Em vez de doentes, ambulância leva e traz material de construção

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Bernardo Barbosa

Leonardo Gorges

Em vez de fazer o transporte de pacientes, uma ambulância da empresa Remocenter, com o logotipo do Hospital do Andaraí, da rede federal, foi flagrada, no sábado, por um leitor fazendo “frete” de material de construção em frente a uma loja na Barra da Tijuca. A foto, feita por José Marcos Werneck para a seção Eu-Repórter do GLOBO, levou a direção do hospital a informar ontem que vai abrir um processo administrativo para apurar as circunstâncias em que o veículo era usado, o que pode culminar com a suspensão do contrato com a empresa.

Na foto, um homem, com a ajuda de uma empilhadeira, abastece a ambulância de placa EKL-7858 da Remocenter, de Guarulhos, na Grande São Paulo – onde fica a sede da empresa -, com sacos de argamassa e caixas de piso. Segundo Werneck, o motorista do veículo vestia bermuda e camiseta e não tinha qualquer indentificação do hospital ou da Remocenter.

– Ele disse que o carro estava voltando da oficina e fora de serviço. Então, o transporte de material de construção poderia ser feito. Fiquei indignado – afirmou Werneck.

O flagrante foi em frente à loja Inove Home Center, na Avenida Ayrton Senna. O gerente do estabelecimento, Jorge Alexandre, disse não ser possível confirmar quem levou a mercadoria, assim como quem pagou por ela:

– Como o cupom fiscal só tem uma via, não temos como saber o nome da pessoa. Pela quantidade de material embarcado, há cerca de R$ 1 mil em produtos – estimou o comerciante.

Para o infectologista e professor da UFRJ, Celso Ramos, a presença de material de construção dentro da ambulância pode trazer riscos a pacientes que sejam transportados pelo veículo:

– O pó que se desprende do material com o movimento do veículo pode conter fungos e bactérias. Obviamente, é um absurdo. Mas me parece que o problema técnico não é o maior, mas sim o administrativo.

Em nota, a direção do Hospital do Andaraí informou que “o ocorrido será apurado conforme a legislação prevê, com a abertura de um processo administrativo, onde a empresa apresentará justificativas que poderão ou não ser passíveis de aplicação de penalidades, que vão desde advertências até a suspensão do contrato”. Segundo a direção, a ambulância havia sido retirada de circulação na semana passada pela Remocenter “para a realização de manutenção regular, conforme previsto em contrato de revisão mecânica” e voltou a circular no domingo.

Assim como o hospital, a Remocenter informou que a ambulância “estava em manutenção” na oficina credenciada e seria entregue à empresa por um funcionário. Ele seria, de acordo com a firma, a pessoa que comprava material de construção e o colocava na ambulância. Por meio de nota, o gerente administrativo da Remocenter, Humberto Muñoz, disse que a Remocenter foi “pega de surpresa com essa situação, e de forma alguma autoriza esse tipo de transporte.” Muñoz disse que “o fato ocorrido é lamentável” e garantiu que trocará imediatamente de oficina.

Ainda de acordo com ele, todas as ambulâncias da Remocenter dispõem de serviço de rastreamento, mas, durante a manutenção, ele é desabilitado com o intuito de não gerar alertas desnecessários. Ele alegou que os usuários do serviço não foram prejudicados porque há sempre uma viatura de prontidão para substituir aquelas que estão em manutenção. Ele também garantiu que as ambulâncias passam por um processo de higienização completa depois que saem da oficina. A Remocenter, no entanto, não quis divulgar o nome da oficina responsável pelo serviço.

Somente até fevereiro deste ano, a Remocenter já recebeu R$ 119, 9 mil do Ministério da Saúde pelo serviço de remoção de pacientes do Hospital do Andaraí. A empresa também presta o mesmo serviço para os hospitais Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, e da Lagoa, ambos federais. Em 2011, o Ministério da Saúde pagou R$ 2,7 milhões à empresa, sendo R$ 1,6 milhão (60% do total) apenas pela prestação de serviço ao Hospital do Andaraí.

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O GLOBO | RIO

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01/05/2012

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