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Laço vermelho de 15 metros será colocado aos pés do cristo redentor no dia 1º de dezembro;

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Laço vermelho de 15 metros será colocado aos pés do cristo redentor no dia 1º de dezembro; por sugestão da igreja, não haverá distribuição de preservativos no local

 10/11/2007 – 11h50

No Dia Mundial de Luta contra Aids, realizado anualmente em 1º de dezembro, o Cristo Redentor vai ganhar um adereço: um laço vermelho de quinze metros de comprimento será colocado no pedestal do monumento. Idealizado por artistas norte-americanos em 1991, o laço simboliza compromisso e solidariedade no combate à epidemia.

"Como se ele [o Cristo] tivesse abençoando a luta contra a Aids", avalia Cazu Barroz. Para o ativista carioca, que participou de reunião para discutir os preparativos do ato, a cerimônia será um "marco na história da Aids". "Vai ser um marco não só para o Brasil, mas para o mundo", acredita.

Na avaliação do integrante da Federação de Bandeirantes do Brasil, o objetivo do evento diante do Cristo Redentor "é chamar a atenção do mundo" para a luta contra o HIV. "Isso é muito positivo", acrescenta Barroz. Para permitir a realização do ato diante da estátua de 38 metros de altura, a Igreja Católica proibiu a qualquer menção ao tema da prevenção.

A maior organização religiosa do mundo também vedou a distribuição de preservativos no local. "Para a realização do evento foi combinado que não haveria a distribuição de camisinha", explica Cazu Barroz. O militante esclarece que isso ficou acertado em uma reunião ocorrida em 31 de outubro, na sede da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro.

No encontro, de acordo com o próprio, Barroz foi o único integrante da sociedade civil presente, representando o Fórum de ONG/Aids carioca. A reunião, que durou cerca de 4 horas (ainda de acordo com o ativista), teve representantes da Igreja Católica, do Programa Nacional de DST/Aids, da Secretaria de Saúde do Estado do Rio e do Programa Municipal de DST/Aids da capital fluminense.

Padre Omar Raposo, assessor cultural do Santuário do Cristo Redentor, confirma que não haverá a distribuição de preservativos no lugar. O pároco admite que a questão da camisinha é "polêmica" e que o objetivo da cerimônia ecumênica é "trabalhar pontos comuns" entre Igreja, poder público e sociedade civil.

Segundo o pároco, a celebração será das 16h00 às 17h30 do sábado (1º de dezembro). Padre Omar Raposo explica que "lá em cima" não haverá a distribuição de camisinhas. Isso talvez aconteça, esclarece Cazu Barroz, nos locais de acesso ao monumento, que fica no topo do Corcovado (710 metros acima do nível do mar). O morro localiza-se na zona sul da capital do estado do Rio de Janeiro.

O Programa Nacional de DST/Aids, por meio da sua assessoria de comunicação, confirma a realização da cerimônia. O órgão subordinado ao Ministério da Saúde explica que os detalhes do ato ainda estão sendo acertados. A não distribuição de preservativos diante do símbolo do catolicismo ainda não foi confirmada pelo órgão.

De acordo com o Programa Nacional, já é certo que o evento terá a participação de ONGs, de pessoas vivendo com HIV/Aids e do Ministro da Saúde, José Gomes Temporão. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o prefeito da capital fluminense, Cesar Maia, também foram convidados, mas a presença dos dois ainda não foi confirmada.

Tanto a Secretaria de Estado da Saúde fluminense quanto a Arquidiocese do Rio de Janeiro, por meio das suas assessorias de imprensa, não se manifestaram sobre o caso. Quando contatadas, na manhã e tarde da última quarta-feira (07/11), os seus representantes pediram ao repórter que buscasse mais informações sobre o assunto junto aos seguintes órgãos, respectivamente: Assessoria de Comunicação do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro e Programa Nacional de DST/Aids.

A assessoria carioca do Ministério da Saúde, com a justificativa de centralização das informações relativas à Aids, pediu ao repórter que contatasse o departamento de comunicação do Programa Nacional de DST/Aids. O órgão, como já foi relatado nesta reportagem, não forneceu mais dados sobre o tema, alegando que os detalhes da cerimônia ainda estão sendo discutidos.

 

Léo Nogueira

 

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