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NAIRA SOUSA A precariedade nos serviços de saúde no Município de Amajari, a 154 km da capital, tem colocado em risco as pessoas que residem no local. Com a falta de médicos para atender na unidade mista Hospital Jair da Silva Mota, localizado na rua José Pereira da Silva, os enfermeiros de plantão são obrigados a atender e prescrever receita médica, conforme os moradores que entraram em contato com a Folha. De acordo com o leitor, se o enfermeiro se recusar a atender no lugar do médico, ele é ameaçado de advertência e até multa. “Como os profissionais trabalham em regime de plantão, não tem como dois médicos atenderem durante o dia e na emergência no período da noite. Além disso, o quadro de funcionários de enfermagem também não é suficiente”, relatou ao mostrar uma receita. Na receita entregue à Folha, carimbada e assinada por uma enfermeira cadastrada no Conselho Regional de Enfermagem de Roraima (Coren/RR), no dia 20 de outubro ela prescreveu para a um paciente de 18 anos os seguintes remédios: Ácido F. 30g, Sulfato de Ferro 30g e Cefalexina, que é um antibiótico (substâncias com a finalidade de combater microorganismos causadores de infecções no organismo). A estudante A.M. disse que a situação na unidade médica piora nos finais de semanas. “Se a pessoa chega lá [hospital] com um problema que não seja muito grave, ela não é atendida, pois os médicos e enfermeiros só atendem casos gravíssimos. Enquanto isso, as outras pessoas têm que esperar o outro dia, como já presenciei pacientes com febre ou outro sintoma voltarem para casa”, disse. Outra moradora afirmou que a saúde pública no Amajari é um problema antigo. “Os médicos e enfermeiros que lá trabalham fazem de tudo para atender a demanda, mas são poucos. Se os enfermeiros atendem, como eu já fui atendida, é porque não tem outra opção. Essa é a maneira que os profissionais acharam para não deixar os doentes esperando”, relatou a dona de casa que pediu anonimato. COREN – A presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Roraima (Coren/RR), Tereza Cristina Santos, informou que uma equipe vai se deslocar ao Município de Amajari para averiguar a situação. Mas ela explica que existem alguns programas do Ministério da Saúde que beneficiam pacientes com doenças como a TUBERCULOSE em que os enfermeiros são capacitados para atender e prescrever o medicamento que está na lista do programa, inclusive antibiótico, não tirando a função do médico. O paciente tem que fazer parte de um dos programas, como o Estratégia e Saúde da Família. “Após a pessoa comparecer ao posto de saúde com os sintomas, ela passará por exames. Se confirmado, o paciente ingressa no cadastro daquela unidade de saúde. Para atendê-lo o enfermeiro passa por uma capacitação”, disse Tereza. Confirmada a denúncia de que os enfermeiros do Hospital Jair da Silva Mota estariam atuando na função de médico, o profissional vai responder penalidades baseadas no Código de Ética do Enfermeiro. “Para o Coren, isso é uma denúncia. Temos que checar junto ao profissional para saber qual a circunstância e analisar o prontuário da paciente. Certamente a denúncia só vai reverter em benefício da população, pois as pessoas que cometem erro no seu afazer profissional geram prejuízos para o usuário do serviço. Isso serve para qualquer uma categoria profissional”, frisou. Ela explicou que se o problema gerado nesta unidade for consequência da ausência de médico, alguém vai ter que responder. “Se esse for o caso, seja o gestor, a enfermeira ou o médico escalado para atender em Amajari, vamos averiguar e alguém vai ter que relatar. A função do conselho é identificar essas pessoas e defender a sociedade dos erros que possam causar”, disse Tereza. CRM – O corregedor do Conselho Regional de Medicina de Roraima (CRM/RR), Nilo Brandão, informou que a denúncia de que enfermeiros estariam atuando no lugar de médicos tem que ser protocolada junto ao CRM. “Depois de protocolado, o CRM e o Coren irão averiguar o acontecido”, afirmou. Brandão disse que a venda de antibiótico está sendo controlada, conforme normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As medidas valem para mais de 90 substâncias antimicrobianas, que abrangem todos os antibióticos com registro no país. O objetivo da é ampliar o controle sobre essas substâncias, principalmente após o aumento do número de contaminações pela superbactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC). SESAU – A assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) informou que a unidade mista de Amajari possui dois médicos lotados para atender a população. Quanto à denúncia dos enfermeiros que supostamente estariam prescrevendo receitas, o caso será apurado pela Sesau. “Orientamos ao usuário do Sistema Único de Saúde que qualquer denúncia, reclamação ou sugestão pode ser feita nas ouvidorias ou direções das unidades de saúde. No prédio da Sesau também tem disponível este canal, que funciona de 7h30 as 13h30”, diz a nota. (N.S)
FOLHA DE BOA VISTA – RR | CIDADES |
Enfermeiros estão prescrevendo receitas
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