Renata Mariz
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“Todas essas questões fazem com que os gays e outros homens que fazem sexo com homens, mas não se identificam como gays, tenham um comportamento sexual mais arriscado”, explica a diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão. Ela ressalta, por exemplo, que entre os homossexuais jovens, de 18 a 25 anos, o uso do preservativo na primeira relação sexual é de 53,9%, contra 62,3% na população masculina geral. Com parceiro fixo no último ano, os gays também se descuidam mais, já que apenas 29,3% utilizaram a camisinha sempre, enquanto 34,6% dos homens em geral tiveram o hábito. No caso de companheiros casuais, a prevenção melhora um pouco, subindo para 54,3%, mas ainda é crítica, embora não muito distante do nível verificado no conjunto da população masculina, 57%.
Um dado que chamou a atenção da diretora foi o nível de escolaridade e de informação a respeito das doenças sexualmente transmissíveis. “É curioso notar que 52,2% dos gays e os outros homens que fazem sexo com homens têm mais de 11 anos de estudo, enquanto na população geral masculina esse índice é de 25,4%. Mesmo assim, eles são os que mais se infectam”, destaca.
Para Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), um grande facilitador da propagação do vírus da Aids é a homofobia. “Quando o gay não pode se assumir por medo da rejeição, do preconceito e da exclusão, ele não tem autoestima, não tem cidadania, e isso acaba conduzindo-o a um comportamento arriscado”. Segundo a pesquisa, 53,5% dos homossexuais já foram discriminados, xingados, humilhados ou apanharam por conta da orientação sexual. “A homofobia leva os homossexuais a uma espécie de clandestinidade, que reflete, isso está verificado em todo o mundo, nas condições de saúde”, afirma Mariângela.
Antônio Carlos Ferreira de Oliveira viveu muito tempo tentando esconder sua preferência. Ele revelou para a mãe que era gay aos 17 anos e foi expulso de casa. Depois de seis anos separado da família, sobrevivendo com a ajuda de uma tia, os quatro irmãos o procuraram. Em seguida, a mãe aceitou. “Faz três anos que moro com ela e não falamos mais nisso”, conta Antônio, que vive no Pará. Há um ano, ele e o companheiro descobriram ter HIV. “Foi uma nova etapa que tive de vencer. Mas sou alegre, trabalho, pago minhas contas, tomo meus remédios”, diz.





