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Rash e Rejeição: Uma Crônica Urbana sobre HIV e Preconceito

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🩸 Quando as marcas na pele contam histórias que ninguém quer ouvir

Tem marcas que a gente carrega no corpo, mas que atravessam a pele. São cicatrizes que não sangram, mas gritam. Uma vez, apareceu um cara querendo me fazer uma doação — 200 reais, o tipo de dinheiro que não cai do céu e, quando aparece, vem com história. Marcamos perto do metrô Santana, em São Paulo. Ele chegou, olhou pras minhas mãos e congelou. Umas manchas vermelhas, nada demais pra mim. Mas, pra ele, aquilo era o início de uma ameaça: “Você tem rash… igual eu?” perguntou com um medo que veio antes do raciocínio. O olhar mudou, a energia mudou. De aliado, virei perigo.

🎭 O preconceito é performático. Não precisa de palavras — basta um gesto, uma retração involuntária, um passo pra trás. Aí o quadro psíquico dele desandou. A paranoia do HIV tomou conta. E eu ali, parado, já sabendo que não era sobre mim, mas sobre ele, sobre o que ele vê quando vê a minha pele. Porque rash cutâneo, nesse contexto, não é só um sintoma — é uma marca social, quase um código de exclusão.

Esse é o preço invisível que a gente paga. Todo dia. As feridas na pele são como crachás que ninguém pediu pra usar. Elas não contam só uma história médica, contam uma saga de julgamentos, de portas fechadas, de medos alheios que viram muros pra gente. Um rash pode ser apenas uma reação inflamatória, mas na cabeça de muitos, é um sinal vermelho piscando, um alerta contaminado.

👥 Tem gente que acha que viver com HIV é viver escondido — como se nossa existência fosse uma ameaça em si. Quando, na real, tudo que a gente quer é uma vida comum. Já falei isso pra um aluno: meu sonho era entrar num laboratório, fazer um teste e ver aquele “negativo” estampado. Sair por aí mostrando o papel como se fosse um ingresso pra liberdade. Mas o irônico é que, mesmo com o negativo, tem quem não acredite. O preconceito é tão forte que transforma uma ausência de vírus em suspeita. Como se o rótulo fosse mais importante que o fato.

É por isso que esse texto sobre rash não tem preço. Porque dor não devia ser mercadoria, e empatia não devia precisar de boleto. Mas se você quiser ir além — entender de verdade, apoiar quem vive essa realidade, e ajudar a manter esse trabalho vivo — lá no Patreon tem muito mais.

Porque compartilhar é também sobreviver.

 


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