O tabaco aumenta o risco de cancro nos pulmões nas pessoas seropositivas
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O tabagismo é o fator de risco mais importante para o cancro no pulmão em pessoas que vivem com VIH, segundo reportam os investigadores suíços na edição online do British Journal of Cancer.
“Centrarmo-nos em meios para ajudar as pessoas a deixar de fumar seria eficaz na redução do número de casos de cancro no pulmão”, comentam os investigadores.
O cancro do pulmão é um dos cancros definidores de SIDA mais comuns observado em pessoa que vivem com VIH. Tal, poderá dever-se a uma larga proporção de fumadores entre as pessoas seropositivas, sendo que os estudos desenvolvidos mostram uma relação consistente entre o tabagismo e o cancro no pulmão nas pessoas seropositivas.
Contudo, alguns investigadores encontraram uma ligação entre o tumor maligno e deficiência imunitária. A juntar, outros estudos demonstraram que os doentes com um historial de doença pulmonar definidora de SIDA estão em maior risco de desenvolver cancro no pulmão. É importante salientar que as associações identificadas nestes estudos permanecem significativas após o controlo do estatuto do fumador.Dada esta confusão, os investigadores da Swiss HIV Cohort desenharam um estudo de caso controlado para melhor identificar os fatores associados ao aumento do risco de cancro no pulmão nos seus doentes.
Os doentes que receberam cuidados de saúde na Suíça, entre 1985 e 2010, foram elegíveis para inclusão no estudo. Cada doente com cancro no pulmão foi associado a cinco doentes que não desenvolveram tumores malignos. O grupo de doentes controlo tinham a mesma idade, género e pertenciam ao mesmo grupo de transmissão dos doentes com cancro.
Um total de 68 doentes com cancro no pulmão foi identificado, associado a 337 doentes controlo.
A maioria dos doentes com cancro eram homens (79%) e a média de idade foi de 50 anos. A grande maioria dos casos (87%) foi diagnosticada após a introdução da TARVc, em 1996. Os investigadores acreditam que tal “pode estar fortemente associado ao aumento dos anos de vida das pessoas infetadas pelo VIH”, desde a introdução da terapêutica antirretroviral altamente eficaz.A sobrevivência foi baixa, verificando-se que apenas 14% dos doentes estavam vivos dois anos após o diagnóstico de cancro.
A prevalência de fumadores foi elevada. No total, 85% de doentes com cancro no pulmão reportaram que continuavam a fumar e 6% tinham parado. Houve uma prevalência de 50% de fumadores entre os doentes controlo e um quarto deste tinha fumado no passado.
Houve uma forte associação entre o cancro no pulmão e o tabagismo (OR vs nunca tinham fumado = 14.4; 95% CI, 3.36-16.6).
“Observámos uma prevalência elevada de fumadores…e os esperados fortes riscos de cancro no pulmão entre fumadores”, enfatizam os investigadores.Ex-fumadores tinham um risco significativamente menor de desenvolver cancro do pulmão quando comparados aos fumadores (OR = 0.22; 95% CI, 0.08-0.59).
“Os benefícios dos efeitos de deixar de fumar parecem, em termos relativos, igualmente importantes nas pessoas que vivem com VIH e na população em geral”, sugerem os autores.Ao contrário de investigações anteriores, não foi encontrada evidência de que o diagnóstico de SIDA com ou sem doença pulmonar esteja associado ao cancro no pulmão.
Também não foi encontrada associação entre a imunodeficiência e o risco aumentado de cancro no pulmão. O uso da TARVc não aumentou o risco de desenvolvimento de cancro do pulmão.“O nosso grupo de controlo cuidadosamente selecionado …não indica evidência de um efeito significativo da imunodeficiência relacionada com o VIH ou risco de cancro nesta população de risco,” escrevem os investigadores. “Nenhum dos marcadores de doença ou imunodeficiência relacionado com o VIH, incluindo uma baixa contagem de células CD4, carga viral elevada ou historial de SIDA ou de doença pulmonar associada à SIDA, demonstrou qualquer associação ao cancro no pulmão.”
Referência
Clifford GM et al. Lung cancer in the Swiss HIV cohort study: role of smoking, immunodeficiency and pulmonary infection. British Journal of Cancer, online edition. DOI: 10.1038/bjc2011.558, 2011 (clique aqui para aceder gratuitamente ao abstract).
Michael Carter
Tradução
GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
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