Segunda, 30 de novembro de 2009, 20:33
Por: Lívia Gandolfi
O Regional
Richard Rodrigues Ferreira, coordenador do Programa DST/AIDS
Em 1998, José Carlos (nome fictício) descobriu que era portador do vírus HIV. Essa descoberta fez com que seu mundo, literalmente, desabasse. “Foi um choque e eu acreditei que fosse morrer. Tudo de pior passa pela cabeça de uma pessoa que, até então, era saudável e recebe o diagnóstico de uma doença que não tem cura”, recorda.
De repente, José Carlos começou a ter febre, diarréia e alucinações. Ele procurou o Hospital Emílio Carlos, onde permaneceu internado e passou por uma série de exames.
“Foi a partir desses exames que detectaram a AIDS. Acredito que peguei a doença da minha ex-mulher”, afirma.
Por ser espírita, ele pediu a ajuda de mentores espirituais. Sua mãe fez diversas promessas.
“O tempo foi passando, as coisas foram se encaminhando e eu percebi que poderia conviver com a doença. Eu me candidatei a vereador e consegui quase 50 votos, fui o único soropositivo a se candidatar para um cargo público. Hoje, levo uma vida normal. Tomo coquetel e vou ao médico a cada três meses”, afirma.
José Carlos tem um filho de 13 anos e sua principal recomendação é que o adolescente sempre use preservativo, para evitar a doença.
Nesta terça-feira, 1º de dezembro, as atenções se voltam para o tema, pois hoje se comemora o Dia Mundial de Luta Contra AIDS, uma doença que, nos anos 90, levava à morte em um tempo relativamente curto.
Porém, com o surgimento do coquetel (combinação de medicamentos responsáveis pelo atual tratamento de pacientes HIV positivo) as pessoas infectadas passaram a viver mais. Esse coquetel é capaz de manter a carga viral do sangue baixa, o que diminui os danos causados pelo HIV no organismo e aumenta o tempo de vida da pessoa infectada.
CONSCIENTES
Em todo o Estado de São Paulo, é realizada a Campanha ‘Fique Sabendo’, com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a importância da realização do exame para a detecção da doença.
No município, 20 unidades de saúde – exceto da Vila Sotto – receberam os kits para a realização do exame. Ao todo, foram enviados para a cidade 900 kits, que foram distribuídos conforme a necesSIDAde de cada postinho.
“Não temos um balanço da campanha. Mas a estimativa é que 400 pessoas já tenham feito o exame, até agora”, afirma o coordenador do Programa Municipal DST/AIDS, Richard Rodrigues Ferreira.
O número está acima do esperado. Segundo ele, a conscientização e a informação são os vetores responsáveis por levar a população até as unidades de saúde de Catanduva.
Nesta terça-feira, os exames podem ser feitos ainda nos postinhos dos bairros. Além disso, existe um serviço permanente, o Serviço de Atendimento Especializado (SAI), que funciona no Hospital Emílio Carlos.
Ainda hoje, haverá uma programação especial alusiva à data. Das 17 às 18 horas, será encenada a peça teatral ‘Ambulante’, em parceria com o Galpão 6, que alerta para a importância do uso de preservativo.
A peça começará na Praça da Matriz, percorrerá a rua Brasil e terminará em frente à Prefeitura de Catanduva. Durante o trajeto, serão distribuídos materiais educativos e preservativos para a população.
“As pessoas precisam tomar consciência sobre se preservar do HIV usando preservativo, que é o único método eficaz contra a transmissão da doença”, comenta Ferreira.
Além das atividades realizadas pelo DST/AIDS, a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+) promove uma exposição fotográfica, intitulada ‘Direitos Humanos, direito de todos’, que tem início hoje, na Estação Cultura.
“Esse foi o tema trabalhado no projeto ‘Ação Positiva: a vida sob um novo ângulo’, que envolve 16 jovens de comunidades desfavorecidas socialmente e que vivem ou convivem com a doença”, comenta a socióloga da instituição, Fabiana de Oliveira.
PRECONCEITO
O principal problema enfrentado pelos soropositivos ainda é o preconceito.
“Muito me impressiona saber a quantidade de pessoas com instrução, mas que ainda não conhece as formas de contágio da AIDS, o que gera o preconceito”, salienta Ferreira.
As principais perguntas feitas são: se AIDS pega através do beijo, em acentos de vasos sanitários e no preparo de alimentos.
“Só se contrai o vírus HIV através da relação sexual, sem uso do preservativo, e do contado direto do sangue, pela transfusão e uso de drogas injetáveis”, enumera.
Atualmente, as transfusões de sangue são extremamente rigorosas, sendo feitas apenas após uma série de exames que indiquem a presença de alguma doença.
“As drogas injetáveis são muito caras e pouco consumidas na cidade e região”, diz Ferreira.
O perfil do soropositivo
Até 31 de dezembro de 2008, o Grupo de Apoio e Solidariedade ao Paciente com AIDS (GASA) tinha 163 mulheres e 210 homens cadastrados em seus programas.
Do total de pessoas portadoras do vírus HIV, 56,32% estão na faixa etária dos 26 aos 40 anos; 75,18% têm apenas o primeiro grau incompleto; 55,61% são solteiros; 84,96% são de Catanduva, 53,65% são heterossexuais; 28,91% são usuários de drogas, 7,81% são homossexuais e 6,25% são bissexuais.
O GASA foi constituído em 1991 e oferece atendimento social, psicológico, jurídico, além de oficinas de terapia ocupacional e projeto de geração de renda.
“Atualmente, 30 pessoas vêm ao GASA todos os dias. Eles trabalham na confecção de embalagens de TNT, bordado em pano de prato, bijuterias. Esse material é vendido e 80% do valor arrecadado é repassado para eles, como forma de obter uma renda. O restante fica para o GASA suprir suas despesas”, explica a assistente social Mileide Moraes Portapila.
“Os interessados podem fazer seu cadastro, trazendo os documentos pessoais e uma cópia do resultado do exame, que comprove que a pessoa é soropositiva”, afirma.
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01/DEZEMBRO/09 |
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