,
Diário de Pernambuco – PE |
Editoria: | Pág. |
Dia / Mês/Ano: |
|
Brasil |
|
16/MARÇO/08 |
Religião // Militantes feministas seguidoras da Teologia da Libertação defendem temas contemporâneos que são condenados pelo Vaticano
Leonel Rocha
Do Correio Braziliense
Brasília – Não existe pecado no aborto, nas experiências médicas com células-tronco embrionárias nem no homossexualismo – mesmo entre padres, desde que usem camisinha. As mulheres devem ser livres para decidir sobre o seu corpo e seu destino. Esta é a síntese da cartilha defendida e propagada por um dos grupos religiosos mais ativos e organizados do país, o Católicas pelo Direito de Decidir (CDD). Formada por militantes feministas cristãs, dissidentes das encíclicas e de outros documentos elaborados pela igreja, a organização não-governamental (ONG) reza pelo catecismo da chamada Teologia da Libertação, a corrente defenestrada pelo Vaticano.
As militantes do CDD preferem aplicar os ensinamentos de Jesus em defesa dos pobres, das prostitutas, dos famintos e dos doentes em geral a cultuar dogmas como a indissolubilidade do casamento e a virgindade, por exemplo. Com sede em São Paulo, a ONG é coordenada por sete mulheres de várias formações profissionais e tem embriões em outros 14 estados.
Há três semanas, quando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou a Campanha da Fraternidade deste ano – com o tema "Fraternidade em defesa da vida" -, o grupo considerou o texto-base uma negativa dos direitos e da autonomia das pessoas.
No manifesto que divulgou contestando o tema da Campanha da Fraternidade, o CDD fez 10 perguntas à igreja. São questões filosóficas de fundo. "Pode-se afirmar a defesa da vida e desrespeitar o princípio fundamental à realização de uma vida digna e feliz, que é o direito de decisão autônoma sobre o próprio corpo? Condenar as mulheres a levar adiante uma gravidez resultante de estupro, a não interromper uma gravidez que coloca a vida delas em risco, ou cujo feto não terá nenhuma condição de sobreviver?", questiona o documento.
Outras proibições do Vaticano assustam as militantes da ONG porque, segundo as coordenadoras, deixa a vida das pessoas em jogo. "Pode-se afirmar a defesa da vida e ignorar milhões de pessoas que morrem, vítimas de doenças evitáveis, como a Aids? "
O grupo é minoria na Igreja Católica, mas não está isolado. Conta com o apoio e a simpatia de centenas de padres e freiras. Entre os bispos, o apoio é discreto. Entre os simpáticos está dom Paulo Evaristo Arns, ex-cardeal de São Paulo. Poucos sãotolerantes ou compreendem as propostas do CDD, até porque fazem parte de outras correntes tradicionalistas como a Opus Dei, Carismáticos e Movimento Fé e Política.
Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
