Ceará inicia mapeamento de DSTs em presidiários do estado, destaca Diário do Nordeste

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 24/10/2009 – 16h40

 

A Secretaria da Justiça do Estado (Sejus) do Ceará está realizando o mapeamento de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e outras enfermidades nos presidiários do estado. Já foram diagnosticados 10 casos de HIV e 61 de tuberculose. As informações são do Diário do Nordeste. Leia a seguir a matéria na íntegra.

 

60 presidiários têm tuberculose

 

A Sejus está iniciando o mapeamento das doenças existentes dentro do sistema carcerário cearense

 

Hanseníase, hipertensão, diabetes, doenças crônico-degenerativas, DST/AIDS e tuberculose. São estas as doenças mais comuns na população carcerária cearense. Apesar de não ter ainda esses números tabulados, a Secretaria da Justiça do Estado (Sejus) já sabe da existência de 61 casos confirmados de tuberculose e em tratamento, e dez soropositivos de Aids.

 

A Sejus está iniciando projeto para conhecer a saúde nos presídios. A meta é realizar 1.400 exames nos presos, mas, até o momento só foram feitos 240. O número de detentos que possuem algum tipo de doença não é preciso, em virtude de os exames não serem obrigatórios por lei. Pelo menos foi o que informou o coordenador do Núcleo de Saúde (Nusau) da Sejus, médico Francisco Pereira Alencar.

 

A tuberculose preocupa, tendo em vista que, de acordo com Alencar, a disseminação da doença dentro dos presídios é 40 vezes maior que fora dele, mas, de acordo com a lei, nenhum preso é obrigado a fazer exame para qualquer patologia. “O Estado tem a obrigatoriedade de ofertar os exames, mas ninguém é obrigado a se submeter”, explicou ele.

 

Sobre a disseminação da Aids dentro das penitenciárias, Francisco Alencar disse que é feita, principalmente, pelo contato sexual entre os detentos, mas que o Nusau distribui preservativos em quantidades até exageradas para acabar, inclusive, com o mercado de camisinhas que existia no sistema carcerário. Com relação à disseminação do vírus por uso de drogas injetáveis, afirmou que não existem casos de usuários desse tipo de narcótico no Ceará.

 

Para o infectologista Anastácio Queiroz, diretor do Hospital São José, a questão das doenças dentro das penitenciárias é complicada porque o ambiente fechado e a grande concentração de detentos em cada uma das celas favorece a disseminação de doenças respiratórias e sexualmente transmissíveis.

 

Ele salientou que é uma questão que deve ser estudada e avaliada porque o controle de patologias na população carcerária é mais difícil. “É preciso também ter um cuidado maior para que as doenças não se alastrem para a população de fora dos presídios.

 

O Núcleo de Saúde da Sejus presta assistência médica e odontológica em todas as unidades prisionais, para um total de 14.044 presos distribuídos em 15 penitenciárias e 148 cadeias públicas. De acordo com o coordenador, a maior dificuldade que o sistema penitenciário enfrenta com relação à saúde encontra-se nos níveis de atenção secundária e terciária.

 

“Nos casos de doenças mais graves existe dificuldade pois, se já é difícil pessoas não internas aos presídios conseguirem um atendimento, imagine para os presos”, disse.

 

Além disso, as unidades de saúde dificultam o atendimento. Alencar conta que nos hospitais, querem algemar os pacientes do sistema carcerário às camas e a Sejus é contra. “Quando eles precisam de atendimento em hospitais externos, vão acompanhados de um agente ou de um policial”.

 

 

Fonte: Diário do Nordeste


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