12/09/2009 – 14h
Segundo pesquisa apresentada em 2008 pela Escola Nacional de Saúde Pública com apoio do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, o grau de implementação das ações desenvolvidas pelo projeto Nascer-Maternidades em 30 maternidades brasileiras é insuficiente. O projeto foi criado em 2002 pelo então Programa Nacional de DST e Aids com o objetivo de reduzir a transmissão do vírus HIV de mãe para filho.
A fundadora e coordenadora do Grupo Rachid, instituição que assiste crianças com HIV/Aids e familiares há 25 anos em Recife (PE), Alaíde da Silva, conhece bem essa realidade. “Muitas vezes a entrega do leite para as gestantes com HIV é realizada com atraso ou não ocorre até os 6 meses de idade do bebê, como deveria ser, de acordo com o projeto.”
Outra queixa de Alaíde é o diagnóstico tardio para o HIV. “Isso ocorre, principalmente, pela demora do serviço público de coletar e fornecer o resultado do exame. O governo federal está negligenciando a saúde das crianças”, disse.
Em Pernambuco, de acordo com dados do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, o número de crianças com Aids menores de 5 anos aumentou a partir de 2006 e, em seguida, começou a diminuir. Naquele ano, havia 13 crianças com a doença e, em 2007, último em que os dados estão disponíveis, foram notificados 20 casos.
“Primeiro é preciso melhorar o acesso da gestante ao serviço de saúde. Quando ela chega nesse serviço o exame de HIV e o fornecimento do resultado têm de ocorrer da maneira mais rápida. O tratamento da gestante soropositivo deve começar o mais cedo possível após o diagnóstico”. avaliou Alaíde.
Ela também defende que o leite seja entregue por um ano à gestante soropositivo. “Essa é a minha maior luta. Sei, por exemplo, do caso de uma moradora de rua com HIV que, após receber o leite por seis meses, passou a amamentar o filho.”
Bons resultados em São Paulo
Diferente de outras cidades, em São Paulo o número de crianças com Aids vem diminuindo ano após ano: em 2006 eram 372 contra 62 em 2007. Para Araújo Lima Filho, presidente da AFXB (Centro de Convivência para Crianças que Vivem com HIV/Aids em São Paulo), isso ocorre porque os ativistas cobraram boas políticas públicas no município. “Existe uma política de continuidade, integração entre estado e municípios, além de investimento do governo federal”, disse. “Em outros locais, principalmente no Norte e Nordeste do país, a população depende do bom humor e vontade política de quem está no poder em determinado momento.”
De acordo com o médico sanitarista e chefe-adjunto da Unidade Sanitária e Tratamento do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Marcelo Araújo de Freitas, o resultado do estudo realizado nas maternidades do país não pode ser generalizado. “Cada maternidade possui uma realidade diferente. Depois deste projeto muita coisa mudou.”
Marcelo afirmou também que o Departamento está “lutando para garantir acesso universal a antirretrovirais e insumos, ampliando a oferta do teste rápido anti-HIV na hora do parto e qualificando os técnicos que trabalham com as gestantes.”
Fábio Serrato e Fernando Fidélis
AGÊNCIA AIDS |
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13/OUTUBRO/09 |
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