Infecções do subtipo não-B estão a tornar-se mais relevantes nos homens gay seropositivos no Reino Unido

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Michael Carter
Published: 24 August 2010
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Os subtipos de VIH que estão a infectar os homens gay no Reino Unido estão a tornar-se cada vez mais diversos, segundo um relatório apresentado na edição on-line da AIDS. Embora o VIH-1 subtipo B continue a ser o vírus mais comum nos homens gay no Reino Unido, a proporção de infecções que envolvem o vírus do subtipo não-B tem aumentado dramaticamente.

“Este estudo proporciona evidências de que no Reino Unido tem havido um aumento de infecções pelo VIH não-B em HSH (homens que têm sexo com homens) desde o começo da epidemia,” referem os investigadores.

Existem muitos subtipos de VIH geneticamente diferentes e historicamente têm sido confinados a determinadas regiões geográficas ou grupos vulneráveis específicos. Entre os homens gay e outros homens que têm sexo com homens na Europa, o subtipo B é predominante.

Contudo, alguns estudos de pequena dimensão têm demonstrado que a prevalência de subtipos não-B está a crescer entre homens gay europeus.

Por esse motivo os investigadores queriam descrever a frequência dos subtipos não-B entre os homens gay no Reino Unido, fazendo um seguimento das tendências desde 1980 até 2007. Também desejavam observar se algumas características demográficas estavam associadas com um risco crescente de infecção pelos subtipos não-B.

Um total de 8 058 amostras de sangue de homens gay seropositivos recolhidas e armazenadas no UK HIV Drug Resistance Database foram analisadas pelos investigadores.

No total, 437 infecções (5%) estavam relacionadas com subtipos não-B. Isto incluía 102 infecções do subtipo C e 53 infecções do subtipo A.

A maioria (69%) dos homens com infecções não-B eram brancos e 42% tinham nascido no Reino Unido. A distribuição dos subtipos não-B era similar nos homens brancos nascidos no Reino Unido do que no resto de doentes.

A prevalência de subtipos não-B era muito baixa antes de 1996, mas aumentou para um valor entre 7 e 9% no período posterior a 2002. No entanto, esta prevalência aumentou marcadamente até 13% em 2007.

Relativamente à etnicidade, 13% de homens gay negros e 11% de homens gay asiáticos foram infectados por estirpes não-B do VIH. Um quarto dos negros e nenhum dos asiáticos nasceram no Reino Unido.

Quase todas (96%) as infecções não-B em homens gay localizavam-se no sudeste da Inglaterra.

Numa análise multifactorial, os factores significativamente associados com a infecção com subtipos não-B foram: ano mais recente de diagnóstico (p < 0,001), etnicidade da África negra (p < 0,001) e países de nascença não Europeus (p = 0,01). Os doentes com idades inferiores aos 25 anos tinham significativamente uma maior probabilidade de ter uma infecção não-B (p =0,01) do que aqueles com idades entre os 25 e os 39 anos.

Os investigadores identificaram também que os homens gay brancos nascidos no Reino Unido diagnosticados depois de 2002 tinham 8.5 vezes mais probabilidades de estarem infectados pelo subtipo não-B do que aqueles diagnosticados antes de 1996.

“O aumento da prevalência do VIH-1 não-B entre os HSH (tanto globalmente como entre os HSH nascidos no Reino Unido) sugere que a transmissão do VIH nesta população possa estar a acontecer no Reino Unido”, referem os investigadores, acrescentando que “a separação dos subtipos de VIH está a tornar-se menos definida”.

Os investigadores não têm certezas sobre o significado clínico dos seus resultados, concluindo que, “não está claro qual o impacto nos resultados clínicos ou no desenvolvimento de vacinas ao introduzir a infecção pelo VIH-1 não-B na que anteriormente era uma população restrita ao sub-tipo B. O primeiro é polémico e o segundo ressalta a necessidade de uma vacina profiláctica de estirpes cruzadas”.

Referência

Fox J et al. Epidemiology of non-B clade forms of HIV-1 in men who have sex with men in the UK. AIDS 24 (online edition): DOI: 10. 1097/QAD.0b013e32833cbb5b, 2010.

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