
Mariângela, que é pediatra e sanitarista e foi diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde de 2006 até 2010, apresentou, em palestra no Departamento, as diretrizes do Unaids sobre prevenção e tratamento do HIV/aids.
Entre os compromissos assumidos pelo Unaids até 2015, está o de reduzir, em 50%, a transmissão sexual do HIV, entre usuários de drogas e o número de mortes por tuberculose em pessoas que vivem com HIV/aids. A garantia de que nenhuma criança nasça com HIV e a redução das mortes maternas relacionadas à aids também estão entre as diretrizes apresentadas.
O Unaids, segundo Mariângela, firmou ainda o compromisso de atingir 15 milhões de pessoas em tratamento antirretroviral até 2015. “Faz parte da nossa missão atuar no fortalecimento de estratégias para o alcance do acesso universal”, explicou.
Nesse sentido, ela citou como exemplo a África do Sul que tem, hoje, 1,2 milhão de pessoas vivendo com HIV/aids em tratamento antirretroviral. “Até três anos atrás, não eram nem cem mil pessoas. O país simplificou a modalidade de tratamento”, disse.
De acordo com a coordenadora de Prevenção do Unaids, a situação atual da epidemia mostra que populações vulneráveis em maior risco de infecção recebem poucos investimentos. “Estudos comprovam que maior cobertura dessas populações pode reduzir a incidência do HIV”, explicou.
Mariângela apresentou a matriz de investimentos da Unaids para uma resposta ao HIV até 2020. No documento, o Programa recomenda investimentos em cinco atividades programáticas básicas: grupos vulneráveis, infecções em crianças e mortes maternas, mudança de comportamento, camisinhas e tratamento.
“A circuncisão masculina também é uma das atividades programáticas previstas, mas apenas em alguns países”, ressaltou. Segundo ela, os gastos atuais de US$ 15 bilhões poderão chegar a US$ 30 bilhões em apenas três anos. “Com essa matriz, em 2015, ao contrário, teremos necessidade de menos recursos financeiros”, defendeu.
O Tratamento 2.0, que trata da simplificação dos esquemas de tratamento, também foi abordado por ela. “Lançado pelo Unaids e encampado pela OMS, ele prevê que os medicamentos sejam fáceis de tomar e de se monitorar, além de menos tóxicos e mais baratos”.
A coordenadora de prevenção do Unaids falou ainda sobre a questão da otimização das drogas usadas na terapia antirretroviral. Segundo ela, já existem três estudos para a redução da dosagem. “Outras estratégias são melhorar a rota de síntese e a biodisponibilidade, substituir componentes e investir na co-formulação (dose fixa combinada)”, disse.
Mariângela finalizou sua palestra apresentando os novos testes rápidos, e que já estão disponíveis em alguns países. “Além do exame para HIV, há o de carga viral, o CD4 e o de crianças. O Brasil também precisará disponibilizá-los”, concluiu.
Redação da Agência de Notícias da Aids
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