Informativo 41 – Revisto janeiro 2004
Embora qualquer pessoa esteja sujeita a algum tipo de disfunção sexual, aquelas infectadas pelo HIV podem ser particularmente afetadas nesse sentido. A perda do apetite sexual, também conhecido como desejo, ou libido, pode ter um impacto significativo na qualidade de vida e na auto-estima dessas pessoas, podendo até desencadear problemas emocionais, tais como ansiedade e depressão.
É comum as pessoas terem problemas sexuais durante períodos de estresse, como por exemplo ser diagnosticado HIV-positivo ou experiências difíceis no trabalho ou em relacionamentos. O consumo excessivo de álcool, ou de drogas recreacionais, pode também diminuir tanto o desejo quanto a capacidade de ter relações sexuais.
Muitos medicamentos comumente usados no tratamento da depressão, tais como a fluoxetina (Prozac) ou a paroxetina (Seroxat), podem também afetar a função sexual. Além desses, o estimulante de apetite acetato de megestrol (Megace) tem demonstrado ser um dos causadores da perda da libido.
Problemas para os homens
A redução dos níveis de testosterona, ou hipogonadismo, pode, freqüentemente, causar disfunção sexual e fadiga. Homens em estágio avançado da infecção pelo HIV apresentam níveis de testosterona abaixo do normal, o que pode ser causado tanto pelo vírus quanto pela própria debilitação crônica da saúde. Com o objetivo de minimizar esses problemas, muitos homens fazem terapia de reposição hormonal com testosterona, o que, geralmente, leva-os a adquirir massa muscular, melhorar o estado emocional e aumentar a libido.
Estratégias para livrar-se da impotência
A incapacidade de ter ou manter uma ereção, ou seja, a impotência sexual, pode ser provocada pelos danos causados pelo HIV nos nervos do pênis (neuropatia autonômica) responsáveis pela ereção. Da mesma forma, é provável que os medicamentos anti-HIV causadores da neuropatia, tais como ddC, ddI e d4T, provoquem dormência na área genital, o que pode dificultar uma ereção. Os inibidores de protease também foram indicados como causadores da impotência, e algumas evidências sugerem que aqueles contendo ritonavir têm maior probabilidade de causar disfunção sexual.
O Viagra (sildenafil) e o Cialis (tadalafil), comprimidos usados no tratamento da impotência sexual, aumentam o fluxo de sangue no pênis, tornando-o mais sensível. As pessoas que estiverem tomando inibidores de protease, NNRTIs (inibidores não- nucleosídeos da transcriptase reversa), cetoconazol, itraconazol ou eritromicina devem ser cautelosas ao tomar Viagra e Cialis, lembrando que a dose de Viagra deve ser reduzida para 25mg e a de Cialis para 10mg. No entanto, recomenda-se que o Viagra não seja ingerido de forma alguma por pessoas que tomam ritonavir, devido aos riscos para a saúde. Da mesma forma, o poppers (uma espécie de lança-perfume) não deve ser usado juntamente com o Viagra ou o Cialis em hipótese alguma.
Entre os tratamentos mais antigos para a impotência encontra-se a injeção de alprostadil, um hormônio produzido pela glândula da próstata que altera o fluxo de sangue no pênis. Essa injeção pode ser dada através do Caverject, uma agulha fina usada para injetar o alprostadil no pênis. Esse processo é bem rápido e os efeitos podem durar horas, porém alguns homens o consideram desagradável. Os efeitos a longo prazo são desconhecidos e, além disso, há um limite máximo de três injeções por semana, caso contrário você corre o risco de ter ereções persistentes e dolorosas, conhecidas como priapismo. O alprostadil também é encontrado em forma de pelota, uma espécie de mini-supositório que é inserido na uretra com a ajuda de um aplicador. Esse processo é conhecido como Muse.
Há também uma série de implantes disponíveis, porém precisam ser substituídos com o decorrer do tempo. Um implante semi-sólido de silicone pode deixar o pênis mais firme, mas não rígido. Uma outra alternativa é criar, dentro do pênis, uma cavidade na qual uma haste de silicone é inserida para produzir ereções. As bombas a vácuo, incluindo a Rapport, também encontram-se disponíveis no NHS (Sistema Nacional de Saúde Britânico).
Questões para as mulheres
É possível que a produção irregular dos hormônios femininos, progesterona e estrogênio, provoque menopausa precoce em mulheres HIV-positivas. Sintomas físicos tais como secura vaginal ou cândida, dor ou tensão pré-menstrual aguda (TPM) podem também causar disfunção sexual nas mulheres. Uma terapia de reposição hormonal pode ser recomendada, porém esse processo deve ser monitorado cuidadosamente para evitar que ocorra a masculinização. O uso do Viagra e do Cialis não foram estudados em mulheres.
Apoio psicológico
Caso tenha alguma dúvida com relação a qualquer aspecto da disfunção sexual, esclareça com o seu médico na sua próxima consulta. É provável que ele o encaminhe a um especialista, que pode ser um psicólogo ou psicoterapeuta do próprio hospital. Se seus problemas de disfunção sexual forem de origem emocional, há a possibilidade dos medicamentos não serem suficientes. Nesse caso, algumas sessões com um psicólogo ou conselheiro podem lhe proporcionar o apoio adicional que necessita.
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