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24/DEZEMBRO/07 |
AIDS – transmissão vertical pode ser evitada com o pré-natal; em Palmas, teste anti-HIV livrou o contagio em quase 100%
Cláudia Santos
Palmas
Os exames pré-natais são especialmente importantes para que se possa preservar a saúde das mães e dos bebês durante o período de gestação e mesmo depois dele. Complicações sérias como hemorragias, hipertensão, abortos ou o óbito da mãe podem ser evitados com o acompanhamento adequado da gravidez por profissionais de saúde. Um dos exames que toda gestante precisa fazer nesse período é o anti-HIV, para evitar a transmissão vertical (de mãe para filho).
Segundo o médico infectologista, Alexandre Janotti, se a mãe for soropositiva (portadora do HIV), mas seguir corretamente os procedimentos para evitar a transmissão ao bebê, as chances de a criança não ser infectada tem chegado a quase 100%, na Capital. Em Palmas, existem 105 crianças nascidas de mães soropositivas, segundo Janotti. Dessas, apenas cinco são portadoras do vírus. Isso porque as mães não teriam feito o exame sorológico durante o pré-natal.
O exame anti-HIV no pré-natal é oferecido pela atenção básica de saúde, administrado pelos municípios, de acordo com informações da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau). Nele, a equipe de saúde é orientada a informar à mulher sobre a existência do exame e sua importância. Caso o teste não seja realizado na gravidez, um exame rápido, em que o resultado fica pronto em 15 minutos, deve ser feito pouco antes do procedimento de parto. Nove hospitais da rede estadual oferecem o teste rápido de HIV atualmente.
O teste é indicado pelo Ministério da Saúde para gestantes que, ao chegarem para dar à luz, não tenham feito o teste anti-HIV durante o pré-natal, informou a Sesau. Segundo dados do estudo Sentinela Parturiente, realizado em 2006, no Brasil, 19% das gestantes não fizeram o exame nem durante o pré-natal nem no momento do nascimento da criança. Nesse mesmo período, cerca de 62% das futuras mães fizeram o teste anti-HIV durante a gravidez, divulgou o Ministério da Saúde, percentual considerado baixo pelo ministério.
TRANSMISSÃO
O risco da criança ser infectada é de cerca de 20% durante a gestação, 50% durante o parto e 30% na amamentação, explicou Janotti. Mas se a mãe contrair o vírus já gravida, as chances de transmissão podem ser maiores. "Em qualquer infecção, como o organismo ainda não montou autodefesa, a quantidade de vírus é maior", disse. Por isso, o ideal seria a mãe fazer o teste duas vezes durante a gravidez: um no primeiro semestre e outro no sétimo mês, de acordo com o médico. Principalmente as mulheres com parceiros soropositivos.
Maternidade
Segundo a assistente social do Serviço de Assistência Especializada de HIV/AIDS (SAE) de Palmas – Henfil, Maria Rita Cabral, existem mães que já sabem ser soropositivas antes do pré-natal, as que descobrem durante a gravidez e as que vão descobrir na hora do parto.
No último caso, não existe muito tempo para a mãe absorver a notícia de que é portadora do HIV, ao mesmo tempo que precisa assimilar que existe um grande risco de a criança já ter sido infectada. Isso porque o exame anti-HIV não foi feito no pré-natal e os medicamentos necessário para evitar a transmissão vertical não foram tomados, informou Maria Rita.
Segundo ela, quando as mulheres não fazem o exame anti-HIV no pré-natal, é possível que não tenham sido devidamente orientadas pela equipe de saúde. "Geralmente quando se explica a função de cada exame, as mães aceitam fazer o procedimento. O exame anti-HIV é um ato de amor da mãe para a criança e a maioria das mulheres se preocupa com o filho que está gerando", disse.
Ansiedade
Quando o bebê nasce, e a mãe é soropositiva, ela não pode amamentar. A criança será alimentada com um leite especial e no primeiro mês deverá tomar um xarope antiretroviral (para evitar a contaminação). O exame para verificar se o tratamento deu certo ocorrerá apenas no sexto mês de vida.
Se o resultado for negativo, a criança deve ser acompanhada pelo sistema público de saúde até o final da adolescência, mas se for positivo, o acompanhamento será por toda a vida. "A gente percebe que existe uma apreensão muito grande das mães em relação ao bebê ter sido ou não infectado. Ela só fica aliviada quando o médico avalia os exames da criança e diz que deu negativo. Além da satisfação que elas demonstram de terem feito a prevenção corretamente e ter dado certo", relatou Maria Rita.
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