Declarações do lutador gaúcho no reality show da Globo causam polêmica entre defensores dos homossexuais no Brasil e no Exterior
Conhecido por pautar as discussões de mesa de bar entre janeiro e março, o Big Brother Brasil está abrindo mais um forte debate – o tema agora é a homofobia. Acusado de preconceito contra os homossexuais por parte do público, o gaúcho Marcelo Dourado vem despertando amor e ódio e sendo assunto até de sites internacionais.
Tudo começou quando Dourado disse que homens heterossexuais não contraem AIDS.
– Ela disse assim pra mim: “Marcelo, se a mulher tem AIDS e o homem não tem, ele pode transar com a mulher que ele não vai pegar” – contou ele sobre uma conversa fora da casa.
Surpresa, Elenita (que deixou o programa da Globo em 16 de fevereiro) questionou:
– Homens heterossexuais não pegam AIDS?
Dourado respondeu: “Heterossexuais não”.
Um tempo depois, o gaúcho e Angélica, HOMOSSEXUAL assumida, tiveram forte discussão. – Dourado se irritou porque ela trouxe à mesa o assunto sexo, após ele já ter declarado que não gostava de ouvir e falar sobre o tema durante as refeições. Também brigaram após Dourado tê-la acusado de levar informações sobre seu grupo para o restante da casa. Dourado deu outra declaração que foi interpretada como homofóbica:
– Ela é covarde, primeiro porque é mulher e sabe que eu não bato em mulher, e segundo porque ela sabe que eu não posso agredir ninguém aqui, senão posso ser expulso.
Campeão do BBB 5, o baiano Jean Wyllis, gay assumido, escreveu no Twitter: “A dominação masculina é mesmo eficaz. Ontem, Marcelo Dourado disse que bateria numa mulher LÉSBICA e, mesmo assim, ele vai ficar (…) Talvez a audiência feminina esteja sendo mais complacente com a violência de Dourado pelo fato de esta se dirigir a uma LÉSBICA”.
A revista americana Advocate, voltada ao público gay, deu destaque para o embate entre o lutador e Angélica. No Twitter, o cantor inglês Boy George atacou: “Homofóbico lidera o Big Brother Brasil. Brasileiros, votem para eliminar esse narcisista que odeia gays”.
Professor de Antropologia na Universidade Federal da Bahia e fundador do Grupo Gay da Bahia, Luiz Mott é enfático: os comentários e as atitudes de Dourado são homofóbicos. Como evidência, o professor lista a “ameaça de violência física contra uma LÉSBICA” e “nojo declarado do tema homossexualidade”.
– O que está acontecendo tem dois lados. O negativo é que estimula a intolerância ao HOMOSSEXUAL, e a prova disso é o apoio que diversos artistas estão dando ao Dourado. O positivo é que divulga nacionalmente o conceito de homofobia, muito pouco conhecido até agora – acredita Mott.
Mott lembra que o projeto de lei 122/2006, que está em discussão no Senado, busca proteger os direitos dos homossexuais:
– Esse projeto procura a equiparação dos direitos dos gays com os dos negros, equiparar a homofobia ao racismo.
Pelo Twitter, Claudio Nascimento, carioca e ativista gay e de direitos humanos, refletiu o mesmo ponto de vista de Mott ao escrever: “Dourado BBB: o preconceito contra as mulheres é um absurdo. Contra as lésbicas, é uma chaga. É o troglodismo machista se afirmando!”.
tatiana.tavares@zerohora.com.br
TATIANA TAVARES
O que Dourado já disse:
MAIS UM PAREDÃO
Em seu terceiro paredão, o gaúcho Dourado enfrenta as paulistas Cláudia e Lia hoje à noite no Big Brother Brasil 10.
> Na primeira festa, em uma conversa com Michel enquanto tocava a música I Will Survive, considerada um dos hinos homossexuais, ele disse:
– É o o hino do troço aí, vou ficar longe. Se não é abduzido.
> “Heterossexuais não (contraem o vírus da AIDS)”.
> Após o maquiador e drag queen Dicésar dizer que todo mundo tem uma diva dentro de si, Dourado disse:
– Eu chegar e dizer que todo mundo aqui é macho seria tão ofensivo quanto ele chegar e dizer pra mim que todo mundo tem uma diva dentro.
> “Me desculpa, Dicésar, mas de onde eu venho, homem é homem e mulher é mulher”.
> Sobre a convivência com Dicésar e Serginho, HOMOSSEXUAL assumido:
– Às vezes, pessoas que antes eu poderia rejeitar me tratam melhor do que pessoas que, aparentemente, são normais do meu ponto de vista. A vida ensina muito a gente.
O que diz Marco Antonio Lima Dourado, pai de Dourado:
– O que está havendo é uma heterofobia. É uma liberdade de cada um (ser HOMOSSEXUAL), uma opção de cada um. Agora, se prevalecer porque é HOMOSSEXUAL, isso é heterofobia. Ele é um cara meio grosso mesmo, mas ele nunca falta com o respeito com ninguém.
O que diz Rose de Porto Alegre, mãe de Dourado:
– Sou professora de dança e, para uma pessoa do teatro, da dança, que é uma atividade cheia de homossexuais, não tem nem cabimento ter um questionamento assim. Ele passou a vida inteira convivendo com as bibas! Eu tenho toneladas de amigos gays que riem dessa palhaçada que disseram dele desde o início.
ZERO HORA – RS |
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SEGUNDO CADERNO |
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02/MARÇO/2020 |
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