, EUA e Brasil divergem sobre acesso a remédios Jamil Chade O Brasil vai apresentar à Organização Mundial da Saúde (OMS) uma proposta de estratégia internacional que garanta acesso a remédios contra Aids e permita que recursos sejam destinados à produção de medicamentos para doenças até hoje negligenciadas. A proposta ainda prevê maior acesso a remédios para câncer e outras enfermidades que começam a crescer nos países emergentes. O governo americano, porém, já faz um intenso lobby nos bastidores para tentar minar a proposta brasileira e enviou a todos os governos latino-americanos uma carta pedindo para que retirem seu apoio à idéia de Brasília.A OMS debate desde 2003 uma estratégia para garantir que os países tenham acesso a remédios. Mas os governos não conseguem chegar a um acordo. Para tentar superar o impasse, a entidade convocou para esta semana os 191 membros da organização.Pela proposta do Brasil, caberia à OMS enviar técnicos aos países para orientar eventuais quebras de patentes. Outra sugestão brasileira é que acordos comerciais entre países ricos e pobres não incluam leis de patentes mais rígidas que as já existentes no sistema internacional. Nos últimos anos, Washington e Bruxelas vêm fechando acordos com uma série de governos em que a proteção da propriedade intelectual é um dos pilares.Pela primeira vez, os emergentes também querem preços acessíveis não apenas para a compra de remédios contra Aids, mas também garantias de acesso a medicamentos para câncer e diabete.Para completar, o governo brasileiro defende a criação de um mecanismo internacional para financiar a pesquisa em remédios para doenças que afetam só países pobres e, por isso, não são colocados no mercado pelas multinacionais do setor.PRESSÃOA reação americana está sendo forte. Washington vem procurando os delegados de cada país latino-americano para pedir que retirem seu apoio à proposta brasileira.Em carta enviada às capitais dos países da América Latina, a Casa Branca alerta que a proposta do Brasil pode “atrasar significativamente” um acordo. Além disso, alertam que a OMS não deve ser quem “coloca os parâmetros” para negociações de acordos comerciais.Segundo a delegação brasileira nas negociações, o México foi o único país latino-americano que evitou dar apoio à proposta.
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