Documentário retrata mulheres que contraíram o HIV dos seus maridos

0
321

CAIO BARRETTO BRISO

DA SUCURSAL DO RIO

 

Maria Medianeira pensou ter encontrado o homem de sua vida aos 44 anos. Esperou tanto tempo para ter certeza de que escolheria a pessoa certa. Três meses após o casamento, descobriu que seu marido lhe transmitira o vírus que já matou 25 milhões de pessoas no mundo: o HIV.

 

A história de Medianeira e as de Ana Paula Silveira, Cida Lemos, Heli Cordeiro, Michelle Caires, Rosária Rodriguez e Silvia Almeida estão no documentário “Positivas”, de Susanna Lira, que será lançado hoje -com estreia prevista para o primeiro semestre do próximo ano-, no Rio, na véspera do Dia Mundial de Combate à AIDS.

 

Todas as personagens se tornaram soropositivas dentro do casamento ou em relações estáveis. Elas confiavam nos parceiros e decidiram não usar PRESERVATIVO.

 

“A gente acha que o amor imuniza, que AIDS é coisa de artista, que não vai acontecer com a gente. Mas acontece”, diz Cida Lemos, 54.

 

Só quando ela começou a perder os cabelos e a emagrecer -ficou 45 quilos abaixo do peso normal- uma médica pediu o exame de HIV. Pela demora e pelo excesso de medicação errada, que enfraqueceu seu sistema imunológico, ela teve um problema na retina e ficou cega.

 

“O HIV atinge cada vez mais mulheres como as do filme, casadas, comuns”, diz a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. No país, em 2008, foram 37 casos de mulheres com AIDS por dia, segundo o Ministério da Saúde.

 

“O preconceito não é coisa do passado. Outras mulheres também quiseram participar, mas de costas e com voz distorcida. Não aceitei, por achar que isso só confirmaria o preconceito”, diz Lira.

 

As sete mulheres de “Positivas” tiveram que reavaliar suas vidas e mudar as atitudes. “Minha família começou a dizer que eu estava com câncer. Não permiti. Quando assumi o HIV, percebi que poderia ajudar outras mulheres”, diz Cida Lemos.

 

Ela não passa um dia sem cantar. Michelle Caires conseguiu emprego como cozinheira em um restaurante. Maria Medianeira criou a ONG Associação Medianeira Ama Vida. Silvia viaja sempre que pode. Ana Paula cuida de plantas. Heli escreve poesias.

 

No filme, ela cita um poema seu: “Preciso brincar nesta dor, esquecer o que magoa e reescrever a minha história. Se cada pássaro cria seu próprio balé, por que não eu?”.

FOLHA DE S. PAULO

Editoria: Pág. Dia / Mês/Ano:

SAÚDE

30/NOVEMBRO/09


Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Artigo anteriorAids e preconceito (Sexo & Saúde)
Próximo artigoVacina contra HIV/aids ? Particularidades (Artigo)
Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
🌟 25 Anos de História e Dedicação! 🌟 Há mais de duas décadas, compartilho experiências, aprendizados e insights neste espaço que foi crescendo com o tempo. São 24 anos de dedicação, trazendo histórias da noite, reflexões e tudo o que pulsa no coração e na mente. Manter essa trajetória viva e acessível a todos sempre foi uma paixão, e agora, com a migração para o WordPress, estou dando um passo importante para manter esse legado digital acessível e atual. Se meu trabalho trouxe alguma inspiração, riso, ou reflexão para você, convido a fazer parte desta jornada! 🌈 Qualquer doação é bem-vinda para manter este espaço no ar, evoluindo sempre. Se VC quer falar comigo, faça um PIX de R$ 30,00 para solidariedade@soropositivo.org Eu não checo este e-mail. Vejo apenas se há recibos deste valor. Sou forçado a isso porque vivo de uma aposentadoria por invalidez e "simplesmente pedir" não resolve. É preciso que seja assim., Mande o recibo, sem whats e conversaremos por um mês

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.