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Complicações causadas por piercing levam à cirurgia reparadora

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O Globo Online

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Viver Melhor

 

06/DEZEMBRO/07

 

Publicada em 05/12/2007 às 16h55m
Márcia Abos – O Globo Online

As complicações causadas por piercings são assustadoras. Na foto, Ariana antes da segunda cirurgia

SÃO PAULO – Ariana Batista de Oliveira, de 22 anos, fez um piercing na parte superior da orelha. Três semanas depois, percebeu uma bola branca crescendo no local. Foi ao médico e teve que se sujeitar a uma cirurgia para extrair o quelóide, uma cicatrização exagerada do organismo. Seis meses depois, o quelóide estava de volta, mas muito maior do que da primeira vez. A pele cresceu desordenadamente por toda a orelha.

  • Foi um sofrimento. Cheguei a ficar em depressão e não tinha coragem de sair de casa. Nem o cabelo cobria a minha orelha, que ficou enorme e disforme – contou a jovem.

    " Não conheço nenhum lugar que faça piercing com segurança "

O piercing foi feito há cincos anos e ainda hoje ela sofre com o problema. A última cirurgia foi feita há um ano. Todo mês, Ariana vai ao Hospital das Clínicas para aplicar na orelha injeções de corticóides. Ela terá que fazer este tratamento por mais um ano para evitar a formação de novo quelóide. Ao ser perguntada se faria outro piercing, a jovem respondeu sem titubear que nunca mais quer nem ouvir falar disto.

O caso de Ariana engrossa estatísticas que têm alarmado médicos. No Hospital das Clínicas de São Paulo, o crescimento no número de pacientes que apresentam complicações devido a piercings levou o médico otorrinolaringologista, Perboyre Lacerda, especializado em cirurgia facial, a iniciar um estudo sobre o tema. Até agora a pesquisa concluiu que 80% das pessoas que fazem piercings precisam de cirurgia reparadora devido a infecções e complicações. O médico observou um universo de 40 pessoas, a maioria delas adolescentes.
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  • Não conheço nenhum lugar que faça piercing com segurança. Portanto, não aprovo o procedimento nem que ele seja feito pelo Papa – disse categoricamente Lacerda.

O médico explica que colocar um piercing é o mesmo que fazer uma pequena cirurgia.

    " Onde está a Vigilância Sanitária, que permite uma atrocidade destas? "

  • Leigos estão fazendo um ato médico, o que é criminoso. O procedimento, que é feito por pessoas não qualificadas, sem nenhuma noção de higiene ou bacteorologia, invade o corpo. O pior é que lojas fazem piercing em menores de idade. Onde está a Vigilância Sanitária, que permite uma atrocidade destas? – indaga o especialista, assustado ao observar um aumento no número de pessoas, a maioria adolescentes, que chegam ao hospital vítimas de complicações devido ao uso de piercings.
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Em São Paulo, a Coordenação de Vigilância em Saúde de São Paulo (Covisa) fiscaliza os estabelecimentos que fazem piercings por meio de denúncias ou inspeções programadas. A aplicação de piercings em menores de idade é proibida, mesmo com autorização dos pais. Apesar de haver legislação, a própria Vigilância Sanitária avisa que o procedimento oferece riscos à saúde. AIDS, hepatite B e C são algumas das doenças que podem ser causadas pela perfuração, informou a gerência de serviços da Covisa.
Os problemas mais comuns

As duas complicações mais comuns observadas pelo médico são a formação de quelóides, como aconteceu com Ariana, e a pericondrite, infecção da cartilagem.

O quelóide pode se formar em qualquer área onde seja colocado o piercing, explica Perboyre Lacerda. Estudos científicos mostram que a tendência para desenvolver esta cicatrização anômala que cresce descontroladamente é mais freqüente em povos mestiços, como os brasileiros.

Dependendo do caso, para se livrar do quelóide, o paciente é submetido a várias cirurgias, que têm o risco de causar a formação de novos quelóides, e tratamentos com corticóides e radioterapia. Já foram observados quelóides de até meio quilo em cada orelha.

    " Recomendo que as pessoas que querem fazer um piercing evitem pelo menos as regiões com cartilagem e a língua "

Já a infecção nas cartilagens (pericondrite) acontece quando o piercing é colocado na parte superior da orelha ou nas laterais no nariz. Os riscos nestes casos não se limitam ao curto prazo. Mesmo depois de ter colocado o piercing e passado anos com ele sem complicações, qualquer pequeno trauma, como uma batida ou bolada na região, pode desencadear um processo infeccioso quase impossível de ser combatido.

Isto porque a cartilagem é um local que quase não tem irrigação sanguínea. Por isto, é pobre em defesas naturais do organismo contra germes. O tratamento com antibióticos, mesmo em doses massivas, tampouco apresenta resultados, pois a medicação não chega ao local. Resultado: a infecção acaba corroendo a cartilagem, fazendo buracos no nariz e desfigurando as orelhas. Para corrigir as deformidades, o paciente tem que se submeter a um enxerto de cartilagem por meio de cirurgia plástica.

  • Recomendo que as pessoas que querem fazer um piercing evitem pelo menos as regiões com cartilagem (parte superior da orelha e lateral do nariz) e a língua – diz Perboyre Lacerda.

Na língua, o risco é a formação de abcessos causados por infecções. Rapidamente, o inchaço da língua pode impedir a respiração. Perboyre Lacerda conta que um colega do HC teve que fazer uma traqueostomia (abertura feita no pescoço, na altura da traquéia para a introdução de um tubo para facilitar a entrada de ar) de emergência no corredor do hospital para salvar um paciente que não conseguia respirar devido ao inchaço de sua língua após a colocação de um piercing.


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