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23/NOVEMBRO/07 |
No início dos anos 80 a Aids ainda era uma doença desconhecida pela população e pela maioria dos técnicos de saúde. Até então, achava-se que era uma ameaça apenas para o chamado grupo de risco, como profissionais do sexo, homossexuais e usuários de drogas. Com o rápido avanço da Aids, viu-se que isso era um grande engano e frente a este cenário, os profissionais de saúde iniciaram uma cobrança intensiva junto à área pública por uma posição proativa com relação à ameaça. Assim, a primeira resposta para o enfrentamento da epidemia foi dada pela Secretaria de Estado da Saúde do Estado de São Paulo, que criou, em 1983, o serviço de utilidade pública Disque DST/Aids, que a patir de 1998 passou a contar com o serviço 0800 (0800 16 25 50) para fornecer esclarecimentos à população e aos profissionais de saúde sobre Aids e doenças sexualmente transmissíveis. “O Disque DST/Aids é uma das estratégias que o programa de prevenção do Brasil vem desenvolvendo há alguns anos e, graças a esta iniciativa, hoje, o Brasil é reconhecido mundialmente como referência em tratamento e prevenção do vírus HIV”, ressalta Dreyff de Assis Gonçalves, diretor da área de Informação, Educação e Comunicação e Insumos de Prevenção do CRT-DST/Aids.
O 0800 logo se tornou um importante instrumento público, na luta contra a epidemia. O Disque DST/Aids registra, em média, 300 ligações por mês. Na busca pelo aproveitamento inteligente das informações coletadas pelos profissionais, a Gerência de Prevenção do CRT-DST/Aids, que coordena o Disque DST/Aids, adotou o software estatístico SPSS para ter maior controle sobre os dados do serviço público e entender melhor quais são as principais dúvidas da população referentes às doenças sexualmente transmissíveis e Aids. “A análise das informações com a solução SPSS nos permitiu enxergar de modo ágil o perfil do público que acessa o serviço, o que é de vital importância para nós, pois podemos direcionar as ações de acordo com informações mais precisas, buscando sempre o aprimoramento das atividades de prevenção.”, destaca Gonçalves.
Além disso, a Gerência de Prevenção passou a contar com o suporte das informações extraídas pelo software para melhor organizar a distribuição de insumos em todo o Estado de São Paulo, entre eles, preservativos. “Graças aos registros podemos identificar melhor quais são os pontos que necessitam de uma maior quantidade de preservativos, seja cotidianamente ou em épocas específicas o Carnaval e 1º de dezembro, Dia Mundial da Luta Contra a Aids”, diz Gonçalves.
Por meio do Disque DST/Aids, a população recebe orientação e aconselhamento sobre práticas de sexo seguro, informações sobre serviços especializados para realização de teste anti-HIV, atendimento de DST e tratamento de pessoas portadoras de HIV/Aids. Atualmente o atendimento do serviço é realizado por uma equipe multidisciplinar composta por cinco profissionais. De acordo com o último levantamento da organização, 58,8% das ligações são feitas por homens. As mulheres são responsáveis por 41,2%. A faixa etária que mais utiliza o serviço é entre 20 e 29 anos.
Primeiro obstáculo
Anteriormente, os dados das ligações eram registrados manualmente e não havia eficiência no processo de análise das informações. Assim, era preciso quebrar a barreira da utilização de tecnologia para incorporar a cultura da organização dos dados.
“Trabalhar com informações na área pública é um enorme desafio”, assim Gonçalves aponta o maior desafio enfrentado pela área de Prevenção do CRT-DST/Aids. “Não havia uma cultura de uso da tecnologia para análise e cruzamento de dados. Então, não conseguíamos tirar proveito do mundo de informações que tínhamos”, lembra.
Após a aquisição do SPSS e com um trabalho forte de conscientização da importância da utilização da tecnologia para aprimorar os processos, foi possível mudar este cenário. “Demos um salto de qualidade. Hoje, temos os dados padronizados e a consciência de que trabalhar com dados é essencial”, afirma Gonçalves. Ao todo, quatro colaboradores usam o SPSS para análise de dados.
Informações que valem ouro
Os profissionais registram diversos dados que, embora básicos do ponto de vista de informação, são críticos para o trabalho de prevenção, desde sexo, faixa etária, localização da ligação, comportamento sexual até o motivo pelo qual o cidadão entrou em contato com o serviço. Essas informações são passadas para o SPSS e a partir da ferramenta, a área de Prevenção gera relatórios completos com o cruzamento dos dados. “Com o SPSS, extraímos conclusões confiáveis sobre as informações que chegam ao Disque DST/Aids e a partir daí conseguimos determinar ações mais eficientes e direcionadas, de acordo com os resultados das análises dos dados”, salienta Gonçalves.
Graças ao software, a Gerência de Prevenção do CRT-DST/Aids consegue identificar, por exemplo, quais os tipos de parcerias sexuais predominantes em certas faixas etárias, as formas de prevenção mais conhecidas e usadas, de acordo com a classificação social e dúvidas mais freqüentes sobre várias temáticas, divididas por sexo e idade ao mesmo tempo. Entre essas temáticas estão: dúvidas sobre formas de transmissão do vírus HIV, questionamentos sobre DSTs, informações sobre clínicas e serviços, dúvidas sobre uso de preservativo, entre outras. Estes cruzamentos resultam em dados estratégicos para o melhor andamento do trabalho de prevenção. “Só assim podemos identificar fatores ocultos que são essenciais para aumentarmos a qualidade do serviço e elevar cada vez mais o grau de informação da população sobre prevenção de DSTs e Aids”, aponta Gonçalves.
A ferramenta auxilia o CRT-DST/Aids a avaliar a demanda do atendimento do Disque DST/Aids. Utilizando a variável de freqüência para análise e cruzamento de dados, é possível identificar, por exemplo, quais são as principais dúvidas da população e ainda filtrá-las por sexo, idade, local de residência, etc. “A partir dessas informações, que valem ouro, são criadas orientações específicas sobre determinado assunto, as quais podem ser de âmbito estadual ou mais localizada, como nas principais regiões da cidade de São Paulo; isso, de acordo com o que aponta os relatórios do SPSS”, explica Gonçalves.
Segundo Gonçalves a análise das informações coletadas pelos profissionais são de fundamental importância, pois permitem: avaliar o conhecimento sobre a transmissão da infecção pelo HIV e outras DST; estabelecer parâmetros consistentes para monitorar as situações de vulnerabilidade relacionadas à infecção pelo H
IV, assim como as medidas de prevenção e controle das DST; investigar as desigualdades socioeconômicas do comportamento de vulnerabilidade frente à infecção pelo HIV e outras DST.
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