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quinta-feira, março 5, 2026

Hepatite B, avançar na prevenção

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, Raymundo ParanáO Brasil faz grande esforço para se afirmar como um país comprometido com a saúde do cidadão. Estamos tentando resgatar dívidas sociais seculares e o SUS veio para mostrar ao mundo o maior programa de inclusão social praticado por um país em desenvolvimento. Para que o SUS avance na qualidade e quantidade de assistência teremos muito a fazer. Para isso se faz mister adotar políticas que promovam a auto-suficiência do País na produção de vacinas, assim como as campanhas de adesão que levem a índices cada vez maiores de imunização contra algumas doenças. Prevenir é muito mais barato do que curar. São várias as conquistas, que criam esperanças nos profissionais que lidam diretamente com a área da saúde. Mas, ao tempo em que comemoramos as vitórias contra algumas doenças, precisamos continuar trabalhando de forma mais efetiva contra outras que ainda são desconhecidas da população e que poderiam ser evitadas com vacinação. Como exemplo, cito a hepatite B, que se trata de uma doença endêmica no País, mormente nas regiões Norte e Nordeste. A vacina é oferecida gratuitamente para todos os brasileiros entre 0 e 19 anos. A aplicação é muito simples e são necessárias três doses, com intervalos de 30 (segunda dose) e 180 dias (terceira dose). Além da falta de informação ao público sobre essa doença, necessitamos também de programas de educação médica. O Ministério da Saúde tem realizado hercúleo esforço nesse sentido através do Programa Nacional de Hepatites Virais, envolvendo também a imprensa. A sociedade civil organizada tem projetos de educação nessa área para jovens nas escolas públicas com recursos dos ministérios. Por ser uma doença sexualmente transmissível, os jovens devem ser vacinados antes do início da sua vida sexual. Temos como forte entrave à cobertura da vacinação o longo intervalo entre as doses. Habitualmente, o indivíduo esquece as doses subseqüentes e não completa o esquema vacinal. Muitos dão pouca importância à recomendação médica, pois se sentem um alvo improvável da doença. Talvez por isso existam estimativas sugerindo que, somente na cidade de São Paulo, cerca de 1,4 milhão de jovens nessa faixa etária ainda não foram vacinados, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. Se em São Paulo essas estimativas são alarmantes, podemos imaginar o que acontece nas regiões mais pobres e, sobretudo, nas mais esquecidas do País. Não há dúvida de que a diminuição dos casos de hepatite B no País passa necessariamente pela intensificação de campanhas de conscientização, já que esta é a forma mais eficaz de prevenção. Já se notaram avanços quando começamos a falar abertamente neste País sobre sexo responsável, sobre camisinha e educação sexual. Precisamos, portanto, atuar no sentido de aumentar o conhecimento da população a respeito da doença e incentivar a adesão das pessoas a essa imunização, fato ainda não conseguido pelas campanhas de esclarecimento realizadas até aqui. O Brasil tem um programa de tratamento para aids que é considerado referência e modelo para o resto do mundo e cujo exemplo poderia perfeitamente se repetir no caso da hepatite B. As hepatites virais já estão entre as principais causas de morte na Amazônia brasileira e são também responsáveis por mais de 50% dos pacientes em lista de espera para transplante de fígado no Brasil. A alta capacidade de infecção da doença causada pelo vírus da hepatite B e as suas graves conseqüências em estágio avançado nos faz crer que estamos diante de uma endemia das mais desafiantes, cujo potencial negativo ainda não pode ser definido, mas certamente será dos maiores. São aproximadamente 400 milhões de pessoas contaminadas em todo o mundo. Desse total, provavelmente, dois milhões estão no Brasil. Em silêncio, a hepatite B crônica ganha proporções bem maiores que a aids, atingindo o triplo de pessoas portadoras do HIV. Também é responsável por maior mortalidade se comparada à aids.Esses dados revelam a gravidade da hepatite B. Para se ter uma idéia, a possibilidade de contágio, através de material perfuro-cortante contaminado com sangue no caso do HIV é de apenas 0,3% a 0,6%; no caso da hepatite C, essa possibilidade é de 0,6% a 3%; já na hepatite B alcança 6% a 36%. Assim como a aids, ainda não se fala em cura da hepatite B crônica. A contaminação ocorre, em 70% dos casos, via relação sexual, o que reforça que o uso do preservativo é fundamental. As demais formas de transmissão da doença são a vertical (de mãe para filho, no momento do parto) e pelo contato sangue com sangue (especialmente pelo compartilhamento de objetos abrasivos ou perfuro-cortantes, como alicates de cutícula, escovas de dentes, aparelhos de barbear e agulhas). O maior problema da hepatite B é que a doença raramente apresenta sintomas, o que faz com que o diagnóstico seja, habitualmente, tardio. Tem potencial de evolução para cirrose ou câncer de fígado, culminando na necessidade de transplante hepático. Nesse contexto, além das campanhas de vacinação, é fundamental conscientizar a população sobre os riscos da hepatite B e a necessidade da realização do exame para detecção da doença naqueles que pertencem ou pertenceram a grupo de risco. Dentre aqueles que merecem rastreamento, estão os indivíduos com vida sexual insegura (sem camisinha), os que já tiveram outras doenças sexualmente transmissíveis, os usuários ou ex-usuários de droga venosa, os tatuados ou que colocaram piercing. Afinal, apesar de não ter cura, é possível tornar o vírus inativo com o tratamento adequado. Ou seja, uma vez diagnosticado o quadro crônico da doença, vale a pena tratar. Raymundo Paraná é médico, coordenador do Grupo de Hepatites Virais Brasil-França e professor da Universidade Federal da Bahia.


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Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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