Fico pensando até onde vai a liberdade de atuação daqueles que exploram a fragilidade física, financeira, emocional e espiritual do ser humano usando o nome de Deus.
Prometer ou simular milagres durante cultos religiosos não seria o mesmo que cometer o crime de charlatanismo?
No sentido geral, o termo charlatanismo e curandeirismo fundem-se e podem ser definidos como prática apregoada por alguém para obter vantagens fraudulentas, pecuniárias ou não, ludibriando a outros.
Pela legislação brasileira, o charlatanismo é a conduta de “Inculcar(fazer acreditar) ou anunciar cura por meio secreto ou infalível”.
E sua prática está classificada como um ato doloso, onde há a intenção clara de prática do delito.
A lei diz que os meios de cometer esse delito podem ser escritos e verbais, ou seja, a televisão também poderia ser classificada como um mecanismo de sua prática.
O que vem acontecendo do Brasil, sem nenhum limite e respeito, foge à nossa capacidade de entendimento. Não dá para imaginar, pelo menos quando estamos em condições normais, sob equilíbrio psíquico-emocional, que alguém se submete à exposição pública diante de um homem que no mesmo minuto que pede dinheiro para a “obra de Deus” aos gritos anuncia a cura para todos os males.
Mais ainda, que há seres humanos, capazes de, na maior cara de pau, prometer cura para doenças que nem milhares de anos de pesquisas trouxeram medicamentos eficazes.
Enfermidades como AIDS, câncer e deficiências físicas genética ou adquiridas estão na lista dos “enviados” de Deus.
Pois é, isso vem acontecendo diariamente e livremente, ao vivo e a cores, dentro de nossas casas, nos diversos horários e emissores de televisão.
Outro dia, aos risos meu filho me contou que ao mudar de canal se deparou com um programa de tevê no qual um homem, com um único assopro, dizia ter curado mais de 30 fiéis, entre os quais aleijados em cadeiras de roda, cegos e mulheres com câncer de mama.
Isso mesmo. Não estou contando nenhuma piada de mau gosto. Todos aqueles que foram atingidos pelo ar que saiu da boca do sujeito que se dizia enviado de Deus, se declaram curados. Minutos depois, o mesmo “cara de pau” começou a pedir dinheiro aos fiéis para as “obras” de Deus.
ALECY ALVES é repórter do caderno Cidades
DIÁRIO DE CUIABÁ – MT | ARTIGO
AIDS
24/03/2010
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