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10/JANEIRO/08 |
Febre amarela: Quem não pode se vacinar deve procurar orientação médica
Mariana Branco
Do CorreioWeb
09/01/2008
15h08-Quem faz parte dos grupos de pessoas que não podem se vacinar contra a febre amarela – gestantes, alérgicos a ovo, imunodepressivos –só deve se imunizar em caso de risco extremo e sob orientação e acompanhamento médicos. Como, por enquanto, não há caracterização de surto no Distrito Federal, a recomendação é para que as pessoas não se vacinem e evitem viajar para regiões endêmicas.
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O médico-sanitarista Pedro Tauil, da Universidade de Brasília, explica que os imunodepressivos podem procurar os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Cries), disponíveis em alguns hospitais regionais da rede pública do Distrito Federal.
“Cada caso é um caso. As pessoas que têm câncer, ou fizeram transplante, podem verificar o seu nível imunológico nesses locais”, detalha. Os locais que têm Cries são o Hospital Regional de Ceilândia (HRC), Hospital Regional de Taguatinga (HRT), Hospital Regional da Asa Sul (Hras) e Hospital Regional da Asa Norte (Hran). As doenças que baixam a imunidade ou exigem tratamentos imunosupressores são Aids; câncer (tratamentos como quimioterapia e radioterapia); resfriados, febre e problemas respiratórios (geralmente tratados com corticóide) e recuperação pós-transplantes.
Quanto às gestantes, segundo Tauil, o período em que a vacina oferece maior risco é até o terceiro mês de gravidez. Nesse caso, a imunização pode ocasionar má-formação do feto. “A partir daí, é preciso avaliar a questão do risco-benefício. Só em caso de muito risco elas devem consultar o obstetra e avaliar se devem tomar a vacina”, diz. Para os alérgicos a ovo, que de acordo com o médico são “raríssimos”, vale a mesma coisa. “Se necessária a vacina, o ideal é que a pessoa fique internada e sob observação para prevenir uma reação alérgica grave”, conclui.
Dúvida
A secretária executiva Narleide Santana Mota, 39 anos, é alérgica a ovo e não imunizada. Ela está assustada com a morte, nesta terça-feira, do morador de Brasília Graco Abubakir, 38 anos, com forte suspeita de febre amarela. A Secretaria de Saúde garante que a hipótese mais provável é de que Graco tenha adquirido a doença em Pirenópolis (GO), onde passou o Ano Novo. Mesmo assim, a notícia de que ele havia morrido provocou uma corrida aos postos de vacinação do DF ontem.
“Fui ao posto da 605 Sul me vacinar e descobri na fila que não poderia ser atendida por causa da alergia a ovo. Perguntei à enfermeira o que deveria fazer para me proteger e ela disse que não sabia. Fico surpresa com as entrevistas sobre o assunto que tenho visto, pois se fala de tudo, menos do risco para essa parcela da população – de alérgicos, gestantes e outros”, comenta Narleide. Ela afirma que pediu ainda às filhas e a amigos que foram se vacinar que perguntassem sobre o assunto em outros postos de saúde. Em todos, a resposta foi a mesma: não havia orientação específica da Secretaria ou Ministério da Saúde para esses grupos.
O CorreioWeb procurou a assessoria de comunicação do Ministério da Saúde, que não retornou as ligações. No Disque-Saúde, central de atendimento gratuita do órgão para orientar a população, uma funcionária afirmou que as únicas informações disponíveis sobre febre amarela diziam respeito à definição da doença e ao tratamento. Já a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde afirmou que as gestantes não devem tomar a vacina e que a melhor medida de proteção é evitar viajar. Já os alérgicos a ovo e pessoas com imunidade baixa devem, segundo o órgão, procurar orientação médica pessoal.
Postos cheios
Nesta quarta-feira, a movimentação nos postos e centros de saúde do Distrito Federal continuou intensa. O DF recebeu reforço de mais 100 mil doses de vacina do Ministério da Saúde. A média de espera nas filas para ser vacinado é de uma hora, na maioria dos lugares. A Secretaria de Saúde pediu às pessoas que estejam com a vacina dentro do prazo de validade da para não se imunizarem.
No Centro de Saúde nº 10, Lago Norte, a aposentada Eulina Paiva Neto, 72 anos, esperou uma hora e quarenta minutos e não pôde ser imunizada: só descobriu no momento em que informava seus dados que a vacina é desaconselhada para quem está fazendo uso de medicamentos com corticóide, substância que é imunosupressora. “Eu acho que está faltando informação. A gente só está tomando conhecimento das restrições após esperar muito tempo na fila”, reclamou a aposentada.
Por determinação do governo do DF, durante o mês de janeiro os postos de saúde do DF vão oferecer a vacina contra a febre amarela de segunda a domingo, das 8h às 17h. O horário de almoço dos funcionários será reduzido, se a demanda exigir. Até o momento, cerca de 370 mil pessoas foram imunizadas. Endereços dos 98 postos e centros estão disponíveis na página da Secretaria de Saúde, no endereço http://www.saude.df.gov.br, na seção Endereços e Telefones.
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