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Correio Braziliense | Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
Brasil |
| 27/NOVEMBRO/07 |
Estudo do Inca mostra tendência de aumento da letalidade e do número de ocorrências da doença. Em 2006, 130 mil pacientes morreram no país
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que haverá quase um milhão de novos casos de câncer em 2008 e 2009 – 466 mil a cada ano. A expectativa é a de que haja um aumento na incidência de todos os tipos de tumores, com exceção dos localizados no estômago e no colo do útero. O problema é que, enquanto nos países desenvolvidos a incidência aumenta e a mortalidade diminui, no Brasil a ocorrência e a letalidade estão aumentando. No ano passado, 130 mil pacientes morreram por causa da doença.
"A palavra-chave é acesso. A população tem de ter acesso ao sistema de saúde, às políticas de prevenção e ao diagnóstico precoce. Alguns medicamentos e tratamentos que prometem ser revolucionários ainda não são fornecidos no sistema público porque estão em fase de estudo", disse o diretor-geral do Inca, Luiz Antonio Santini, que apresentou ontem a Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil 2008, durante o Congresso Internacional de Controle de Câncer.
A dona-de-casa Neide Barbosa Bernardes agradece a sorte de ter conseguido tratar o filho no Inca. "Tive um tratamento de primeiro mundo. É uma pena que nem todo mundo que tem câncer consegue vir para cá", disse. O menino Yuri, de 8 anos, tinha um ano e meio quando foi diagnosticado que sofria de leucemia. A família, que morava em Brasília, teve de se mudar para o interior do Rio para tratar a criança. Depois de três anos de tratamento, foi considerado curado e levava uma vida normal. Em novembro de 2005, sofreu uma recaída, mas graças ao Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) encontrou um doador. Um ano depois do transplante, ele continua a receber tratamento no instituto. "Ainda fazemos um acompanhamento mensal, mas ano que vem ele já deve poder voltar à escola", comemora a mãe. Ela mora com o filho num abrigo para crianças em tratamento contra o câncer.
Como as tecnologias e remédios estão cada vez mais caros, cresce a importância do diagnóstico precoce, fundamental para detectar a recaída de Yuri. Os gastos do governo federal na assistência oncológica de alta complexidade dobraram em cinco anos. Segundo o Inca, entre 2000 e 2005 os gastos com o tratamento contra o câncer subiram 103%, atingindo R$ 1,2 bilhão por ano.
"O Inca gasta 14% do seu orçamento com um único medicamento, que é fundamental no tratamento de um pequeno grupo de pacientes", explica Santini. Um estudo de um plano de saúde privado, a Unimed de Belo Horizonte, que também será apresentado durante o congresso, afirma que os custos do paciente com câncer em estágio avançado é oito vezes maior do que o diagnosticado na fase inicial.
"O câncer é uma doença multifatorial, mas o envelhecimento da população e a maior exposição a fatores de risco aumentam a incidência", aponta o especialista. Segundo ele, os tumores malignos já são a segunda maior causa de morte dos brasileiros – a primeira são as doenças cardiovasculares. A tendência é a de que, com o aumento da expectativa de vida da população brasileira, seja a principal causa, como já acontece em alguns países europeus.
Disparidades
O mapa regional de incidência de tumores mostra bem as diferenças regionais. Os estados do Norte e Nordeste têm as menores incidências. "O câncer aumenta à medida que as doenças infecciosas diminuem", analisa o coordenador de Prevenção e Vigilância do Inca, Claudio Noronha.
"Temos de trabalhar as políticas de prevenção, porque quando projetamos os gastos públicos vemos que será impossível pagar essa conta", afirmou. Apesar de cada tipo de tumor ter fatores de risco distintos, alguns hábitos ajudam a reduzir o risco: alimentação balanceada, rica em verduras, frutas e legumes e pobre em gordura, sal e proteína animal; atividades físicas diárias regulares; e não fumar estão entre as principais recomendações dos especialistas.
O estudo revela que, pela primeira vez, observa-se uma redução na estimativa do número de casos de câncer no colo do útero. Esse tipo de tumor, o segundo mais comum entre as mulheres, é provocado principalmente por uma infecção causada pelo vírus HPV. "Essa redução aconteceu principalmente no Sul e Sudeste, o que nos leva a crer que foi resultado das campanhas de prevenção e diagnóstico precoce", afirma Noronha.
A estimativa também espera uma diminuição do número de tumores no pulmão de homens jovens, já como reflexo da política antitabagista do governo brasileiro, que é elogiada pela Organização Mundial de Saúde. "Em alguns países na Europa, esse tipo de câncer, que é causado mais de 90% das vezes pelo hábito de fumar, é o mais incidente entre os homens. Aqui está em segundo lugar, mas a tendência é de queda a longo prazo", explica.
O número
INCIDÊNCIA
466 MIL
novos casos de câncer serão registrados nos brasileiros em 2008
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