
“O vídeo é muito interessante. Acho realmente que irá colaborar para a diminuição de casos de violência”, disse Nair Brito, de São Paulo. “E a participação dos homens é essencial nesta campanha. A visão deles sobre o assunto enriqueceu o material”, completou.
Juçara Portugal, do Rio de Janeiro, acredita que uma ação desse porte já é parte das reivindicações antigas das mulheres vivendo com HIV/AIDS. “É um espaço de atuação política, um espaço para enfrentar o medo. É mais uma ferramenta que pode mobilizar essa população, em uma campanha para atingir as pessoas no dia-a-dia.”
Além da violência física, as ativistas reforçam também a importância de tratar outras formas de agressão. “É muito importante discutir as mulheres e os direitos. Já está posto como a violência vulnerabiliza cada vez mais as mulheres para a infecção do HIV, para além da violência sexual”, afirmou Jenice Pizão, de Campinas.
Para Jenice, as dificuldades das mulheres acessarem os serviços de prevenção e atenção básicas na saúde também podem ser considerados uma ato de violência contra elas.
Nair concorda com Jenice e cita como exemplo a questão da saúde sexual e reprodutiva da mulher. “Os casos de mulheres com HIV que recebem indicações de seus médicos para não engravidarem, por exemplo. Esta ideia precisa ser desconstruída entre o público feminino”, comentou.
Segundo Jenice, é essencial que se discuta como o Estado pode se posicionar contra qualquer tipo de violência e o que ele faz de verdade pra modificar o quadro.
“Isso tem que ser colocado. Não é só conversa mole. Queremos saber da ação, o que está sendo feito de verdade”, disse a ativista. “Até porque estamos vendo crescer os números de mulheres que vivem com HIV, de crianças nascendo com HIV, etc. São sinais de que os serviços estão falhando. Isto é uma violência institucional… As mulheres não estão recebendo atenção básica”, complementa Jenice.
Fundado em 2004, o Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVAs reúne mulheres vivendo com HIV e AIDS de todo o Brasil.
Entre os objetivos desta rede estão: defender e garantir os direitos e controle social de política de saúde para mulheres; formar mulheres nas temáticas de
Este movimento lidera hoje o projeto “Saber para Reagir em Língua Portuguesa”, que realiza encontros com mulheres soropositivas de todas as regiões brasileiras e em outros países de língua oficial portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe) com o objetivo de fortalecer as capacidades de atuação dessas mulheres de firmarem compromissos junto ao poder público.
A campanha Mulheres e Direitos, que foca nesta sua segunda edição a questão da AIDS, tem por objetivo reduzir a violência contra a mulher e promover a equidade de gênero e da saúde feminina. Desta vez, o material dacvampanha também estará disponível em tikuna – idioma indígena falado por mais de 30 mil pessoas no Brasil – além de português, inglês e espanhol.
Redação da Agência de Notícias da AIDS
Jenice Pizão – MNCP
jpizao@gmail.com
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