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Hepatite: a epidemia do século XXI infectou 1,2 mil no ES no ano passado

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11/JANEIRO/08

 

10/01/2008 19:47:04 – Redação Gazeta Rádios e Internet

 

GUIDO NUNES
gazetaonline@redegazeta.com.br

Considerada pelos médicos a epidemia do século XXI, a hepatite já está presente em 400 milhões de pessoas em todo o mundo. O fato de os sintomas demorarem entre 10 e 30 anos para aparecer a credencia como “doença silenciosa”. No Espírito Santo, foram notificados cerca de 1.200 pessoas infectadas pelos vários vírus causadores da doença em 2007.

Em 2006, foram 46 mortes no Estado em decorrência da doença. No ano passado, até o mês de agosto, 13 pessoas tiveram morte causada pelas debilitações da hepatite no organismo. Os casos mais crônicos podem resultar em cirrose e câncer do fígado.

Existem, categorizados, cinco tipos de hepatite – A, B, C, D e E. Em alguns casos não existe cura, mas existe tratamento. A melhor forma de prevenir a doença é por vacinas. Já existem vacinas para os tipos A e B. No calendário de vacinas do Ministério da Saúde, apenas as vacinas para o tipo B estão disponíveis gratuitamente para pessoas até 19 anos. Para hepatite A, só existem vacinas disponíveis na rede particular.

O médico e coordenador do Programa Estadual de Hepatite, Moacir Soprani, fala sobre o tratamento para os diversos tipos da hepatite. “Hoje, as hepatites B e C têm tratamento. No caso da hepatite C, consideramos o paciente curado se os exames forem negativados 6 meses depois de terminar o tratamento. No caso da hepatite B, a gente considera alguns pacientes curados, mas, na maior parte das vezes, é feito apenas o controle com o uso de medicamentos por tempo indeterminado. A hepatite A e hepatite E não têm tratamento específico, nós apenas tratamos os sintomas”.

As formas de transmissão da doença são diferentes entre os tipos. As hepatites A e E são transmitidas através de alimentos e água contaminados. A principal causa da infecção do tipo B da hepatite é por relações sexuais – ela é cem vezes mais fácil de ser infectada do que o vírus da Aids. Já no tipo C, a forma de transmissão é através do sangue, seja nas transfusões como na utilização de seringas para injetar drogas.

A relação da hepatite com a Aids vai além da mesma forma de transmissão. Se a pessoa for co-infectada pelos dois vírus, os quadros da hepatite podem se agravar mais rapidamente, em função da baixa imunidade dos portadores do vírus HIV. Alguns medicamentos para o vírus da Aids também servem para o tratamento da hepatite.

Os sintomas da hepatite são icterícia – coloração amarela nos olhos –, urina escura, fezes esbranquiçadas, além de febre, dores no corpo e mal-estar, comum nas demais viroses. Os exames para identificação da doença são realizados nos postos de transfusão de sangue e nos postos de saúde.

Entre 2001 e 2007, foram notificados mais de 13 mil casos dos vários tipos de hepatite no Estado. A doença, considerada a epidemia do século XXI, possui 400 milhões de pessoas infectadas no mundo, número dez vezes maior que de pessoas portadoras do vírus HIV – 40 milhões.

A recomendação dos médicos para os pacientes infectados pelo vírus é repouso absoluto e evitar a ingestão de alimentos gordurosos. As crendices populares de que comer doce e fazer várias refeições ao dia, não é considerada pela medicina.

Existem centros especializados no tratamento da hepatite em Vitória – no hospital Santa Casa de Misericórdia e no hospital das Clínicas -, além dos municípios de Colatina, Linhares, Cachoeiro de Itapemirim e São Mateus. A Serra ainda está em processo de implantação do núcleo especializado.


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