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Levantamento aponta que as bebidas alcoólicas são as substâncias psicotrópicas mais consumidas na adolescência, e cada vez mais precocemente
MARIANA ORTIGA
Sempre que se olha no espelho, Rodrigo Henrich, hoje com 30 anos, sente se envergonhado e arrependido.
As cicatrizes no lado esquerdo do rosto e um tampão que cobre o olho são resultado de uma combinação nada rara em sua adolescência e juventude: álcool e direção. Mas antes de quase perder a vida, já perdi muita coisa faz questão de ressaltar. As perdas as quais se refere incluem, além de carros, emprego, estudo e namoradas. Todos os dramas que passou estão relacionados a um produto lícito, fácil de comprar, que se consome em frente aos pais e que ganha adeptos cada vez mais jovens, a bebida alcoólica.
O pior é que a geração de Rodrigo começou a beber aos 15 anos, enquanto a atual toma os primeiros goles por volta dos 13. Ou seja, se ele destruiu cinco carros e perdeu as contas de quantas vezes bateu ao voltar de noitadas bêbado, caso existisse um cálculo para dimensionar a situação, pode se dizer que a probabilidade de quem começa a beber mais cedo é ter uma lista de perdas maior.
O Primeiro Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira, elaborado pela Secretaria Nacional Antidrogas, mostra que as bebidas alcoólicas são as substâncias psicotrópicas mais utilizadas na adolescência. Basta chegar em uma roda de amigos no recreio de um colégio e conversar para ter certeza da precocidade do consumo.
Dos três estudantes de uma escola pública estadual de Florianópolis que falaram sobre o assunto, com 14,15 e 16 anos, todos disseram já incluir bebida nas baladas e só um havia experimentado produtos ilícitos. Como ainda não dirigem, desconhecem problemas no trânsito por embriaguez, mas deixam claro que conhecem outras conseqüências da bebida, quando a menina do grupo dispara
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Os guris bebem e ficam folgados. Basta um olhar para a namorada do outro e pronto!
A redução da faixa etária dos consumidores de álcool aparece junto de outra constatação que alarma os pesquisadores, que é a de que os jovens consomem mais doses em uma mesma ocasião.
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Álcool expõe jovens a violência e doenças
De acordo com o médico especialista em dependência química e professor da Universidade Federal de SC (UFSC), Tadeu Lemos, é comum que se beba atualmente em "binge", que significa beber em quantidade de risco em pouco tempo.
O binge se caracteriza por cinco a oito doses em um mesmo evento.
Quanto mais doses, maior a sensação de prazer, de relaxamento e a exposição ao risco. Isso porque o mesmo álcool que provoca alterações no sistema nervoso que garantem bem estar, aumenta a auto confiança, permitindo que o indivíduo embriagado perca a noção do perigo.
O excesso de álcool expõe o jovem a problemas de saúde e sociais a curto prazo. E os riscos não param nos acidentes de trânsito e nas brigas, chegam na prática de sexo sem camisinha observa Lemos.
Quem sabe bem disso é um estudante de Direito de 18 anos, que prefere não se identificar.
Há um ano, a ser completo no próximo dia 31 de dezembro, ele foi passar o Réveillon na casa de uma amiga do cursinho.
Como ia dormir lá, não se preocupou com as latinhas de cerveja a mais. Nem com camisinha.
Peguei uma doença sexualmente transmissível, por sorte curável. Mas bêbado, você se sente imortal.
Pena que só no outro dia descobre que o adjetivo é outro:
burro.
- Saiba mais
- O álcool está entre as drogas de maior relevância no Brasil, sendo o consumo superior ao das drogas ilícita
- Estima se que 11,2% da população seja dependente de álcool
- 69,4% da população da Região Sul já consumiu álcool alguma vez na vida
Pesquisa com estudantes de 10 capitais brasileiras revelou que 40% dos entrevistados de 12 a 18 anos ingeriram bebida alcoólica pela primeira vez em casa.
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p align=”center”>Fonte: Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid)
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