Dia das Crianças: Prevenção à transmissão vertical do HIV ainda é um desafio no país

0
278

12/09/2009 – 14h

 

Segundo pesquisa apresentada em 2008 pela Escola Nacional de Saúde Pública com apoio do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, o grau de implementação das ações desenvolvidas pelo projeto Nascer-Maternidades em 30 maternidades brasileiras é insuficiente. O projeto foi criado em 2002 pelo então Programa Nacional de DST e Aids com o objetivo de reduzir a transmissão do vírus HIV de mãe para filho.

 

A fundadora e coordenadora do Grupo Rachid, instituição que assiste crianças com HIV/Aids e familiares há 25 anos em Recife (PE), Alaíde da Silva, conhece bem essa realidade. “Muitas vezes a entrega do leite para as gestantes com HIV é realizada com atraso ou não ocorre até os 6 meses de idade do bebê, como deveria ser, de acordo com o projeto.”

 

Outra queixa de Alaíde é o diagnóstico tardio para o HIV. “Isso ocorre, principalmente, pela demora do serviço público de coletar e fornecer o resultado do exame. O governo federal está negligenciando a saúde das crianças”, disse.

 

Em Pernambuco, de acordo com dados do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, o número de crianças com Aids menores de 5 anos aumentou a partir de 2006 e, em seguida, começou a diminuir. Naquele ano, havia 13 crianças com a doença e, em 2007, último em que os dados estão disponíveis, foram notificados 20 casos.

 

“Primeiro é preciso melhorar o acesso da gestante ao serviço de saúde. Quando ela chega nesse serviço o exame de HIV e o fornecimento do resultado têm de ocorrer da maneira mais rápida. O tratamento da gestante soropositivo deve começar o mais cedo possível após o diagnóstico”. avaliou Alaíde.

 

Ela também defende que o leite seja entregue por um ano à gestante soropositivo. “Essa é a minha maior luta. Sei, por exemplo, do caso de uma moradora de rua com HIV que, após receber o leite por seis meses, passou a amamentar o filho.”

 

Bons resultados em São Paulo

 

Diferente de outras cidades, em São Paulo o número de crianças com Aids vem diminuindo ano após ano: em 2006 eram 372 contra 62 em 2007. Para Araújo Lima Filho, presidente da AFXB (Centro de Convivência para Crianças que Vivem com HIV/Aids em São Paulo), isso ocorre porque os ativistas cobraram boas políticas públicas no município. “Existe uma política de continuidade, integração entre estado e municípios, além de investimento do governo federal”, disse. “Em outros locais, principalmente no Norte e Nordeste do país, a população depende do bom humor e vontade política de quem está no poder em determinado momento.”

 

De acordo com o médico sanitarista e chefe-adjunto da Unidade Sanitária e Tratamento do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Marcelo Araújo de Freitas, o resultado do estudo realizado nas maternidades do país não pode ser generalizado. “Cada maternidade possui uma realidade diferente. Depois deste projeto muita coisa mudou.”

 

Marcelo afirmou também que o Departamento está “lutando para garantir acesso universal a antirretrovirais e insumos, ampliando a oferta do teste rápido anti-HIV na hora do parto e qualificando os técnicos que trabalham com as gestantes.”

 

 

 

Fábio Serrato e Fernando Fidélis

AGÊNCIA AIDS

Editoria: Pág. Dia / Mês/Ano:

 

 

13/OUTUBRO/09


Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Artigo anteriorPrefeito de Duque de Caxias proíbe parada gay na cidade
Próximo artigoFrente Parlamentar de HIV/AIDS deverá incorporar Tuberculose nas suas ações
Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
🌟 25 Anos de História e Dedicação! 🌟 Há mais de duas décadas, compartilho experiências, aprendizados e insights neste espaço que foi crescendo com o tempo. São 24 anos de dedicação, trazendo histórias da noite, reflexões e tudo o que pulsa no coração e na mente. Manter essa trajetória viva e acessível a todos sempre foi uma paixão, e agora, com a migração para o WordPress, estou dando um passo importante para manter esse legado digital acessível e atual. Se meu trabalho trouxe alguma inspiração, riso, ou reflexão para você, convido a fazer parte desta jornada! 🌈 Qualquer doação é bem-vinda para manter este espaço no ar, evoluindo sempre. Se VC quer falar comigo, faça um PIX de R$ 30,00 para solidariedade@soropositivo.org Eu não checo este e-mail. Vejo apenas se há recibos deste valor. Sou forçado a isso porque vivo de uma aposentadoria por invalidez e "simplesmente pedir" não resolve. É preciso que seja assim., Mande o recibo, sem whats e conversaremos por um mês

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.