pode pegar. Eu fique tão assustada que, se pudesse, deixava de fazer (sexo)”, brinca a estudante.
A orientação adequada, no entanto, ajudou a jovem a desenvolver uma relação sadia com o namorado, 18 anos mais velho. Já Rodrigo (nome fictício), 17 anos, morador de Ceilândia, procurou o programa buscando uma orientação específica: queria fazer o teste do HIV. Ele recebeu no local as instruções necessárias e um encaminhamento para a realização dos exames. Segundo o jovem, não é comum que os adolescentes conversem com os pais sobre assuntos relacionados a sexo, o que torna a assistência prestada pela casa indispensável.
De acordo com o subsecretário da Juventude, Toddi Moreno, que assumiu a coordenação do programa em março de 2009, a Secretaria de Justiça planeja expandir o projeto com uma programação de palestras itinerantes em escolas e conselhos tutelares de outras cidades do DF. A proposta elevará consideravelmente os custos de manutenção do programa, orçado em cerca de R$ 50 mil por ano, segundo informações do subsecretário.
A previsão é de que a expansão ocorra em março deste ano. A Sejus prepara ainda um novo tema para apresentar em suas palestras: o abuso sexual contra crianças e adolescentes. O intuito da abordagem é prevenir os casos de violência sexual contra os jovens, fazendo um trabalho conjunto com a família. “Muitas vezes as famílias têm conhecimento dos casos de abuso e não sabem como agir. Por isso prevenir que aconteça é tão importante”, afirma Toddi.
SAIBA +
O projeto nasceu com o nome Menina Moça, para atendimento exclusivo às meninas .
A nova gestão observou a necessidade de estendê-lo também aos meninos, que ainda representam minoria no atendimento. Em função disso, o nome do programa mudou para O Cravo e a Rosa.
A expansão do projeto pode resultar na implementação de um posto de atendimento do Conselho Tutelar no local.
JORNAL DE BRASÍLIA | Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
CIDADES |
| 22/JANEIRO/10 |


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