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KPC: Superbactéria237 visualizações desde a publicação original em 24/10/2010. Tempo estimado de leitura acumulado: 7 horas, 54 minutos.

by Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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Há algum exagero na dimensão que o noticiário em torno da “superbactéria” está ganhando. Médicos intensivistas brasileiros convivem com variedades de Klebsiella resistentes a antibióticos já há vários anos.

Essa, aliás, não é a única ameaça nesse quesito. Também rondam nossas UTIs outros representantes de floras patogênicas super-resistentes, difíceis de diagnosticar e tratar.

O processo pelo qual micro-organismos desenvolvem resistência é complexo. Começa na comunidade, com o uso pouco criterioso dos antibióticos (inclusive quando receitados por médicos), passa pelos hospitais superlotados, onde descuidos na antissepsia se somam a fatalidades biológicas, e pode eventualmente voltar para a comunidade.

Ao tomar um antibiótico mal prescrito, o paciente acaba selecionando linhagens de bactérias com maior resistência natural à droga. Como as infecções típicas da comunidade não são muito graves -boa parte delas se cura mesmo sem remédios-, o fenômeno tende a passar relativamente despercebido.

Um dia, entretanto, esse paciente vai parar no hospital, onde deixa exemplares de sua flora mais resistente. Além das mutações, bactérias, mesmo não aparentadas, têm a capacidade de trocar entre si fragmentos de DNA (plasmídeos), inclusive os genes responsáveis pela resistência. É nesse ambiente que se formam as superbactérias.

Embora seja um processo lento e ainda pouco conhecido, essas linhagens super-resistentes podem voltar para a comunidade. Médicos generalistas brasileiros já têm de lidar com casos de TUBERCULOSE e gonorreia bem mais difíceis de tratar do que no passado. As doses de medicamentos usadas para debelar várias infecções comuns também tiveram de ser aumentadas ao longo do tempo.

O surgimento de resistência a antibióticos é um fenômeno previsto pela biologia, mais especificamente pela teoria da seleção natural. É algo que deve preocupar cientistas, médicos e autoridades sanitárias, mas é bastante improvável que as variedades atualmente em circulação assumam proporções epidêmicas da noite para o dia.

Não há, portanto, razão para preocupações exageradas.

 

FOLHA DE S. PAULO – SP | OPINIÃO

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