![]() Geriatras se dividem sobre uso de hormônios e vitaminas contra o envelhecimento Terapias que prometem combater os efeitos do envelhecimento, usando vitaminas, antioxidantes e hormônios, não têm comprovação científica de sua eficácia e podem aumentar os riscos de diabetes e câncer. O alerta é de especialistas brasileiros e estrangeiros que participam do Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, no Rio de Janeiro. Eles, agora, se preparam para elaborar um documento que subsidie o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na formulação de novas regras que coíbam a prática da chamada “medicina antiaging” no País. Oficialmente, ela não é reconhecida como especialidade médica, mas não há punição para quem a pratica. Um dos vilões dessa terapia é o hormônio do crescimento (GH), que tem indicações muito restritas (pessoas com nanismo, pacientes renais crônicos e portadores de HIV, por exemplo), mas que hoje é prescrito com o objetivo de ganho de músculos e queima de gordura. Segundo a geriatra Elisa Franco, da Câmara Técnica de Geriatria do CFM, 60% das indicações desses hormônios são off label, ou seja, por conta e risco do médico que os indicam, sem amparo científico de que sejam eficazes e seguros para esses casos. TUMORES E DIABETES Estudos mostram que essas drogas dobram o risco de tumores de fígado e aumentam em quatro vezes as chances de a pessoa desenvolver diabetes. Também há relatos de hipertensão e acromegalia (crescimento de órgãos, inclusive o coração). Para o geriatra Thomas Perls, professor da Escola de Medicina da Universidade de Boston (EUA), médicos que estão propondo essa terapia para retardar o envelhecimento são “antiéticos e antiprofissionais”. “Há muito lobby e dinheiro nisso. Nos EUA, não conseguimos muita coisa ao tentar coibir a prática. Espero que vocês tenham mais sorte.” Outra crítica foi em relação à venda dos chamados hormônios bioidênticos, que também retardariam a velocidade do envelhecimento. Produzidos em laboratório, passam por um processo industrial de síntese, com modificações na sua estrutura química. “Não existe nenhum estudo científico sério que ateste algum benefício desses hormônios”, afirmou a presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Silvia Pereira. “Não entendo porque o alarde. Os bioidênticos são produzidos e registrados no mundo todo”, diz Edson Luiz Peracchi, presidente da Academia Brasileira de Medicina Antienvelhecimento. Outros hormônios (como testosterona e tireoidiano) e vitaminas (E, C e betacaroteno) têm sido indicados com o mesmo objetivo, mas, segundo os especialistas, sem evidências científicas. SAIBA + Um dos riscos da ingestão desnecessária de vitaminas é a sobrecarga dos rins. Pesquisas recentes também associaram a vitamina E a um risco maior de câncer de próstata. “Em geral, quem tem acesso a essa tal de medicina “antiaging” é a elite. São pessoas que têm acesso ao conhecimento, mas preferem se iludir”, diz Silvia Pereira. Já para Olszewer, especialista em ortomolecular, a geriatria tem estado “estacionada” nos últimos anos e muitos profissionais passaram a praticar a ortomolecular. Segundo ele, no entanto, o rótulo “antienvelhecimento” não é adequado e é usado como chamariz. Críticas do outro lado O número de estudos científicos levados em conta para elaborar a resolução publicada pela Sociedade Brasileira de Geriatria é um dos principais alvos de críticas dos adeptos da medicina antienvelhecimento e dos especialistas em ortomolecular. “Fazer um trabalho com só 164 referências bibliográficas num mundo que tem milhões de referências é um abuso à inteligência das pessoas. Se eu entrar na internet e quiser escolher 164 referências ruins sobre tratamentos geriátricos, vou encontrar também”, afirma Efrain Olszewer, clí-nico-geral e um dos precursores da ortomolecular no País: “O que existe é melhorar a qualidade de vida. O único tratamento antienvelhecimento que eu conheço é morrer jovem.” O mesmo ponto foi levantado por Edson Luiz Peracchi, presidente da Academia Brasileira de Medicina Antienvelhecimento. Ele lembra que, em 2010, o Conselho Federal de Medicina publicou normas para as práticas da ortomolecular, que incluem a prescrição de suplementos de vitaminas, minerais e hormônios em caso de deficiência. “Esse assunto já foi discutido, a normalização científica já existe.” Para ele, a publicação dessa resolução agora é “falta de assunto”. “Isso é para gerar constrangimento ao exercício profissional, assustar médicos menos avisados. É uma espécie de terrorismo mental, nada mais que isso.” {jvotesystem poll=|3|} {jvotesystem poll=|4|} |
JORNAL DE BRASILIA – DF | BRASIL
DST, AIDS E HEPATITES VIRAIS
23/05/2012
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