Nesta época do ano, os estoques ficam críticos porque diminui o número de doadores, enquanto aumenta a demanda nos hospitais
Dois anos atrás, Nielma Marques, 27 anos, descobriu uma ótima maneira de ajudar ao próximo: a DOAÇÃO DE SANGUE. “Trabalho na área de saúde e vejo o quanto é importante. Além disso, não custa nada”, comentou a enfermeira do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) em 31 de dezembro de 2009, ainda sentada na cadeira do HEMOCENTRO de Brasília. Ela já estava com saudades, pois ficou grávida no ano passado e não pôde doar sangue por vários meses. “Vim hoje (quinta-feira), porque já posso e não queria deixar o ano passar sem doar”, afirmou ela, que também é incentivadora da prática. “Meu marido mesmo veio comigo para doar.” E o casal escolheu um ótimo momento para fazer a boa ação. Os níveis do estoque de sangue para os hospitais do DF estiveram crítico nos últimos dias.
“No início desta semana, tínhamos só 85 bolsas do sangue do tipo O+, por exemplo, quando o ideal é, pelo menos, 350”, contou a diretora do HEMOCENTRO, Maria de Fátima Brito Portela. Por conta disso, na última terça-feira, a fundação deu início a uma campanha na mídia para atrair mais pessoas. Os estoques só se mantêm com uma média de 300 doadores todos os dias. O local não funcionou ontem, mas está aberto hoje, das 7h às 18h, à espera de voluntários.
O ano-novo é de esperança para o HEMOCENTRO, pois 2009 foi difícil. “Tivemos uma redução de 30% no número de doadores em relação a 2008”, afirmou a diretora. “O fator principal para essa perda foi a epidemia de gripe suína. Passamos por momentos difíceis”, completou a diretora. Nesta época, o que diminui a frequência de doadores são os feriados. Muita gente sai da cidade. “Uma situação paradoxal, já que a demanda nos hospitais tende a crescer agora”, lamenta Maria de Fátima.
O sangue(1) que enche as bolsas coletoras é distribuído para os 16 hospitais públicos do DF e para outros quatro particulares conveniados. Ele é muito usado nas emergências, em vítimas de acidentes. Serve também para garantir o sucesso de cirurgias. Em uma operação cardíaca, por exemplo, o paciente pode precisar de até 50 sacos de sangue. “Para isso, são necessários 50 doadores. E temos que ter esse sangue no estoque para atender o hospital”, explica Maria de Fátima.
Lanche
Quem doa sangue se sente, literalmente, mais leve. Em cada saquinho vão de 410 ml a 470 ml – volume que o organismo repõe em poucos dias. Para doar de novo, porém, os homens precisam esperar 60 dias e as mulheres, 90. É bom se alimentar bem antes de enfrentar a agulha, mas depois é oferecido um lanche, com sanduíche, suco, iogurte e fruta.
A condição principal para doar é estar com boa saúde (veja quadro com dicas). Mas o doador também precisa tomar alguns cuidados no dia anterior. Não deve ter ingerido bebida alcoólica nas 24 horas anteriores nem comido alimentos muito gordurosos. Usar drogas nem pensar. “Tem gente que chega meio anêmico ou ainda se recuperando de alguma doença. Aí, temos de recusar”, avisou Maria de Fátima. A diretora afirma ainda que todas as tipagens sanguíneas são necessárias.
1 – Exames
O sangue coletado passa por uma bateria de exames antes de ser encaminhado aos hospitais. Os testes são feitos para que quem precisa de transfusões não seja exposto a doenças, como hepatite e AIDS. Se estiver doente, o doador é avisado, mas o HEMOCENTRO pede que as pessoas evitem doar só por causa do teste, visto que todos os centros de saúde podem fazê-lo – e liberar o resultado em menos tempo.
Dicas
O que é preciso para doar sangue
Ter entre 18 e 65 anos e pesar, no mínimo, 50kg e, no máximo, 130kg
Estar em boas condições de saúde
Ter dormido, pelo menos, seis horas na noite anterior
Estar bem alimentado (sem consumir gordura)
Não ter doado sangue há menos de 60 dias, para os homens, e 90, para as mulheres
Contraindicações
Ter tido algum tipo de hepatite após os 10 anos de idade
Ter feito tatuagem ou colocado piercing nos últimos 12 meses
Ter feito endoscopia nos últimos 12 meses
Ter SÍFILIS ou doença de Chagas
Endereço
O HEMOCENTRO de Brasília fica no Setor Médico-Hospitalar Norte, Quadra 3, Conjunto A, Bloco 3, próximo ao Hospital Regional da Asa Norte.
O atendimento ocorre de segunda-feira a sábado (exceto feriados), das 7h às 18h
CORREIO BRAZILIENSE-DF |
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02/JANEIRO/2010 |
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