No próximo domingo, o Cazuza mais consistente
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Depois de Meus Caros Amigos, de Chico Buarque, que chega hoje às bancas, no próximo domingo (31/10) será lançado Ideologia, de Cazuza, terceiro volume da Grande Discoteca Brasileira Estadão. Como de costume, o disco será acompanhado de um livrete de aproximadamente 60 páginas, com informações biográficas do artista, contexto social, político e cultural da época e discografia relacionada. Bastaram 32 anos e 11 discos para Cazuza escrever definitivamente seu nome na história da música popular brasileira. Dos álbuns, os cinco primeiros foram feitos com o Barão Vermelho. Os seis restantes vieram de 1985 a 1991, em uma carreira-solo precocemente interrompida pela morte em decorrência dos efeitos do vírus HIV. Na trajetória pós-Barão, Ideologia é o terceiro disco de Cazuza e o mais consistente, com equilíbrio entre o novo rock nacional dos anos 1980 e outros temas de amor rasgado. Tal mescla já havia aparecido em Exagerado (1985), com, por exemplo, a composição que batiza o disco, em parceria com Leoni, e Codinome Beija-Flor, e depois, novamente explorada no segundo disco da carreira-solo, Só Se For A Dois (1987), com a belíssima O Nosso Amor A Gente Inventa. Mas foi em 1988, depois de retornar dos Estados Unidos, quando testes já haviam revelado que Cazuza era portador do vírus HIV, que ele lança Ideologia, ainda com a voz firme para levantar a bandeira do amor livre e também questionar o cenário político de um Brasil que ainda patinava na democracia. Com produção do próprio Cazuza, Nilo Romero e o craque Ezequiel Neves, que faleceu em julho deste ano, o álbum estourou com temas como Ideologia (parceria de Cazuza e Roberto Frejat), Brasil (dele com George Israel e Nilo Romero), que chegou a ser tema de abertura de novela, e Faz Parte Do Meu Show (com Renato Ladeira). Havia ainda outros com Roberto Frejat, como Vida Fácil e Blues da Piedade, além de Gilberto Gil, em Um Trem para As Estrelas, Ritchie, em Guerra Civil, e Dé Palmeira, em Minha Flor, Meu Bebê. Timbres. Contando com arranjos de Romero, João Rebouças, Torcuato Mariano, Zé Luis e Waltel Branco, o disco consegue soar uniforme mesmo com as variações de timbre e instrumentação de uma faixa para outra. Não tem como abrir qualquer enciclopédia que conte a história da música popular brasileira na década de 1980 e não deparar com o forte Ideologia, disco mais representativo da carreira de Cazuza. No trabalho seguinte, gravado ao vivo, ele ainda manteria o mesmo sucesso, com a antológica O Tempo Não Para, e uma série de sucessos de sua carreira, vendendo mais de 500 mil cópias na época. O último álbum de Cazuza, Burguesia, teve vendas mais modestas, com o compositor e cantor já abatido pela doença. GRANDE DISCOTECA BRASILEIRA ESTADÃO IDEOLOGIA. Polygram/Philips Nas bancas, dia 31/10, R$ 14,90 O ESTADO DE S. PAULO – SP | CADERNO 2 |
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