Estudo sobre prevenção do HIV com o uso de antirretrovirais deve ter resultados divulgados no Brasil até o fim do ano
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| No Brasil, o estudo é feito em São Paulo e no Rio de Janeiro. Um dos condutores do projeto no País é o médico infectologista Esper Kallás da Faculdade de Medicina da USP. Até o fim do ano, o Iprex deve ter resultados sobre sua eficácia divulgados pelos pesquisadores principais. O tema, no entanto, é frágil para alguns ativistas. Na existência de comprovação desse método, eles temem que o projeto possa banalizar e desestimular o uso do PRESERVATIVO na população – mesmo a iniciativa sendo voltada somente para grupos vulneráveis ao HIV. “Vamos organizar um curso para jornalistas sobre esse tema para garantir que a comunicação seja de forma correta sobre os dados da pesquisa”, explicou Kallás. O workshop deve acontecer em São Paulo no dia 4 de novembro e no dia seguinte no Rio de Janeiro. A profilaxia pré-exposição seria uma alternativa complementar ao uso do PRESERVATIVO para evitar a infecção pelo HIV. O motivo é que ainda não é conhecida a possibilidade de um paciente criar resistência ao medicamento ao longo do tempo, em casos de infecção do HIV. A pesquisa Iprex é financiada pelo governo americano, por meio do National Institutes of Health, e é promovida no Brasil pela USP, UFRJ e Fundação Oswaldo Cruz, Os voluntários na pesquisa usam um remédio que tem a combinação de dois ANTIRRETROVIRAIS: o tenofovir e a entricitabina. Os participantes do evento questionaram se o mundo teria capacidade de produzir esse ou outros medicamentos em larga escala caso seja comprovada a eficácia de prevenção com ANTIRRETROVIRAIS. Para o representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) Kevin O’ Reilly, “os cientistas pesquisam produtos que possam combater a epidemia e cada país e o mercado regulam essa questão”. Pelo menos mais de cinco estudos de profilaxia pré-exposição são conduzidos no mundo com a utilização de medicamentos por via oral, sendo a maioria com o tenofovir. Balanço Os participantes do evento consultados pela reportagem avaliaram que a Prep foi o tema mais polêmico no seminário que terminou na tarde desta sexta-feira. “Mas, a parte positiva é que percebo um amadurecimento das pessoas com o tema. Ninguém descarta o uso dos remédios como alternativa de prevenção”, disse uma das coordenadoras do projeto Praça Onze (nome dado a um conjunto de pesquisas em HIV/AIDS) na Universidade do Rio de Janeiro Mônica Barbosa. O militante do Grupo de Incentivo à Vida (GIV) e um dos organizadores da atividade Jorge Beloqui afirmou que o objetivo foi preparar a sociedade civil com novos temas em prevenção que vão ser discutidos nos próximos anos. “Não podemos ser pegos de surpresa. É uma realidade que as pessoas precisam discutir mais, outras maneiras de prevenção. A programação foi pensada neste sentido”, explicou. Mesmo assim, o membro do Fórum de ONG/AIDS do Rio Grande do Sul Rubens Raffo demonstra preocupação com o tema. “Não creio que a sociedade brasileira esteja preparada para debater este tema e acho que um anúncio sobre a Prep pode desmobilizar a prevenção com o uso de camisinhas.” Já o militante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS na Bahia Moysés Toniolo diz não saber o impacto do uso de remédios na prevenção. “É um ponto sensível para todo mundo, não sabemos se o governo brasileiro teria capacidade de fornecimento para todos que procurem essa alternativa de prevenção”, disse. O “Seminário sobre Novidades na Prevenção do HIV” teve apoio da Iavi (Iniciativa Internacional de Vacina contra a AIDS), da Avac (Coalização para Promoção da Vacina Contra a AIDS), da OMS (Organização Mundial da Saúde) e do CRT (Centro de Referência e Treinamento em DST/AIDS). AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA AIDS | NOTÍCIAS |
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