Greve das federais

Saúde. Paralisação de professores e técnicos de 42 universidades federais que têm curso de Medicina causa efeito cascata, adiando consultas e cirurgias não emergenciais nos hospitais públicos ligados a essas universidades para o primeiro semestre de 2013
Fernanda Bassette Ocimara Balmant
A greve de professores e técnicos das universidades federais, que já dura 42 dias, deixou de ser um problema exclusivo da educação e passou a afetar também a saúde. Isso porque ao menos 16 hospitais públicos vinculados a essas universidades suspenderam parte do atendimento.
Embora o atendimento de urgência e emergência continue sendo realizado pelos hospitais, vários deles cancelaram consultas e cirurgias eletivas e decidiram não fazer novos agendamentos por tempo indeterminado.
O Estado ligou para as 42 universidades federais que possuem cursos de medicina e que, teoricamente, têm um hospital universitário vinculado. Todas estão em greve, mas nem todas possuem hospital próprio.
O Hospital de Clínicas vinculado à Universidade Federal do Paraná( UFPR),por exemplo,informou que a greve atingiu principalmente a área de exames de diagnóstico.
Desde segunda-feira, a unidade suspendeu todas as consultas ambulatoriais agendadas- assim, 1,3 mil pacientes deixaram de ser atendidos diariamente. A medida foi necessária, segundo o hospital, porque a não realização dos exames de diagnóstico impossibilitam o acompanhamento correto do paciente ambulatorial.
O Hospital Universitário da Universidade Federal do Rio Grande(Furg)também está com o atendimento reduzido: só funcionam as UTIs os serviços de urgência e emergência. Helena Vaghetti, diretora-geral do hospital, diz que o atendimento ambulatorial está sendo feito parcialmente – 40% das consultas foram canceladas e são priorizados os casos graves. Cirurgias eletivas também estão suspensas.
Sem atender. A situação no Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (UFS) também é preocupante.
Segundo Ângela Maria da Silva, diretora-geral, o hospital está funcionando com apenas 30% da capacidade. “A greve nos afetou substancialmente”, afirmou.
A unidade realiza cerca de 10 milconsultas por mês.Asconsultas estão suspensas e só pacientes que recebem medicamento de uso contínuo estão sendo atendidos (casos de epilepsia, Aids ou doenças psiquiátricas).
Das quatro salas cirúrgicas, apenas uma está funcionando e dos 20 leitos, apenas 7 estão ocupados.
“Essa greve terá um impacto imenso no atendimento.
final do ano estamos com a agenda comprometida.
Se a greve entrar no mês de julho, com certeza teremos impacto no ano que vem”, afirmou Helena.
O acúmulo de consultas e cirurgias agendadas e não realizadas por causa da greve é a principal preocupação em pelo menos dois Estados. No hospital vinculado à Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e no Hospital de Clínicas da Universidade Federal da Bahia (Ufba), a previsão é de que a espera para esses dois procedimentos (consultas e cirurgias não emergenciais) avance para o primeiro semestre de 2013. Na Ufba, por enquanto, os funcionários do hospital estão se revezando para garantir o atendimento do que já estava previamente agendado.
Em Campina Grande, na Paraíba, o hospital ligado à universidade cancelou as consultas que seriam realizadas por professores da instituição. “Das oito mil consultas que realizamos ao mês,apenas mil são efetuadas pelos professores em greve, então o impacto não é tão grande”, diz a diretora-geral do Hospital Universitário Alcides Carneiro, Berenice Ferreira Ramos.
No Estado vizinho,a pró-reitora de gestão de pessoas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Miriam Dante dos Santos,explica que a paralisação de metade dos 1.200 funcionários dos 4 hospitais vinculados à instituição vai ser sentida pela população a partir da próxima segunda.
“Até agora, negociamos com o comando de greve para que consultas e cirurgias agendadas fossem realizadas. Mas, em julho, isso não mais acontecerá. ” No Recife, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE),que realiza cerca de 20 mil consultas e 470 cirurgias ao mês, cancelou consultas e cirurgias por conta da greve. Estão mantidos apenas os procedimentos de urgência para os pacientes que já estão internados e as consultas de prénatal de alto risco, oncológicas, asma grave e crianças com alergia alimentar. (COLABOROU LUIS CARRASCO)
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PARA ENTENDER
Das federais, 94% pararam
A greve das universidades federais completa hoje 42 dias sem negociação com o governo. Ao todo, segundo o comando nacional da greve, professores de 56 das 59 universidades federais do País (94%) aderiram ao movimento que pede a criação de um plano de cargos e carreiras.
Os institutos federais também pararam. Dos 40 do País – responsáveis pela educação básica, profissional e tecnológica -, 36 estão paralisados total ou parcialmente.
De acordo com o sindicato da categoria, o Sinasefe, 25 mil dos 42 mil técnicos e docentes aderiram ao movimento que pede plano de carreira aos professores e melhores condições de trabalho e remuneração aos técnicos administrativos.
DST, AIDS E HEPATITES VIRAIS
29/06/2012
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